Quem tem medo de Garotinho?

Por Siro Darlan, advogado, jornalista, Vice-Presidente da Academia Brasileira de Letras do Cárcere

Quem tem medo de Garotinho?

Impressionante como interesses poderosos e misteriosos estão procurando interferir nessas eleições de 2026 no Estado do Rio de Janeiro. Depois de anos sendo sucedido por equívocos eleitorais que levou nosso estado à essa situação caótica.

Vivemos um período de correção dos rumos com a interinidade do Governador Desembargador e Presidente do Tribunal de Justiça Ricardo Couto, que por não ter “compromissos eleitoreiros”, nem ligações partidárias deu em pouco tempo uma saneada nas inúmeras irregularidades que encontrou.

Contudo, na hora da virada das chaves, que compete exclusivamente num ambiente democrático ao povo do Rio de Janeiro, essa disputa, que deveria ser pautada no livre debate das ideias e propostas, está sofrendo uma interferência que só o Caso Procunsult serve como precedente. O leitor deve estar lembrado que foi uma tentativa de fraude nas eleições de 1982 para impossibilitar a vitória de Leonel Brizola, candidato do Partido Democrático Trabalhista, ao governo do Rio de Janeiro, de modo a favorecer Moreira Franco, candidato apoiado pelo regime militar e pelas organizações Globo.

Tal como em 1982, várias tem sido as tentativas de impedir a candidatura de Garotinho que com sua profissão de jornalista investigativo tem apontado as mazelas e comprometimentos políticos de seus adversários com o estado de coisa que atinge há varias administrações o desenvolvimento e a segurança publica da população fluminense.

Garotinho é acusado de inelegibilidade por fatos ocorridos há mais de trinta anos e amplamente discutido nos tribunais e instâncias recursais. As fontes que alimentam essa insegurança jurídica eleitoral parecem ter as mesmas origens dos responsáveis pelo Caso Proconsult, mas já era hora de as autoridades judiciárias eleitorais terem se manifestado para dizer o que é o direito nesse imbróglio de interpretações.

Não existe penalidade que se perpetue por tantos anos em cenário eleitoral e os eleitores necessitam de segurança jurídica para exercerem suas escolhas livremente.

Na verdade, já houve até um debate entre os candidatos que compareceram e presença de Garotinho foi um ato de reconhecimento de sua elegibilidade, tendo inclusive apresentado suas propostas como candidato. No entanto tais interferências extra eleitorais, além de produzir insegurança jurídica na população promove um terrorismo que tal como o caso Proconsult retira do pleito o necessário simbolismo democrático que é a livre manifestação de vontade do eleitor na escolha de seus candidatos. 

Enfim o dia 16 se aproxima e logo veremos pela manifestação das autoridades judiciárias eleitorais quais serão os candidatos que terão suas candidaturas homologadas para esse tão esperado pleito.

Por Jornal da República em 12/08/2026
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