ALERJ CELEBRA TRAJETÓRIA DO JORNAL ICAPRA NA VALORIZAÇÃO DAS TRADIÇÕES DE MATRIZ AFRICANA

ALERJ CELEBRA TRAJETÓRIA DO JORNAL ICAPRA NA VALORIZAÇÃO DAS TRADIÇÕES DE MATRIZ AFRICANA

Duas décadas de atuação na valorização da cultura, da religiosidade e das tradições de matriz africana foram celebradas na noite desta terça-feira (09) em uma sessão solene realizada na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O evento homenageou os 20 anos do Jornal Icapra, publicação considerada uma das pioneiras e mais importantes do segmento no país.

A cerimônia foi proposta e presidida pelo deputado estadual Carlos Minc (PSB), que destacou a importância da informação e da cultura no combate ao racismo e à intolerância religiosa. Durante a solenidade, foram homenageadas personalidades, artistas e instituições que contribuem para a preservação e difusão das tradições afro-brasileiras.

Criado em 2006, o Jornal Icapra surgiu a partir da percepção da ausência de um veículo especializado nas pautas do povo de terreiro e das religiões de matriz africana. A publicação é um dos projetos desenvolvidos pelo Instituto Cultural de Apoio e Pesquisa às Tradições Afro (Icapra), fundado em 1998, em São João de Meriti.

Coordenador da instituição, Marcelo Fritz explicou que o objetivo sempre foi oferecer um espaço de informação voltado às necessidades e à realidade das comunidades tradicionais.

“Criamos o jornal por sentir a ausência de um veículo específico que tratasse das pautas do povo de terreiro, do povo de axé. Falamos de cultura, moda, arte, política, leis, eventos e atividades que esse povo precisa. Nosso papel é mostrar quem nós somos ao Brasil e à sociedade, porque muitas vezes somos atacados pela falta de informação e pelo desconhecimento sobre quem verdadeiramente somos”, afirmou.

Segundo Fritz, o jornal se consolidou como referência nacional e inspirou o surgimento de outras publicações voltadas às culturas populares e às religiões de matriz africana.

Defesa da liberdade religiosa

Durante a solenidade, Minc ressaltou que a defesa da liberdade religiosa exige ações em diversas frentes, incluindo legislação, políticas públicas e iniciativas culturais.

“Quando valorizamos a cultura e ampliamos o conhecimento, criamos um ambiente em que as pessoas conhecem mais e estigmatizam menos, respeitam mais e discriminam menos. Enquanto houver alguém sendo discriminado por sua sexualidade, sua raça ou sua religiosidade, nenhum de nós será verdadeiramente livre”, afirmou.

A mesa da cerimônia foi composta por Mãe Selma de Omolu, Mejitó Helena de Dan, Mãe Kita de Iansã e Mam'Etu Seci Caxi.

Uma das homenageadas da solenidade, a líder espiritual do Xwesinfa (Casa das Águas do Destino), Mejitó Helena de Dan, destacou a contribuição do Jornal Icapra para a preservação da memória, da cultura e da religiosidade afro-brasileira.

“Este jornal mostra ao mundo que existimos, que estamos aqui e que seguimos firmes. Mostra a força da nossa religião, a força dos nossos ancestrais e de tudo aquilo que nos sustenta e fortalece para continuar lutando pela preservação da nossa fé e das nossas tradições”, declarou.

Considerada uma das principais sacerdotisas do Candomblé Jêje em atividade no país, Helena também agradeceu a trajetória construída por Marcelo Fritz ao longo das últimas duas décadas.

“Hoje somos todos nós que devemos agradecer. Agradecer por essa trajetória, por essa dedicação e por essa força em mostrar quem somos de verdade”, concluiu.

Por Jornal da República em 10/06/2026
Aguarde..