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A ligação, anunciada como cordial, ocorre quando o estrago já estava feito: nas ruas colombianas, milhares responderam não ao telefonema, mas à ameaça.
Da Doutrina Monroe ao século XXI nervoso
Desde o século XIX, Washington se acostumou a tratar a América Latina como quintal estratégico, da Doutrina Monroe às intervenções da Guerra Fria. Trump atualiza essa tradição com o vocabulário do reality show político: provoca, ameaça, testa limites. Petro, primeiro presidente de esquerda da Colômbia, escolheu responder evocando soberania e mobilização popular — uma resposta mais próxima dos ventos bolivarianos do que da diplomacia silenciosa.
É o velho choque entre império e periferia, agora transmitido em tempo real.
“Quando um presidente estrangeiro ameaça e depois liga pedindo diálogo, não é conciliação — é contenção de danos.”
A escalada verbal que incendiou Bogotá
A crise começou quando Trump acusou Petro de tolerar o narcotráfico e descreveu a Colômbia como governada por “um homem doente”. Questionado sobre uma ação militar, respondeu com despreocupação: “soa bem para mim”. A fala atravessou fronteiras como um estopim.
Petro reagiu chamando o líder americano de “senil” e afirmou que acusações de narcoterrorismo são usadas historicamente pelos EUA contra governos que resistem à exploração de recursos naturais. Em seguida, apoiou manifestações populares contra o que classificou como ameaça ilegítima.
Ruas falam mais alto que chancelerias
Inspirados pelo discurso presidencial, protestos tomaram cidades colombianas. Bandeiras, cartazes e palavras de ordem deixaram claro que a retórica trumpista não era vista como bravata distante, mas como risco concreto à soberania nacional.
Esse elemento popular muda o tabuleiro: não se trata apenas de uma crise entre governos, mas de um conflito simbólico entre projeto imperial e autodeterminação latino-americana.
O telefonema e o recuo calculado
Na ligação, Trump afirmou que discutiram divergências e a “situação das drogas” e disse esperar encontrar Petro em breve, possivelmente na Casa Branca. O gesto sinaliza tentativa de esfriar ânimos, não uma revisão de princípios.
Para a América Latina, a mensagem é clara: o diálogo existe, mas nasce da pressão — diplomática e popular.
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