PF nega armas para Guarda Municipal do Rio: Força municipal carioca pode ter que enfrentar criminosos armados apenas com spray e cassetete

Prefeito enfrenta impasse político e jurídico que pode inviabilizar projeto de segurança pública no Rio de Janeiro

PF nega armas para Guarda Municipal do Rio: Força municipal carioca pode ter que enfrentar criminosos armados apenas com spray e cassetete

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, encontra-se em uma situação delicada após a Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro negar seu pedido de reconsideração para autorizar o porte de armas da Guarda Municipal. A decisão coloca em xeque um dos principais projetos de sua gestão e expõe as complexidades políticas que envolvem a implementação de políticas de segurança pública no município.

Com a negativa da Superintendência da PF, resta a Paes apenas o recurso à Coordenação-Geral de Controle de Armas de Fogo (CGARM) do Departamento de Polícia Federal, representando sua última instância administrativa para viabilizar o armamento dos guardas municipais. Essa situação crítica força o prefeito a buscar alternativas políticas e jurídicas para não ver seu projeto naufragar.

Negociações políticas com contrapartidas eleitorais

Fontes próximas ao governo municipal indicam que Paes teria buscado apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para interceder junto à cúpula da Polícia Federal. No entanto, essa negociação não seria gratuita, com o presidente condicionando eventual apoio a contrapartidas políticas significativas, especialmente relacionadas ao posicionamento do prefeito em eleições indiretas futuras.

A situação se complica com movimentos internos no cenário político carioca que demonstram resistência ao alinhamento com o governo federal. Pedro Duarte, que recentemente se filiou ao PSD, já declarou publicamente sua oposição a Lula, sinalizando uma possível fragmentação dentro do próprio partido de Paes.

O vereador Flávio Valle reforçou essa tendência ao afirmar em entrevista que o PSD do Rio ainda não definiu apoio ao presidente Lula, evidenciando divisões internas que podem comprometer qualquer acordo político entre Paes e o Palácio do Planalto.

Pressões eleitorais e alianças em tensão

A candidata ao Senado pelo PT, Benedita da Silva, aguarda o apoio de Eduardo Paes, mas os sinais indicam que o prefeito mantém sua posição cautelosa em relação ao alinhamento com o governo federal. Essa resistência pode estar relacionada tanto a cálculos eleitorais quanto à pressão de aliados locais que se posicionam contrariamente ao governo Lula.

A complexidade da situação política coloca Paes em uma encruzilhada: ceder às pressões federais para viabilizar seu projeto de segurança ou manter autonomia política arriscando o fracasso de uma de suas principais bandeiras eleitorais. Essa tensão reflete as dificuldades estruturais do federalismo brasileiro, onde competências se sobrepõem e geram conflitos institucionais.

Estratégia de implementação controversa

Mesmo diante do indeferimento formal do porte de armas, Paes mantém a determinação de iniciar o patrulhamento da Guarda Municipal Armada em março de 2026. Essa decisão levanta questões jurídicas significativas sobre a legalidade de uma força municipal armada sem autorização federal adequada.

O processo administrativo SEI 08455008751202502, que documenta o indeferimento do porte de armas, representa um obstáculo legal concreto que pode gerar responsabilização administrativa e criminal caso o prefeito proceda com a implementação sem as devidas autorizações. Essa situação expõe Paes a riscos jurídicos consideráveis.

Fortalecimento da equipe técnica como resposta

Para enfrentar essa "sinuca de bico", como descrevem fontes próximas à administração municipal, Paes tem investido no fortalecimento de sua equipe técnica. A economista Joana Monteiro, diretora e cofundadora do Laboratório para Redução da Violência (Leme), continua sendo a principal consultora do prefeito na elaboração de estratégias alternativas.

Monteiro, que também coordena o Centro de Ciência Aplicada à Segurança da Fundação Getúlio Vargas, participou ativamente do grupo de trabalho que concebeu a Guarda Municipal Armada em 2024. Sua expertise acadêmica pode ser crucial para encontrar soluções jurídicas e operacionais que contornem os obstáculos impostos pela negativa federal.

Alternativas jurídicas e operacionais

A consultoria de Joana Monteiro pode orientar Paes na busca por alternativas que não dependam exclusivamente do porte de armas federal. Isso inclui o desenvolvimento de protocolos de segurança que maximizem a efetividade da Guarda Municipal dentro das limitações legais existentes.

A experiência do Leme em políticas baseadas em evidências pode contribuir para demonstrar às autoridades federais a viabilidade técnica e a necessidade social do projeto, fortalecendo eventuais recursos administrativos ou ações judiciais.

Impactos na governabilidade municipal

O impasse em torno da Guarda Municipal Armada pode afetar significativamente a capacidade de governança de Eduardo Paes, especialmente em uma área sensível como segurança pública. O fracasso em implementar uma de suas principais promessas eleitorais pode gerar desgaste político e questionar sua efetividade administrativa.

A situação também expõe as limitações estruturais dos municípios brasileiros em implementar políticas de segurança pública, tradicionalmente uma competência estadual e federal. Essa tensão federativa pode servir como precedente para outros municípios que enfrentam desafios similares.

A parceria com Joana Monteiro representa uma tentativa de Paes de manter a credibilidade técnica de seu projeto mesmo diante dos obstáculos políticos e jurídicos. A expertise acadêmica pode ser fundamental para encontrar caminhos alternativos que preservem os objetivos originais da iniciativa.

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Por Jornal da República em 09/02/2026
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