O céu não é o limite: como Elon Musk pode se tornar o primeiro trilionário da história

O céu não é o limite: como Elon Musk pode se tornar o primeiro trilionário da história

Não é à toa que o empresário Elon Musk se tornou o homem mais rico do mundo. À parte o estilo excêntrico e as controvérsias políticas, o sul-africano com cidadania americana tem notável apetite pelo risco e capacidade de surpreender com jogadas antes consideradas impensáveis ou impossíveis. Musk acaba de fazer um desses movimentos ao anunciar, no início do mês, a tripla fusão entre a SpaceX, empresa de foguetes espaciais reutilizáveis, a rede de satélites Starlink e a xAI, startup de inteligência artificial (IA), que também tem sob seu guarda-­chuva a rede social X, antigo Twitter. Juntas, SpaceX e xAI valem 1,25 trilhão de dólares. A operação veio acompanhada do anúncio de uma possível abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) até o fim deste semestre. A expectativa é levantar 50 bilhões de dólares. Com isso, Musk, dono de um império que inclui empresa de veículos elétricos e construção civil, pode se tornar a primeira pessoa a ultrapassar 1 trilhão de dólares em fortuna pessoal. Atualmente, seu patrimônio é avaliado em 850 bilhões de dólares.

A fusão tem como objetivo ofertar ações em bolsa antes e em melhores condições do que as concorrentes da xAI, a OpenAI e a Anthropic. A SpaceX, com faturamento anual de 15 bilhões de dólares, é mais sólida financeiramente do que a xAI, que ainda queima muito caixa para se tornar competitiva. Juntas, têm potencial de atrair investidores com apetite para se arriscar em novas tecnologias.

PIONEIRISMO - Linha de montagem da Tesla: aposta precoce em eletrificação (Patrick Pleul/Getty Images)

O plano de Musk é colocar em órbita os equipamentos que vão processar os dados para rodar os sistemas de IA. A aposta nasce da constatação de que o mundo não terá energia suficiente para sustentar o crescimento acelerado da IA. Nos Estados Unidos, projetos de data centers (centros de dados, em inglês) avaliados em dezenas de bilhões de dólares já foram adiados por falta de capacidade de conseguir energia elétrica. Até 2030, esses prédios dotados de milhares de computadores podem consumir 8% de toda a eletricidade do país. O consumo energético do Google, por exemplo, aumentou aproximadamente 50% de 2019 a 2023, impulsionado quase exclusivamente pelo treinamento de modelos de IA. A Microsoft chegou a reativar um reator nuclear para alimentar seus data centers. É esse gargalo que ajuda a explicar a lógica da fusão entre SpaceX e xAI. Os data centers orbitais utilizarão painéis solares para gerar a própria energia.

 

 

Musk não é o único a olhar para o céu em busca de soluções para os gargalos de infraestrutura em IA. O fundador da OpenAI, Sam Altman, também avalia investir em empresas espaciais, movido pelo intuito de garantir acesso estável à energia e processamento para a próxima fase da tecnologia. “Se o plano de Musk se concretizar, o produto principal da SpaceX deixará de ser lançamento de foguete e passará a ser capacidade de computação e serviços de IA em escala planetária”, diz Fernando Barra, autor de Inteligência Artificial Ampliada (Unno_Buzz Editora).

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arte empresas Musk

Musk trata a união entre suas empresas em termos épicos, ao descrevê-­la como “o motor de inovação mais ambicioso da Terra (e fora dela)”. Para o jornalista americano Dennis Kneale, autor de Elon Musk: Gênio ou Louco? (Citadel Editora), há autenticidade nessas afirmações. “Ele sempre teve uma visão estratégica grandiosa, muito além do que a maioria dos CEOs consegue compreender ou ousa tentar”, disse Kneale a VEJA.

Essa ambição, porém, não surgiu de repente nem é fruto de improviso. Ela foi sendo construída ao longo de pouco mais de duas décadas, período em que Musk ergueu sua fortuna. Durante sua adolescência na África do Sul, ele já demonstrava obsessão por tecnologia, programação e ficção científica. No fim dos anos 1990, mudou-se para os Estados Unidos, onde iniciou sua trajetória empresarial. Os primeiros grandes sucessos vieram com empresas de software e pagamentos digitais, culminando em 2002 na venda da PayPal, que lhe rendeu o capital necessário para voos mais altos. Foi com esse dinheiro — menos de 200 milhões de dólares — que Musk passou a investir em setores considerados improváveis à época, como carros elétricos, foguetes, redes globais de satélites e, mais recentemente, inteligência artificial. Seu segredo é apostar em ciclos longos. Anteviu a eletrificação veicular com a Tesla. Dominou o acesso ao espaço com a SpaceX. Agora quer abrir a nova fronteira da inteligência artificial.

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Por Jornal da República em 15/02/2026
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