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Maioria nas urnas contrasta com minoria nos cargos eletivos; país registra recorde de feminicídios enquanto projeto que obriga delegacias da mulher avança no Congresso
A força que vem das urnas
As mulheres brasileiras conquistaram o direito ao voto há 94 anos, em 1932, e desde então transformaram sua participação eleitoral em um dos pilares da democracia no país. Os dados mais recentes do Tribunal Superior Eleitoral, divulgados em 20 de julho de 2026, confirmam um fenômeno que se consolida a cada eleição: as mulheres são maioria absoluta do eleitorado brasileiro. São 83.877.126 eleitoras aptas a votar nas eleições gerais de outubro, o equivalente a 52,84% do total de 158,7 milhões de votantes.
O crescimento do eleitorado feminino foi de 1,83% em relação a 2022, o que representa 1,5 milhão de novas eleitoras. No mesmo período, o eleitorado masculino cresceu 1,08%, passando de 74 milhões para 74,8 milhões. A diferença entre os gêneros nas urnas já ultrapassa 9 milhões de votantes. (Fonte: TSE/G1, 20/07/2026)
O poder que não se reflete nas cadeiras
Se nas urnas as mulheres são protagonistas, nos gabinetes a realidade é outra. Apesar de representarem 51,5% da população brasileira, a presença feminina no Congresso Nacional está muito aquém desse percentual. No Senado, as mulheres ocupam menos de 20% das cadeiras. Na Câmara dos Deputados, a proporção é igualmente desproporcional. O novo Código Eleitoral, em tramitação no Congresso, tenta endereçar essa distorção com mecanismos de incentivo à participação feminina, mas o avanço é lento. (Fonte: Senado Notícias, 24/02/2026)
A subrepresentação feminina na política não é um fenômeno novo, mas ganha contornos mais graves diante do crescimento do eleitorado feminino. Pré-candidatos de todas as matizes políticas intensificaram discursos voltados às eleitoras neste mês de julho, em entrevistas, eventos e redes sociais. A corte eleitoral, no entanto, segue sendo feita nas urnas, não nas promessas de campanha.
O avanço das delegacias da mulher
Em meio a esse cenário, uma boa notícia chega do Congresso Nacional. O Projeto de Lei 485/2026, de autoria do deputado federal Átila Lins (PSD-AM), que obriga a instalação de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) em todos os municípios brasileiros, avançou na Câmara dos Deputados. A proposta foi aprovada na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e segue para análise das demais comissões, com expectativa de chegar ao plenário após o recesso parlamentar.
A medida é urgente. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, em 2025, o Brasil registrou entre 1.470 e 1.568 feminicídios, o maior número desde a tipificação do crime em 2015. Foram quatro mulheres assassinadas por dia, um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. No primeiro trimestre de 2026, já foram registradas 399 vítimas de feminicídio, alta de 7,5% em relação ao mesmo período de 2025. (Fontes: FBSP 2026; G1 20/01/2026; TRT4 21/07/2026)
Atualmente, a maioria dos municípios brasileiros não conta com delegacias especializadas. No Rio Grande do Sul, por exemplo, apenas 23 dos 497 municípios têm DEAMs, o que representa menos de 5% do total. O PL de Átila Lins busca exatamente preencher esse vazio institucional que deixa milhares de mulheres sem atendimento adequado.
O jogo político nos bastidores
Enquanto a pauta feminina avança no Legislativo, o tabuleiro político das eleições de 2026 segue em movimento. O candidato a vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) só será conhecido após a convenção do partido, marcada para 25 de julho. O coordenador da pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), confirmou que o grupo político ainda negocia apoios de outras siglas, como o Republicanos.
Nos bastidores, no entanto, a articulação enfrenta dificuldades. Partidos como PP e União Brasil, além da Federação União Progressista, relutam em declarar apoio formal à candidatura. O chamado "sonho de consumo" do grupo bolsonarista depende de alianças que ainda não se concretizaram.
Moro e a corrida ao governo do Paraná
No Paraná, o ex-juiz e atual senador Sergio Moro (PL-PR) ensaia um novo movimento político. Pré-candidato ao governo do estado, Moro aparece em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, com 39,9%. Na sequência, aparecem Requião Filho (PDT), com 21,1%, e Rafael Greca (MDB), com 14,5%. O desempenho anima o entorno do ex-juiz da Lava Jato, que vê na candidatura ao Palácio Iguaçu um passo natural na trajetória política. (Fonte: Paraná Pesquisas/Band Paraná, julho/2026)
O green card de Eduardo Bolsonaro
Um ano e meio após migrar para os Estados Unidos alegando perseguição política, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) recebeu o green card, documento que concede residência permanente no país norte-americano. A confirmação veio em 20 de julho de 2026. O visto de permanência por prazo indeterminado permite ao ex-parlamentar trabalhar, estudar e residir legalmente nos EUA.
A concessão ocorre em meio a uma nova escalada de tensão entre Brasil e Estados Unidos, após a aplicação de tarifas comerciais pelo governo americano aos produtos brasileiros. O green card foi concedido pelo governo de Donald Trump, em um movimento que analistas políticos interpretam como parte das relações entre o bolsonarismo e a direita americana. (Fonte: G1, 21/07/2026)
O paradoxo da maioria que ainda luta por direitos
Os números são claros: as mulheres são o maior bloco eleitoral do país. Têm o poder de definir eleições, de eleger ou derrubar governos, de pautar agendas. Mas esse poder não se traduz em proteção, representação ou respeito proporcionais. A principal bandeira política feminina na atualidade ainda é a luta para que as mulheres não entrem na estatística da violência doméstica, de gênero e do feminicídio.
O Brasil chega às eleições de 2026 com 83,8 milhões de mulheres aptas a votar. A pergunta que fica é se os candidatos estarão à altura desse eleitorado — não apenas na retórica de campanha, mas em políticas públicas efetivas que garantam segurança, representatividade e dignidade.
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Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), G1, Senado Notícias, Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Câmara dos Deputados, Paraná Pesquisas, Band Paraná.
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