Secretário José Vicente apresenta modelo de segurança no I Simpósio de Vassouras

Integração entre Guarda Municipal, Polícia Militar e Polícia Civil eleva eficácia de segurança

A virada na segurança: quando a metodologia muda, os números falam.

O município de Rezende, com 140 mil habitantes, vive momento de transformação estrutural em sua segurança pública. Nos últimos dois anos, sob gestão do prefeito Tani Vieira, a cidade conseguiu reduzir a criminalidade em média de 45% — resultado que coloca Rezende em primeiro lugar entre os 92 municípios do Rio de Janeiro em qualidade de vida, posição mantida por dois anos consecutivos.

Secretário José Vicente, responsável pela Secretaria de Segurança Pública do município, explicou em entrevista no I Simpósio de Segurança Pública de Vassouras como essa transformação foi possível.

A resposta não está em recursos ilimitados ou tecnologia sofisticada — está em mudança metodológica profunda que reposicionou a Guarda Municipal como força de segurança real, não apenas como guardiã de patrimônio.

"A importância, primeiramente, é a criação da Secretaria de Segurança, que dá uma base, né, para todo o sistema de segurança do município", explicou José Vicente, marcando ponto de partida: institucionalização. Antes, segurança era fragmentada. Agora, é sistema integrado com comando único.

O poder de polícia: quando guardas municipais viram agentes de segurança.

A mudança mais significativa veio com a decisão do Ministro Fux em 2025, que ampliou competências das guardas municipais. Historicamente, guardas municipais eram responsáveis apenas por proteção de patrimônio e serviços públicos — função administrativa, não policial.

"Hoje nós temos, fazemos parte da segurança pública, coisa que antes era voltada meramente a cuidar do patrimônio e dos serviços municipais", afirmou José Vicente, descrevendo transformação que vai além de nomenclatura. É mudança de paradigma.

Com poder de polícia, Guarda Municipal de Rezende passou a realizar revista pessoal, revista de veículos e atuação preventiva em espaços públicos. Não é apenas vigilância — é policiamento ativo.

"Quando a gente vem com essa polícia da guarda municipal, nós começamos a atuar nesse segmento e conseguimos baixar a criminalidade", explicou o secretário, conectando mudança legal a resultado concreto.

O início é duro: custos sociais da transição.

José Vicente foi honesto sobre a realidade que frequentemente fica invisibilizada em estatísticas de sucesso: transição para modelo mais repressivo tem custo social.

"Como todo início, é muito duro, não só duro para quem trabalha como nós, mas duro também para talvez quem acaba sendo punido, né, da parte da forma repressiva por conta de polícia", reconheceu o secretário, articulando tensão fundamental entre segurança e liberdade.

Essa honestidade é rara em discursos de autoridades. Frequentemente, redução de criminalidade é apresentada como vitória pura, sem reconhecimento de que maior presença policial afeta também pessoas que não cometem crimes. Comunidades periféricas, historicamente, sofrem maior intensidade de abordagens policiais.

Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em 2023 indicou que 68% das abordagens policiais no Rio de Janeiro ocorrem em bairros com renda média inferior a três salários mínimos. Redução de criminalidade frequentemente vem acompanhada de aumento de abordagens em populações vulneráveis.

José Vicente não negou essa realidade — apenas a nomeou como parte do processo. Isso sugere consciência sobre complexidade que vai além de números.

Rezende em contexto: qualidade de vida além de segurança.

O reconhecimento de Rezende como município com melhor qualidade de vida do Rio de Janeiro por dois anos consecutivos não é coincidência. Qualidade de vida é conceito multidimensional que inclui segurança, mas também educação, saúde, infraestrutura e oportunidades econômicas.

Rezende, localizada no Vale do Paraíba, possui economia diversificada com presença de indústrias, comércio e turismo. Proximidade com Agulhas Negras (pico mais alto do Rio de Janeiro) e Angra dos Reis (importante polo turístico) posiciona município como centro regional.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rezende possui Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,749 — classificado como alto. Para contexto, O IDH médio dos municípios fluminenses é 0,711. Rezende está acima da média estadual.

Porém, O IDH não captura tudo. Segurança pública é dimensão que afeta percepção de qualidade de vida de forma desproporcional. Pessoa pode ter acesso a educação e saúde, mas, se se sentir insegura, sua qualidade de vida é comprometida.

Redução de 45% em criminalidade, portanto, não é apenas número — é transformação em como população experimenta cidade. É possibilidade de sair à noite. É crianças brincando em praças. É comércio funcionando com menos medo.

Integração entre forças: quando Guarda Municipal, Polícia Militar e Polícia Civil trabalham juntas.

José Vicente deixou claro que o sucesso de Rezende não é mérito exclusivo da Guarda Municipal. É resultado de integração entre três forças: Guarda Municipal (competência municipal), Polícia Militar (competência estadual) e Polícia Civil (competência estadual).

"Mas exatamente isso tem que deixar bem claro, eh, com pleno apoio do prefeito Tani Vieira para que tudo aconteça", afirmou o secretário, reconhecendo que integração exige liderança política que priorize segurança como agenda comum.

Frequentemente, forças de segurança trabalham de forma fragmentada. Guarda Municipal atua em um setor, Polícia Militar em outro, Polícia Civil investigando crimes. Falta coordenação. Falta compartilhamento de informações. Falta objetivo comum.

Em Rezende, o modelo parece ser diferente. Não porque forças foram obrigadas a trabalhar juntas, mas porque liderança política criou ambiente onde integração é possível.

Pesquisa do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro em 2024 indicou que municípios com integração efetiva entre forças de segurança apresentam redução média de 38% em crimes violentos. Rezende, com 45%, está acima dessa média — sugerindo que a integração em Rezende é particularmente eficaz.

O papel do prefeito: liderança política como fundação.

José Vicente mencionou o prefeito Tani Vieira múltiplas vezes — não como formalidade, mas como reconhecimento de que transformação de segurança pública exige liderança política comprometida.

"Com pleno apoio do prefeito Tani Vieira para que tudo aconteça", repetiu o secretário, enfatizando que secretário de segurança não consegue transformar cidade sozinho. Precisa de prefeito que priorize segurança, que aloque recursos, que proteja secretário de pressões políticas.

Prefeitos frequentemente evitam investir em segurança pública porque é área de alto risco político. Qualquer morte causada por policial gera controvérsia. Qualquer abuso gera crítica. É mais fácil investir em educação ou saúde — áreas em que o sucesso é mais previsível.

Tani Vieira, aparentemente, decidiu enfrentar esse risco. Resultado é cidade mais segura.

Simpósio de Segurança Pública: quando debate transcende retórica.

O I Simpósio de Segurança Pública de Vassouras, realizado nos dias 11 e 12 de junho no Centro de Convenções General Sombra, reuniu autoridades, especialistas e sociedade civil para debater segurança pública em contexto regional.

Presença de José Vicente como palestrante não era apenas reconhecimento de sucesso de Rezende — era oportunidade de compartilhar metodologia com outros municípios que enfrentam desafios similares.

Programação incluiu palestras sobre políticas públicas eficientes, integração entre forças de segurança, atuação policial, prevenção de violência e segurança digital. Entrada foi gratuita, democratizando acesso a conhecimento sobre segurança pública.

Segundo organizadores, evento reuniu aproximadamente 800 participantes nos dois dias — indicativo de interesse genuíno da população, autoridades e especialistas em debater segurança pública de forma estruturada.

Desafios que permanecem: quando números não contam tudo.

Redução de 45% em criminalidade é conquista real. Porém, desafios permanecem. Rezende ainda enfrenta problemas estruturais que afetam a segurança: desemprego, educação deficiente em algumas regiões, acesso limitado à saúde mental.

Segurança pública não é apenas questão de policiamento. É questão de oportunidades econômicas, educação de qualidade, acesso à saúde, redução de desigualdade. Policiamento pode reduzir criminalidade de curto prazo, mas, sem atacar causas estruturais, a redução é frágil.

José Vicente não mencionou essas questões estruturais em sua entrevista — o foco foi em metodologia de segurança. Isso é limitação compreensível de espaço de entrevista. Porém, é importante reconhecer que o sucesso de Rezende em segurança pública é parcial se não for acompanhado de investimento em educação, saúde e oportunidades econômicas.

Sobre José Vicente

José Vicente é Secretário de Segurança Pública do município de Rezende, Rio de Janeiro. Responsável pela implementação de nova metodologia de segurança que transformou Guarda Municipal em força policial ativa, José Vicente liderou processo que resultou em redução de 45% em criminalidade em dois anos.

Sua atuação é marcada por reconhecimento de complexidade de segurança pública — não apenas como questão de repressão, mas como desafio que envolve integração entre forças, liderança política comprometida e compreensão de custos sociais de maior presença policial.

José Vicente representa geração de gestores públicos que compreende que segurança pública é ferramenta de transformação social quando bem implementada, mas que exige honestidade sobre tensões e desafios que acompanham qualquer mudança estrutural.

Por Ralph Lichotti e Robson Talber @robsontalber 

Repórter Oscar Muller @oscarmulleroficial

Sigam e compartilhem o nosso Instagram: @jornalultimahoraonline

 

Por Jornal da República em 11/06/2026
Aguarde..