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Por: Leo Pinheiro
Projeto ressurge às vésperas do Dia da Bandeira e ganha tom de homenagem após a morte de Jards Macalé, e um toque de excentricidade legislativa
Às vésperas do Dia da Bandeira, celebrado neste 19 de novembro, o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) decidiu reacender um debate que parecia destinado à curiosidade histórica: incluir a palavra “Amor” no lema “Ordem e Progresso” do pavilhão nacional. O retorno do projeto, originalmente apresentado em 2003, chega como quem sopra poeira de um livro esquecido na estante, com a crença de que uma sílaba a mais poderia revigorar o simbolismo da nação.
A proposta volta à pauta cercada de emoção. Há duas décadas, o texto recebeu apoio de Eduardo Suplicy e do cantor e compositor Jards Macalé, ícone da MPB que morreu na última segunda-feira, 17. A lembrança de Macalé, cuja obra desafiava classificações e rótulos, confere ao debate um ar de homenagem. Ainda assim, reapresentar o projeto justamente agora soa como uma tentativa de dar nova vida a uma iniciativa que nunca encontrou muito eco nem mesmo entre admiradores do positivismo.
“Essência” do lema
Chico Alencar argumenta que a inserção da palavra “Amor” seria uma forma de “resgatar a essência completa da frase positivista original”. O texto do Projeto de Lei afirma que a redução atual do lema fez o país perder sua dimensão filosófica mais profunda, aquela que supostamente equilibraria afeto, organização e desenvolvimento. A justificativa segue em tom quase catequético: “o amor procura a ordem e leva ao progresso; a ordem consolida o amor e dirige o progresso; o progresso desenvolve a ordem e conduz ao amor”.
A defesa apaixonada do deputado, porém, contrasta com a reação discreta — para não dizer silenciosa — do Parlamento, que tende a priorizar temas menos abstratos e mais conectados à rotina concreta dos brasileiros. Entre quem acompanha o dia a dia legislativo, há quem veja o projeto como uma peça de excentricidade simpática, algo entre homenagem tardia, gesto simbólico e diversão filosófica. E, enquanto o país enfrenta desafios palpáveis, a proposta reacende uma velha discussão: até onde vão os limites do simbolismo oficial antes de descambar para o folclore político?
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