ANSIBBrasil apresenta a Indústria para a Favela na Professional Fair RJ e transforma jovens de 14 a 17 anos em profissionais prontos para o mercado

Fundada em 2021, a associação que já preparou 48 jovens e montou fábrica dentro da Paraisópolis chega ao ExpoRio com o projeto registrado em cartório e a expectativa de patrocínio do Sebrae em resposta à crise que deixa 40% das vagas para manicures abertas no país

O Jornal da República, o Última Hora e a Revista Mais Bonita estão na Professional Fair RJ 2026, no ExpoRio, na Cidade Nova.

Entre os estandes, um trabalho com propósito chama a atenção: o da ANSIBBRASIL (Associação Nacional dos Sindicatos e Associações do Segmento da Indústria da Beleza e Similares do Brasil), apresentado por seu presidente, Paulo Bitar, que revelou ao público carioca o projeto Indústria para a Favela — uma iniciativa social que forma jovens das comunidades para suprir a maior crise de mão de obra que o setor já enfrentou.

"A gente está fazendo um trabalho desde 2021. Esse trabalho foi devagar e, de março para cá, como fazemos parte da governança do Sebrae, implantamos definitivamente a indústria para a favela", apresentou Paulo, ao resumir a história que já atravessa quatro anos de existência.

Os jovens que saíram da rua para o salão

O projeto responde a uma urgência concreta: "Os salões estão passando muita dificuldade de não ter profissional. Sumiu o profissional", diagnosticou o presidente. "Então, o que somos? Nós vamos para dentro da favela, pegamos os jovens de 14 a 17 anos e damos instruções, preparamos — já preparamos 48, que estão prontos e empregados. Nossa ideia é tirar esse povo da rua, dar uma profissão para eles", completou.

A iniciativa ataca na ponta certa. Segundo reportagem do portal Negócios de Beleza, da própria Beauty Fair, 40% das vagas para manicures estão abertas no Brasil — uma crise silenciosa de mão de obra qualificada, causada pela falta de formação técnica, pelo desinteresse dos jovens e pelo acesso limitado a cursos.

E o quadro é sistêmico: segundo o Sebrae Nacional, 44% dos empreendimentos do setor não conseguiram repor a mão de obra aos níveis pré-pandemia, com faturamento caindo 20% em 2024 e 2025, conforme o sindicato Beleza Patronal.

Paraisópolis: 40 mulheres e uma loja dentro da favela

A extensão social do projeto ganhou endereço emblemático. "Lá na Paraisópolis nós montamos a Indústria da Favela juntamente com uma loja e convidamos 40 mulheres da comunidade para trabalhar como sacoleiras, vendendo o produto com preço bem módico, só para ajudar também", contou Paulo, ao descrever a economia circular criada dentro da maior favela de São Paulo.

O modelo conversa com uma realidade medida por pesquisas: segundo estudo citado pelo portal Civi-Co, as 15 maiores comunidades periféricas do Brasil gastam anualmente R$ 436 milhões com produtos de beleza — número superior ao das lojas, shoppings e farmácias "do asfalto", com mais de 50% das vendas feitas por revendedoras das próprias comunidades.

Em Paraisópolis, projetos como o Polidades de maquiagem já comprovavam a vocação da favela para capacitação na beleza, formando futuros profissionais de dentro para fora.

Fábrica dentro do estande e projeto registrado em cartório

A ambição do projeto ganhou palco nacional. "Lá em São Paulo nós mostramos que temos condições de mostrar como se fabrica um produto. Montamos uma indústria dentro do estande — e isso foi muito importante", relatou Paulo, referindo a participação na feira paulista, onde a equipe demonstrou a produção ao vivo.

E a formalização veio para garantir o futuro: "O químico industrial nosso, o Érico, que é diretor, tem esse projeto. Estamos correndo atrás, fazendo muita coisa — até o projeto está aqui por escrito, registrado em cartório, porque o Sebrae vai entrar patrocinando isso", revelou o presidente, ao anunciar o próximo salto institucional da iniciativa.

O calendário que atravessa o Brasil

De 2021 até aqui, o alcance explodiu. "Com 4 anos de existência, chegar onde que nós chegamos! Foi a primeira vez na feira, você estava conosco — lá em São Paulo, na Hair Brasil. Hoje nós estamos no Brasil inteiro. Agora vamos para a feira de Santos e vamos terminar em Manaus", enumerou Paulo, ao mapear o circuito que a ANCIB percorre em 2026.

A parceria diretoras é quem carrega o trabalho no dia a dia. As diretoras Cláudia e Célia compartilharam a visão: "É uma honra trabalhar junto com o Paulo, porque a gente vê que está progredindo, que a gente está chegando onde é o objetivo", avaliou Cláudia.

"Ver o empenho, ver o carinho que o Paulo tem de levar todo esse projeto com seriedade, pensando nas pessoas que precisam, que não têm oportunidade — e a oportunidade está chegando até elas", complementou Célia.

O convite do presidente: "Vem, associa a nós"

Para fechar, o chamado ficou aberto. "Estamos recebendo associados de todos os tipos: tanto indústrias do setor de beleza como os próprios profissionais e sindicatos. Hoje estamos com 42 diretores e estamos no Brasil inteiro. Vem, associa a nós — temos muitas vantagens, parcerias incríveis, e a gente está levando bolsa de estudo para tudo", convidou Paulo.

E a entrevista reservou um momento de afeto: o presidente deixou um recado ao químico Érico Bitto, diretor do projeto, que atravessa um momento delicado de saúde. "Estamos aqui todo mundo junto para ajudar você. É um projeto dele juntamente com a ANSIB, e nós somos juntos.

É uma pessoa magnífica, de um coração do tamanho do mundo", desejou, ao transformar a homenagem em rede de apoio.

Um setor que precisa falar a mesma língua

A filosofia da ANSIB ficou sintetizada em uma frase que Paulo deixou como legado da entrevista: "Nós não viemos para brigar com ninguém. Viemos mostrar o que somos, trabalhar e buscar os profissionais. O setor de beleza tem que pôr na cabeça que ninguém é dono do setor de beleza — nós temos que falar a mesma língua e trabalhar todos juntos", concluiu.

A mensagem ecoa em um mercado que movimenta R$ 242,3 bilhões e cresce 11,2% ao ano, segundo dados do Sebrae e da Abihpec — mas que trava no gargalo de quem executa. Onde falta cabeleireiro, manicure ou esteticista qualificado, o negócio não consegue crescer.

E é nessa lacuna que a Indústria para a Favela se posiciona: não como concorrente, mas como ponte — da rua ao salão, da comunidade à profissão.

Serviço

  • Evento: Professional Fair RJ 2026 — By Beauty Fair, até 20/10, no ExpoRio, Cidade Nova, Rio de Janeiro
  • Associação: ANSIBBRASIL (Associação Nacional dos Sindicatos e Associações do Segmento da Indústria da Beleza e Similares do Brasil)
  • Projeto: Indústria para a Favela — capacitação de jovens de 14 a 17 anos das comunidades
  • Números: 48 jovens formados e empregados | 40 mulheres atendidas em Paraisópolis | 42 diretores no Brasil inteiro
  • Associação: Aberta a indústrias, profissionais e sindicatos, com parcerias e bolsas de estudo

Por Robson Talber @robsontalber 

Repórter Oscar Muller @oscarmulleroficial

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Por Jornal da República em 21/10/2026
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