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A política fluminense vive um momento de tensão interna. O vice-presidente do Partido dos Trabalhadores e prefeito eleito de Maricá, Washington Quaquá, manifestou apoio público a Márcio Canella (União Brasil), prefeito eleito de Belford Roxo e aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração, feita em vídeo publicado nas redes sociais, promete aproximar o bolsonarista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir investimentos na Baixada Fluminense.
"Estou com o Canella, que é meu amigo há muito tempo, e vou levá-lo ao presidente Lula, para que o Lula possa fazer investimentos maiores na Baixada, com meu amigo Canella. O PT tem que estar com esse irmão aqui, e ele com a gente", afirmou Quaquá no vídeo, sinalizando uma abertura do partido para diálogos com figuras ligadas ao bolsonarismo.
A aproximação que gera desconforto
A aliança entre Quaquá e Canella representa uma mudança significativa na dinâmica política da Baixada Fluminense. Márcio Canella, que conquistou a prefeitura de Belford Roxo com apoio de Flávio Bolsonaro e do Partido Liberal, agora recebe o respaldo de uma das principais lideranças do PT no estado. A gestão de Canella em Belford Roxo alcançou 91% de avaliação positiva, segundo pesquisa do União Brasil, consolidando sua imagem como gestor competente.
Contudo, a aproximação pode gerar desconforto para Waguinho Carneiro (Republicanos), atual prefeito de Belford Roxo e um dos principais aliados de Lula na região. Waguinho esteve ao lado de Lula nas eleições de 2022, sendo um dos poucos apoiadores do petista na Baixada Fluminense. Como recompensa pela lealdade, Lula nomeou a esposa dele, Daniela Carneiro, para o Ministério do Turismo. Contudo, Daniela deixou o cargo após Waguinho se desfiliar do União Brasil, partido que controla a pasta.
O racha no PT sobre o Senado
Enquanto Quaquá se aproxima de Canella, o PT enfrenta uma disputa interna sobre a composição da chapa ao Senado. O partido oficializou apoio a Eduardo Paes (PSD) para o governo do estado, mas a questão sobre quem será o segundo senador divide a legenda. Benedita da Silva, deputada federal com 84 anos e histórico de luta pelos direitos humanos, é a candidata oficial do PT ao Senado. Contudo, Quaquá não está alinhado com essa escolha.
Em evento realizado neste sábado (4 de julho) na quadra da Acadêmicos do Grande Rio, em Caxias, na Baixada Fluminense, Eduardo Paes tentou costurar a unidade entre PT e PSD. O ex-prefeito do Rio pediu o segundo voto da esquerda para Pedro Paulo (PSD), sinalizando que o Rio elegeria dois candidatos progressistas ao Senado em outubro.
Paes tenta "amolecer o coração" de Quaquá
Paes fez um aceno direto a Quaquá durante o lançamento da pré-campanha do ex-ministro Celso Pansera (PT) a deputado federal. "Transito em todas as correntes do partido. Me considero um dos maiores especialistas em DR no PT. Quero declarar meu maior respeito ao meu irmão Quaquá. O Rio vai eleger Benedita ao Senado. Pedro Paulo será o segundo voto. Precisamos barrar a direita, a bandidagem e esse eixo. A prioridade é defender a democracia e trabalhar pelo tetra do presidente Lula. Eu já sou tetra. Lula será tetra", afirmou Paes.
O ex-prefeito ainda garantiu que vai "atuar para amolecer o coração do Quaquá", reconhecendo a importância de conquistar o apoio do vice-presidente do PT para a composição da chapa senatorial. A fala de Paes reflete a complexidade das negociações políticas no Rio, onde diferentes correntes do PT disputam espaço e influência.
Pedro Paulo busca apoio da esquerda
Pedro Paulo (PSD), pré-candidato ao Senado, também participou do evento e reafirmou seu compromisso com a aliança entre PSD e PT. "Tenho profundo respeito pela deputada Benedita da Silva. Tenho profundo respeito pelo PT. E tenho um sonho: quero ser o segundo voto da esquerda. Benedita e Pedro Paulo no Senado Federal", afirmou o pré-candidato, ressaltando a necessidade de conquistar o apoio do eleitorado de esquerda.
A presença de Adilson Pires, ex-vice-prefeito do Rio e pré-candidato a deputado estadual, no evento também sinalizou o alinhamento de diferentes setores da esquerda em torno da candidatura de Paes ao governo do estado.
O contexto das eleições de 2026
As eleições de 2026 no Rio de Janeiro prometem ser complexas e repletas de negociações. A aliança entre PT e PSD em torno de Eduardo Paes representa uma tentativa de unificar a esquerda e o centro-esquerda contra o avanço da direita bolsonarista. Contudo, as divergências internas sobre a composição da chapa senatorial revelam tensões que podem comprometer a coesão da aliança.
A aproximação de Quaquá com Márcio Canella, embora justificada por argumentos de desenvolvimento regional, sinaliza que o vice-presidente do PT está disposto a dialogar com figuras ligadas ao bolsonarismo. Essa postura pode ser interpretada como uma abertura para negociações pragmáticas, mas também como um sinal de enfraquecimento da unidade da esquerda.
Perspectivas para a campanha
A campanha de 2026 no Rio de Janeiro será marcada por essas tensões internas. Eduardo Paes busca consolidar uma aliança ampla que inclua PT, PSD e outras forças democráticas, mas enfrenta dificuldades em manter a coesão entre diferentes correntes políticas. A questão do Senado permanece como um ponto de tensão, com Quaquá sinalizando apoio a Pedro Paulo (PSD) em vez de Benedita da Silva (PT).
A estratégia de Paes de "amolecer o coração" de Quaquá reflete a importância do vice-presidente do PT para a viabilidade da aliança. Sem o apoio de Quaquá, a chapa senatorial pode sofrer desgastes significativos, afetando a campanha de Paes ao governo do estado.
Quem é Washington Quaquá
Washington Quaquá é uma figura proeminente no cenário político brasileiro, tendo se destacado como deputado federal eleito pelo PT-RJ com uma votação expressiva de 113 mil votos. Originário da Favela do Caramujo, em Niterói, Rio de Janeiro, Quaquá tem suas raízes fincadas nas lutas sociais desde cedo. Em 2008, foi eleito prefeito de Maricá, sendo reeleito em 2012. Sua gestão ficou marcada por dois pilares fundamentais: a Tarifa Zero e a Moeda Social, políticas que o consolidaram como uma liderança importante da esquerda fluminense. Atualmente, como vice-presidente nacional do PT e prefeito eleito de Maricá, Quaquá é uma das principais vozes do partido no estado do Rio de Janeiro. Sua aproximação com Márcio Canella sinaliza uma abertura para diálogos pragmáticos com figuras ligadas ao bolsonarismo, em busca de investimentos para a região da Baixada Fluminense.
Quem é Márcio Canella
Márcio Correia de Oliveira, mais conhecido como Márcio Canella, nasceu em Duque de Caxias em 25 de junho de 1977. É um político brasileiro filiado ao União Brasil (UNIÃO), partido que o elegeu prefeito de Belford Roxo. Sua trajetória política inclui passagens como vereador, vice-prefeito e deputado estadual pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Canella é conhecido por sua gestão pragmática e sua capacidade de articulação política. Como prefeito de Belford Roxo, conquistou apoio de Flávio Bolsonaro e do Partido Liberal, consolidando-se como uma figura importante da direita fluminense. Sua gestão alcançou 91% de avaliação positiva, segundo pesquisa do União Brasil, demonstrando sua capacidade de gestão pública. Atualmente, é pré-candidato ao Senado Federal e presidente do União Brasil no Rio de Janeiro.
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