Povos de terreiro ocupam a Câmara de Niterói em ato liderado por Benny Briolly contra o racismo religioso

Povos de terreiro ocupam a Câmara de Niterói em ato liderado por Benny Briolly contra o racismo religioso

A vereadora Benny Briolly (PT) reuniu lideranças religiosas, sacerdotes, sacerdotisas, pesquisadores e representantes dos povos de terreiro na Câmara Municipal de Niterói, na noite desta quarta-feira (30), para discutir um tema que permanece como desafio para o Brasil: a efetiva implementação da Lei 10.639/03 e o enfrentamento ao racismo religioso. A iniciativa marcou a realização do I Encontro de Saberes e Vivências Ancestrais, que teve a casa legislativa completamente lotada, com o plenário e as galerias ocupados pelo público.

Promovido em parceria com a União Espiritualista de Umbanda do Estado do Rio de Janeiro, o evento reforçou a necessidade de ampliar políticas públicas de proteção às religiões de matriz africana e de garantir que a história e a cultura afro-brasileira sejam efetivamente ensinadas nas escolas, como determina a legislação há mais de duas décadas. “Defender os povos de terreiro é defender a democracia, a liberdade religiosa e o direito de existir sem violência. A Lei 10.639 foi uma conquista histórica, mas sua implementação ainda enfrenta resistência. Precisamos combater o racismo religioso também por meio da educação e do reconhecimento da contribuição das religiões de matriz africana para a formação do Brasil”, afirmou Benny Briolly.

A programação teve início com a tradicional lavagem das escadarias da Câmara Municipal, seguida por apresentações culturais. Também foi realizada a entrega do Prêmio À?é Agbà (Força dos Mais Velhos), homenagem destinada a sacerdotes, sacerdotisas, ogãs, ekedis e cambones com mais de 20 anos de dedicação às religiões de matriz africana.

Para Benny, reconhecer essas lideranças é também reconhecer a resistência de comunidades que historicamente convivem com episódios de discriminação e violência motivados pela fé. “O conhecimento ancestral dos povos de terreiro precisa ser valorizado como patrimônio cultural e instrumento de transformação social. Homenagear quem mantém essa tradição viva é reafirmar nosso compromisso com uma sociedade que respeite a diversidade religiosa”, destacou.

O encontro também promoveu reflexões sobre os desafios enfrentados pelas comunidades tradicionais de terreiro, a necessidade de fortalecer políticas públicas de combate ao racismo religioso e o papel da educação na construção de uma sociedade mais plural e democrática.

Por Jornal da República em 31/07/2026
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