Nervoso, Flávio Bolsonaro foca em ataques a Lula, não explica o dinheiro de Vorcaro na entrevista à TV Globo

Flávio Bolsonaro foca em ataques a Lula, cita demissão de chefão da Globo e enaltece legado do pai

Nervoso, Flávio Bolsonaro foca em ataques a Lula, não explica o dinheiro de Vorcaro na entrevista à TV Globo

Flávio Bolsonaro (PL) é o segundo entrevistado por Renata Lo Prete, na TV Globo, na rodada de sabatinas com os candidatos à Presidência da República no segundo turno das eleições. Nesta sexta-feira, 16, o senador começou sendo questionado sobre propostas econômicas e sua mudança de posicionamento em torno do fim da escala 6×1. Ao longo da noite, ele focou em ataques a Lula, citou demissão de chefão da Globo e enalteceu o legado do pai. Se perder a eleição, Flávio falou que respeitará o resultado das urnas. Acompanhe os destaques da entrevista:

Dívida pública

A entrevista começou com Flávio Bolsonaro sendo questionado sobre a dívida pública do Brasil e suas propostas de ajuste fiscal. O candidato do PL diz que pretende manter o reajuste do salário mínimo acima da inflação e que, também, não irá fazer mudanças na Constituição para alterar pisos de gastos com Saúde e Educação. Sem mexer nos grandes núcleos de gastos, ele argumenta que conseguirá equilibrar as contas por meio do combate à corrupção, cortes de despesas e por meio de novas receitas.

“O concorrente está promovendo terrorismo em cima dos servidores públicos, das estatais, dizendo que eu provatizaria o Banco do Brasil, a Petrobrás, que acabaria com a luz do sol, com o direito dos alienígenas… E o maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer é tirar o Lula”, começou Flávio, atacando seu adversário político. 

Flávio seguiu afirmando que, se eleito, pretende cortar ao menos 10 ministérios. Além disso, ele planeja conseguir fundos a partir de imóveis abandonados pelo Brasil e cobrando dívidas que a União tem a receber. O candidato também citou como caminho a empliação de exploração de petróleo na Margem Equatorial e falou em fazer uma gestão com o auxílio de Inteligência Artificial.

Fim da escala 6×1

O Congresso Nacional aprovou o fim da escala 6×1 nesta semana, e a emenda já foi promulgada. Flávio Bolsonaro se posicionava contra o projeto, que chegou a chamar de eleitoreiro e oportunista. Mas, na véspera da votação da PEC no Senado, ele mudou de opinião e votou a favor nos dois turnos da votação na casa. O que orientou essa mudança de posição? É o que questionou a jornalista ao candidato.

Flávio Bolsonaro disse que votou com base no que “ouviu nas ruas” e explicou ter percebido que os trabalhadores estavam querendo o fim da escala 6×1. Em paralelo, ele disse que sempre defendeu mais liberdade para que os trabalhadores montassem sua jornada de trabalho e que isso “pressupõe que a escala 6×1 fosse extinta e outra coisa acontecesse”.

“Durante essa sua folga você vai continuar andando de ônibus e sendo assaltado. Vai continuar dormindo preocupado porque está devendo e seu salário não está durando o mês todo […]. Além de garantir a folga, vou fazer de tudo para garantir poder de compra e mais segurança” – Flávio Bolsonaro

 

Se eleito, Flávio Bolsonaro prometeu que irá respeitar a decisão do Congresso Nacional com relação ao fim da escala 6 x 1 e que não tentará reverter a medida.

‘Presidente de um mandato só’

Flávio Bolsonaro tem defendido ao longo de sua campanha eleitoral o fim da reeleição e que quer ser “presidente de um mandato só”. “Se o Congresso não aprovar essas mudanças na Consitutição, o senhor abriria mão voluntariamente de buscar um novo mandato?”, questiona Lo Prete.

Flávio afirmou que sim. “Eu só preciso de um mandato. Eu só quero um mandato para começar a consertar o nosso país de verdade”, respondeu, atacando a gestão Lula na sequência.

Na sua proposta, a proibição da reeleição se estenderia até parentes de terceiro grau do presidente da República. “Isso é para mostrar que eu tenho desapego ao poder. Não tem projeto de poder da minha parte”, argumenta.

Reforma do Judiciário e Moraes

O plano de governo de Flávio Bolsonaro registrado no Tribunal Superior Eleitoral cita seis propostas de reforma do Judiciário, o que tem sido posto como prioridade em sua campanha. Estão entre elas: retirar do Supremo o julgamento de processos criminais contra parlamentares, reduzir o número de decisões individuais dos ministros, e restringir a possibilidade de familiares deles advogarem causas que correm no Tribunal. Flávio é questionado se há mais algo que não consta no plano e que o candidato gostaria de fazer, se eleito.

“Do jeito que tá hoje, de fato… Nós temos que proteger a instituição Supremo Tribunal Federal. Não dá para um juiz, como é o Alexandre de Moraes, continuar dando canetada, interferindo em um monte de coisa, perseguindo adversários políticos… os amigos do Lula no STF se protegendo para que investigações não avancem sobre eles… Isso não dá mais, eles acabaram com a credibilidade do Poder Judiciário e essa reforma no Judiciário também tem que caminhar para o resgate dessa credibilidade, porque a magistratura toda não é Alexandre de Moraes”, respondeu Flávio.

Com Moraes sendo citado, Lo Prete falou sobre a defesa de Flávio por um impeachment de Moraes por conta das relações do ministro com Daniel Vorcaro, do Banco Master. “Mas e o ministro Kassio Nunes Marques?”, questionou a jornalista. No caso, Nunes Marques foi indicado por Jair Bolsonaro e ele também é citado em mensagens apreendidas no celular de Vorcaro como uma figura próxima. “Todo mundo tem que estar abaixo da lei”, respondeu Flávio. 

Flávio Bolsonaro critica Moraes e evita questionar Nunes Marques em sabatina na Globo

Dinheiro de Vorcaro

Flávio Bolsonaro pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro, banqueiro preso por fraudes bilionárias no escândalo do Banco Master. Desse dinheiro, mais de R$ 60 milhões foram repassados para financiar o filme Dark Horse, que conta a história de Jair Bolsonaro.

“Esse dinheiro, ao invés de ir direto para a produtora do filme sobre o seu pai, foi parar em um fundo nos Estados Unidos gerido por um amigo do seu irmão, Eduardo. Esse fundo estava inativo havia quatro anos, e até hoje esse fundo não deu informações sobre onde que foi parar esse dinheiro. É um ponto importante a esclarecer: se não há nada a esconder, por que não trabalhar para que essas informações não cheguem ao conhecimento do eleitor?”, questionou Lo Prete, em busca da resposta que a bancada da Globo não obteve na entrevista do primeiro turno.

Flávio respondeu que a produtora no Brasil prestou contas de tudo. “Estou falando de um pedido de um patrocínio privado para um filme privado sem absolutamente nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República para fazer um filme sobre o Jair Bolsonaro”, afirmou. 

“A perícia da própria produtora diz que o filme custou R$ 75 milhões. E o senhor pediu R$ 134 milhões ao Vorcaro. O senhor pode explicar pra gente pra que e por que a diferença?”, continuou a jornalista. “Era um contrato, que não foi cumprido. E com os recursos que foram aportados por ele e mais outros investidores nós conseguimos concluir o filme. Simples assim”, respondeu.

Na sequência, Flávio comparou a situação com o dinheiro recebido pela Globo, para o programa do Luciano Huck, para fazer uma propaganda do banco do Vorcaro. “E o que tem de errado nisso? Nada. Um diretor da Globo acabou de ser exonerado porque ele promovia eventos bancados pelo Vorcaro… O que tem alguma coisa de errado? Eu acho que não. Mas ele feriu o código de ética da empresa e sofreu as consequências”, falou o candidato.

Renata apontou que compra de espaço comercial, de patrocínios, não é igual a financiamento de filme, e ressaltou que todo patrocínio em torno do Grupo Globo está dentro das leis, segue as normas da publicidade e é registrado com transparência. Ela ainda deu uma bronca em Flávio por citar situações em ataque a Lula que não foram confirmadas e não são respaldadas pelas investigações da Polícia Federal.

Flávio Bolsonaro durante entrevista na Rede Globo

Flávio Bolsonaro durante entrevista na Rede GloboFoto: Reprodução/Globo

‘Não vou esperar * minha família’

“Eu não vou esperar foder a minha família toda porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira”, disse Jair Bolsonaro durante reunião ministerial em 2020, quando era presidente da República. Lo Prete resgata a situação para questionar Flávio se ele se sente confortável para cobrar uma atitude republicana com relação a indicações da Polícia Federal “considerando que o seu pai avisava todo mundo que iria agir, e agiu, para proteger o filho”.

Flávio disse que seu pai fez trocas por conta de resultados. “Hoje em dia é óbvio que a Polícia Federal está aparelhada, tem um grupo especial do Lula dentro da Polícia Federal”, falou, sem apresentar provas.

Se eleito e se Jair Bolsonaro tiver sua condenação por tentativa de golpe de Estado anulada, Lo Prete perguntou para Flávio se Jair terá algum cargo em seu governo. “Jair Bolsonaro nunca tratou de cargo comigo, nunca sugeriu que gostaria de trabalhar no governo. Eu tenho o privilégio de, na hora que eu quiser me consultar com um ex-presidente da República, eu tenho um dentro de casa, de confiança”, respondeu.

Flávio também disse que seu irmão, Eduardo Bolsonaro, não será seu chanceler caso ele seja eleito. Ele aproveitou o momento para defender o irmão, que chamou de “perseguido político” e alguém que “se sacrificou para defender a democracia’.

Sobre o 8 de Janeiro, ele falou que a história irá mostrar “a farsa” que foi armada para “tirar Bolsonaro da vida pública”. “Mas para o desespero de quem tentou fazer isso achando que ia acabar com o bolsonarismo, tá aqui o Flávio Bolsonaro que, em nome de Jesus, vai ser o próximo Presidente da República”. Questionado sobre como os invasores da sede dos Três Poderes devem ser tratados, Flávio respondeu que “dentro da lei” e ironizou ter ocorrido uma tentativa de golpe feito por “idosas com bíblia”.

Armas e segurança pública

Flávio Bolsonaro foi questionado sobre o seu apoio a um projeto que busca eliminar a exigência de marcações das munições, que altera o Estatuto do Desarmamento, e como isso contribuiria para combater o crime organizado. O candidato fugiu da pergunta e falou sobre outras problemáticas envolvendo segurança pública. Depois, diminuiu a questão: “Isso é muito maior do que qualquer detalhezinho desse”. Em complemento, disse que irá investir em tecnologia e inteligência artificial para permitir melhor precisão na identificação em torno dos armamentos.

Sobre o porte de armas, Flávio Bolsonaro julga como “uma tese maluca” que “mais armas nas mãos de cidadãos causa mais violência”. “Se você não quer ter uma arma, tudo bem, é um direito seu. Agora quem quer dentro dos direitos legais, pode ter para defender sua família, sua casa, sua propriedade rural, sua fazenda de invasão do MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra]. Isso é o que está na Constituição, o direito a legítima defesa. Ninguém está defendendo ‘bang bang”. Para ele, o Estatuto do Desarmamento “proíbe o cidadão de se defender”.

*com informações do UOL.

Por Jornal da República em 17/10/2026
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