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Segundo reportagem de Ruben Berta, Astróloga, escritora, terapeuta integrativa e taróloga. É assim que Isabelle Marie Jaron Ferreira dos Santos, de 56 anos, se define, em sua página no Instagram.
Moradora de Teresópolis, na Região Serrana do Rio, ela tem, desde 1º de janeiro deste ano, um outro trabalho bem distante de sua realidade: assistente da presidência da RioLuz (Companhia Municipal de Iluminação da Prefeitura do Rio), com salário de R$ 2,3 mil.
Isabelle também é esposa de Marcos Jaron, ex-candidato a vereador que, no fim do ano passado, anunciou a sua filiação ao PRD (Partido Renovação Democrática).

Postagem no Instagram em que Isabelle Jaron detalha seu trabalho (Reprodução / Instagram)
O caso é mais um exemplo de como a RioLuz, empresa pública que deveria ter na área técnica seu principal foco, virou, nos últimos tempos, um verdadeiro cabide de emprego para apadrinhados de políticos da legenda.
Levantamento da coluna mostra que a companhia vem abrigando funcionários comissionados principalmente ligados ao presidente nacional do PRD, o ex-deputado Marcus Vinícius Neskau.
A assessoria de imprensa da RioLuz afirmou, em nota, que a maior parte dos nomes levantados pela reportagem já não pertence mais nos quadros da empresa. Até hoje, contudo, apenas uma exoneração havia sido publicada em Diário Oficial.
Neskau disse, também por meio de sua assessoria de imprensa, que “não integra a administração da RioLuz, que tem competência exclusiva sobre os processos de nomeação da empresa”.
A RioLuz era presidida por Rafael Thompson, secretário geral do partido, que deixou a empresa pública no mês passado, após o jornal O Globo ter revelado que a cobertura em que o ex-governador Cláudio Castro (PL) mora pertence ao seu irmão, Mauro Farias.
Atualmente, a companhia é comandada por Rodolpho Garcia Maldonado, também do PRD.
Funcionários da Região Serrana
Apesar de ser uma empresa de iluminação da capital fluminense, a RioLuz vinha dando espaço a comissionados que moram nas cidades de Teresópolis e Petrópolis, na Região Serrana do Rio, que estão entre as principais bases eleitorais de Marcus Vinícius Neskau.
Além de Isabelle Jaron, outro morador de Teresópolis nos quadros da companhia era Wallace Benzabat. Nomeado em 1º de novembro de 2025 como coordenador de processo da Gerência Norte, com salário de R$ 5,1 mil, ele é dirigente do PRD em sua cidade, e um dos principais aliados do presidente do diretório municipal, o ex-candidato a vereador Demerval Casemiro.
Sua exoneração foi publicada na última segunda-feira em Diário Oficial.
De Petrópolis, maior reduto de Neskau, vem Cley Alves Neri, nomeada em 24 de junho de 2025 como assistente da Gerência de Engenharia Mecânica da Diretoria Tecnológica e de Projetos, com salário de R$ 5 mil.
Ela já teve cargo na Alerj, entre 2022 e 2023, na liderança do extinto PTB, quando o ex-deputado ocupava essa cadeira. Seu marido, Marcelo Zainotte, também já teve passagem pelo gabinete de Neskau.
Apesar de ocupar uma função extremamente técnica na RioLuz, em sua página no Instagram, ela diz ser especialista em “maquiagem e penteados”.

Cley Alves Neri divulga o trabalho de maquiagem e penteados no Instagram (Reprodução / Instagram)
Ainda de Petrópolis, a coluna localizou outras duas pessoas ligadas a Neskau com cargos na RioLuz:
- Jeferson Lima Cirilo, nomeado em 11 de junho de 2025 como assessor da Diretoria Tecnológica e de Projetos, com salário de R$ 6 mil. É conhecido como Jefinho do Neskau, teve cargo no gabinete do ex-deputado
- Marcelo da Silveira Campos, nomeado em 24 de junho de 2025 como assistente da Coordenadoria Geral de Regulação dos Serviços da Parceria Público Privada, com salário de R$ 4,9 mil. Já foi do gabinete de Neskau na Alerj em 2020.
Apesar de a RioLuz ter afirmado ontem à coluna que Cley, Jeferson e Marcelo já não faziam mais parte dos quadros da empresa, suas exonerações ainda sairam em Diário Oficial até a publicação desta reportagem.
Filho de acusado de ser fantasma
Outro que está nomeado na presidência da RioLuz é Bruno Costa Rampini: Em fevereiro, foi nomeado assistente. Em 17 de junho, passou a ser assessor. Seu último salário foi de R$ 4 mil.
Ele é um conhecido de longa data de Neskau. Seu pai, já falecido, é Manoel Rampini, que foi alvo de duas reportagens da TV Globo sobre funcionários fantasmas, em 2022.
Na primeira, a apuração revelou que ele estava lotado na Fundação Leão 13, à época sob influência de Neskau, mas não ia à repartição.
Depois, foi mostrado que ele migrou para um departamento da Alerj, mas foi flagrado fazendo ginástica em horário de expediente.
O próprio Bruno também teve passagem pela Alerj. Segundo a RioLuz, segue nos quadros da empresa, atuando como consultor jurídico, com trabalho nas dependências da companhia.
Alex Gomes Guimarães, nomeado em maio de 2025 como assistente da presidência,
com salário de R$ 4,9 mil, trabalhou com Manoel Rampini em 2018, quando ele foi presidente do Ipem-RJ, no governo estadual.
Segundo a RioLuz, Alex não está mais nos quadros da empresa. Sua exoneração, porém, ainda não havia saído até o momento da publicação desta reportagem.
Outros nomes ligados a Neskau que ocuparam cargos na empresa pública são:
- Matheus Costa Chuvas Ferreira, nomeado em 18 de março de 2026 como assistente da Assessoria de Projetos e Metas, com salário de R$ 2,3 mil. Já foi do gabinete de Neskau, e é filho de Marcia Valéria Costa Chuvas e Silva, também ligada ao deputado.
- Keila Valéria Mendes da Silva, a pastora Keila Mendes, nomeada em 6 de maio de 2025 como assistente da presidência, com salário de R$ 2,8 mil. É ligada a Luiz Cláudio Zico, aliado de Neskau.
- Márcio Sarmento Justino Moreira, o Márcio Vidraceiro, nomeado em 1º de outubro de 2025 como assistente da Coordenadoria Geral de Regulação dos Serviços da Parceria Público Privada, com salário de R$ 2,3 mil. Foi candidato a vereador em Nova Iguaçu.
A RioLuz diz que Keila e Márcio não estão mais na empresa, apesar de as exonerações não terem saído até a publicação da reportagem.
Matheus, segundo a companhia, trabalha na assessoria de comunicação.
Quem é Marcus Vinícius Neskau
Marcus Vinícius de Vasconcelos Ferreira, o Marcus Vinícius Neskau, construiu sua trajetória política filiado historicamente ao extinto PTB. Posteriormente, migrou para o PRD, partido do qual é presidente nacional. Foi deputado estadual por quatro mandatos.
Em 2018, Neskau foi preso em decorrência da Operação Furna da Onça, um desdobramento da Operação Lava Jato no Rio, que investigou um esquema de pagamento de propinas e loteamento de cargos públicos na Alerj em troca de apoio político ao governo estadual. Ele foi solto no ano seguinte.
Já em 2020, um delator apontou que Neskau teria recebido propina no esquema de corrupção em contratos da Fundação Leão 13, alvo da Operação Catarata do Ministério Público.
As investigações, porém, não chegaram a avançar. O ex-deputado sempre negou participação no esquema.
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