Por que 'Zootopia 2' virou um fenômeno de bilheteria e qual o papel da China nisso

O argumento é que a China tem a maior população do mundo, cerca de 1,40 bilhão de habitantes, quatro vezes mais que os Estados Unidos. Embora isso não se converta necessariamente em bilheteria.

Por que 'Zootopia 2' virou um fenômeno de bilheteria e qual o papel da China nisso

(FOLHAPRESS) - Os bichos de "Zootopia 2" abocanharam o posto de animação americana de maior bilheteria de todos os tempos. Já tendo cruzado a marca de US$ 1,7 bilhão, a sequência surpreendeu ao ultrapassar "Divertida Mente 2", da Pixar, que há dois anos emocionou o público e arrecadou US$ 1,69 bilhão. Assim, o novo "Zootopia" se tornou a nona maior bilheteria da história.

Mas fora dos Estados Unidos outra animação rugiu mais alto. Trata-se da chinesa "Nhe Zha 2", lançada no ano passado, que fez US$ 2,25 bilhões. O ponto é que 97,8% disso foi feito na própria China, o que faz com que parte da imprensa internacional não inclua o filme entre as dez maiores bilheterias do mundo.

O argumento é que a China tem a maior população do mundo, cerca de 1,40 bilhão de habitantes, quatro vezes mais que os Estados Unidos. Embora isso não se converta necessariamente em bilheteria, o tamanho do cinema chinês, faria, segundo essa avaliação, com que o sucesso local tenha um impacto desproporcional.

O irônico é que foi justamente a China que impulsionou "Zootopia 2". A animação da Disney quebrou no país asiático uma série de recordes -como o de maior filme importado, tendo feito US$ 610 milhões, mais que o até então recordista, "Vingadores: Ultimato". Já é US$ 150 milhões a mais que o arrecadado por "Moana 2", por exemplo, outra sequência recente de um sucesso contemporâneo da Disney.

Para além da bilheteria, "Zootopia" virou fenômeno cultural na China. O parque da Disney de Xangai tem a única área dedicada a esses filmes em todo o mundo, com brinquedos, atores vestidos como os personagens e restaurantes temáticos.

A trama também foi pensada para ressoar simbolicamente na China. O novo protagonista, a cobra Gary De'Snake, busca justiça para os répteis, marginalizados na metrópole animal. O personagem virou uma obsessão no país. E não à toa -o longa estreou no fim do Ano da Serpente no zodíaco chinês, momento em que o animal ocupou o imaginário cultural dessa sociedade.

O filme faz outras referências à cultura do país. É o caso da cena em que Gary e sua família abraçam a coelha Judy Hopps, momento que foi relacionado à ideia de cobras enroladas em coelhos, símbolo cultural do norte da China para representar boa sorte.

Além da China, "Zootopia 2" foi bem também no Japão e na Coreia do Sul. A Ásia, como um todo, vem chamando a atenção da Disney desde que a empresa notou uma explosão de popularidade do alienígena de "Lilo e Stitch" por lá.

Isso foi há cerca de seis anos. O estúdio identificou no continente uma febre por criaturas animalescas de características antropomórficas, geralmente fofas e peludas, fenômeno hoje conhecido como "cultura furry". É o caso dos protagonistas de "Zootopia", a coelha Judy e a raposa Nick Wilde.

"Começamos a alimentar essa onda", disse à Folha a executiva brasileira Mara Ronchi, líder de produtos de consumo no braço nacional da Disney, em entrevista no ano passado. "Investimos no varejo, fomos atrás de parceiros, trouxemos o Stitch para feiras de cultura pop, e montamos atrações em shoppings".

"Zootopia" deve seguir no topo da cadeia alimentar da Disney e ganhar mais uma sequência, ainda não anunciada. Uma cena após os créditos do segundo filme sugere a aparição de aves na história.

Por Jornal da República em 27/01/2026
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