A noite que muitos pais não veem: O que está acontecendo com parte da juventude de Nova Iguaçu?

A noite que muitos pais não veem: O que está acontecendo com parte da juventude de Nova Iguaçu?

Enquanto muitos pais acreditam que seus filhos estão apenas “saindo para se divertir”, uma realidade preocupante tem chamado a atenção de moradores, comerciantes e autoridades em alguns pontos da vida noturna de Nova Iguaçu.

Relatos recorrentes, reportagens e ocorrências policiais mostram episódios envolvendo brigas, consumo de bebidas alcoólicas por menores de idade, uso de drogas em vias públicas, violência e situações de risco que terminam, muitas vezes, em hospitais, delegacias e, em casos extremos, em tragédias.

É importante deixar claro: essa não é a realidade de toda a juventude de Nova Iguaçu. A imensa maioria dos jovens estuda, trabalha, sonha e constrói seu futuro com dignidade. Mas existe uma parcela que está sendo atraída por comportamentos autodestrutivos, e ignorar esse problema é permitir que ele cresça.

A pergunta que precisa ecoar dentro de cada família é:

Foi para isso que você criou seu filho?

Nenhum pai sonha em ver seu filho envolvido em brigas de madrugada, desacordado por excesso de álcool, experimentando drogas, sendo filmado em situações humilhantes ou tornando-se mais um número nas estatísticas da violência.

Então, de onde vem essa necessidade de desafiar os próprios limites?

De onde nasce essa falsa sensação de que viver perigosamente é sinônimo de liberdade?

Especialistas costumam apontar uma combinação de fatores: necessidade de aceitação social, influência das redes sociais, pressão dos grupos, busca por pertencimento, ausência de diálogo familiar e banalização da violência. Não existe uma única resposta, mas existe uma certeza: o silêncio dos adultos nunca será a solução.

Infelizmente, Nova Iguaçu já registrou casos de brigas violentas após eventos, denúncias de consumo de drogas e álcool por menores em áreas públicas e episódios que terminaram em morte. Esses fatos reforçam que o problema é real e merece atenção da sociedade.

A responsabilidade não é apenas das famílias. Ela também envolve o poder público, órgãos de fiscalização, proprietários de estabelecimentos, organizadores de eventos e toda a sociedade. A venda de bebida alcoólica para menores é proibida por lei e deve ser combatida com rigor.

Mas existe uma pergunta que ninguém pode responder no lugar dos pais:

Você sabe realmente onde seu filho está quando diz que saiu apenas para encontrar os amigos?

Você conhece as pessoas com quem ele anda?

Você sabe o que ele publica e o que ele consome nas redes sociais?

Você sabe a que horas ele volta para casa?

Você ainda conversa com seu filho… ou apenas divide a mesma casa com ele?

Educar nunca foi apenas colocar comida na mesa.

Educar também é acompanhar, ouvir, orientar, impor limites e dizer “não” quando for necessário.

Talvez muitos pais estejam descobrindo tarde demais que presença vale mais do que permissividade.

Não podemos normalizar cenas de adolescentes embriagados caídos nas calçadas, brigas tratadas como entretenimento ou o consumo de drogas em locais públicos como se tudo isso fosse apenas “coisa da idade”.

Não é.

Cada jovem perdido representa um sonho interrompido.

Cada família destruída começou, muitas vezes, acreditando que “isso nunca aconteceria conosco”.

Que esta matéria não seja motivo para apontar dedos, mas para despertar consciências.

Ainda há tempo de mudar histórias.

Ainda há tempo de conversar.

Ainda há tempo de abraçar.

Ainda há tempo de proteger.

Porque o futuro dos nossos filhos começa pelas escolhas que fazemos hoje.

E a pergunta final fica para cada pai e cada mãe:

Você sabe onde seu filho está neste exato momento?

Por Jornal da República em 14/07/2026

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