Witzel desiste da corrida ao Palácio Guanabara e declara apoio a Garotinho

Witzel desiste da corrida ao Palácio Guanabara e declara apoio a Garotinho

O anúncio

Em uma reviravolta que reconfigura a disputa pelo Governo do Rio de Janeiro, o ex-governador Wilson Witzel anunciou, neste sábado (1º), a retirada de sua pré-candidatura ao Palácio Guanabara e declarou apoio a Anthony Garotinho nas eleições de 2026. A decisão, confirmada à Folha de S.Paulo, põe fim a uma articulação que vinha desde fevereiro, quando o ex-juiz federal sinalizou a intenção de voltar à vida pública, e que ganhou força em junho, com a oficialização da pré-candidatura pelo Democrata, após o cumprimento do período de inelegibilidade decorrente do impeachment.

Os motivos da aliança

Segundo Witzel, o movimento tem um objetivo claro: evitar a fragmentação das candidaturas de direita e ampliar as chances do grupo de chegar ao segundo turno. O ex-governador argumentou que o Republicanos possui estrutura partidária mais consolidada para a campanha, enquanto o Democrata passa por um processo de reorganização e não dispõe de acesso ao fundo partidário — um obstáculo decisivo em uma disputa estadual de alta capilaridade como a fluminense.

A leitura estratégica é compartilhada nos bastidores: com a direita dividida entre múltiplos nomes, o risco de esvaziamento nas urnas cresce — e a união em torno de Garotinho seria a aposta para concentrar votos e forçar uma segunda rodada. O prazo para a realização das convenções partidárias termina em 5 de agosto, o que torna o anúncio deste sábado um movimento dentro da janela eleitoral.

A reunião e as propostas

Apesar do apoio, Witzel descartou integrar a chapa como candidato a vice-governador. Em reunião realizada na sexta-feira (31), o ex-juiz federal apresentou a Garotinho propostas para as áreas de economia, segurança pública e políticas sociais. A aliança deve ser oficializada na convenção do Democrata, marcada para este sábado (1º), e o partido poderá indicar o candidato a vice-governador caso as negociações avancem — o que manteria o Democrata com protagonismo dentro do arranjo.

Trajetórias marcadas pela Justiça

Ao justificar a aproximação, Witzel afirmou que ambos compartilham trajetórias marcadas por processos judiciais. Ele citou que as ações que resultaram nas prisões preventivas de Garotinho foram posteriormente anuladas pela Justiça — referência à decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal que, em março, anulou a condenação do ex-governador pela Justiça Eleitoral no âmbito da Operação Chequinho, por considerar ilegais as provas obtidas. Já Witzel, que sofreu impeachment em 2021 após ser afastado do cargo em 2020, ainda responde a ações penais no Superior Tribunal de Justiça.

O panorama jurídico dos dois ex-governadores está na tabela abaixo:

O recado a Douglas Ruas e ao grupo de Castro

O ex-governador também descartou apoiar o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas (PL), por considerar que ele integra um grupo político ligado ao governo de Cláudio Castro, que assumiu o comando do estado após o impeachment de Witzel. O gesto é lido como uma demarcação clara: a aliança Witzel-Garotinho nasce também como contraponto ao grupo que hoje ocupa o Palácio Guanabara, e não apenas como um arranjo eleitoral de conveniência.

O cenário da disputa

Com a decisão de Witzel, a eleição fluminense de 4 de outubro ganha contornos mais definidos. Além de Garotinho (Republicanos), estão confirmados na disputa Eduardo Paes (PSD), André Marinho (Novo), Douglas Ruas (PL), Coronel Busnello (Missão) e Cyro Garcia (PSTU). A chapa de Garotinho terá como vice o ex-coronel do Bope Venâncio Moura (DC) — o mesmo partido de Witzel — e conta ainda com Marcelo Crivella e Waguinho como candidatos ao Senado. A composição reforça a leitura de que o Republicanos busca montar um palanque amplo, capaz de agregar diferentes segmentos da direita e do centro fluminense.

Bio positiva de Wilson Witzel

Wilson José Witzel nasceu em Jundiaí (SP), em 1968, e construiu uma trajetória de serviço público que atravessou três carreiras: foi fuzileiro naval, defensor público no Rio de Janeiro e juiz federal por 17 anos, entre 2001 e 2018, atuando em varas criminais nos estados do Rio e do Espírito Santo. Mestre e doutor em Direito, deixou a magistratura para disputar o governo em 2018 e surpreendeu o país ao vencer no primeiro turno com 59,87% dos votos válidos. Ao longo da vida pública, defendeu pautas de endurecimento no combate ao crime e de valorização da segurança pública, e hoje afirma ter pago um alto preço político, negando as acusações que levaram ao seu afastamento e reafirmando o compromisso de contribuir com propostas para a economia e as políticas sociais do estado.

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Fontes consultadas: Folha de S.Paulo, G1, O Globo, CNN Brasil, UOL, STJ, STF, Alerj, BBC Brasil, Congresso em Foco, Veja.

Por Jornal da República em 01/08/2026
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