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A Previdência Social brasileira não é um problema a ser combatido — é uma das maiores conquistas sociais do país. Há mais de 100 anos, cumpre seu papel com regularidade, garantindo renda, dignidade e estabilidade para milhões de brasileiros.
Hoje, o sistema movimenta cerca de R$ 1 trilhão por ano, entre arrecadação e pagamento de benefícios. São aproximadamente 40 milhões de aposentados e pensionistas que dependem diretamente dessa renda. Em milhares de municípios, especialmente os menores, é a Previdência que sustenta o comércio, mantém famílias e evita o colapso econômico local.
Diante dessa realidade, qualquer discurso que proponha retirar direitos, negar ganhos reais ou tratar aposentados como peso fiscal precisa ser confrontado com firmeza. Reduzir o valor real dos benefícios, na prática, é retirar renda de quem já contribuiu por décadas. E isso não pode ser tratado como política pública aceitável.
A valorização dos aposentados não é privilégio — é reconhecimento. São trabalhadores que ajudaram a construir o país, que contribuíram ao longo da vida e que têm direito a uma aposentadoria digna, com poder de compra preservado.
Ao mesmo tempo, os desafios do sistema são evidentes. Hoje, mais de 3 milhões de segurados aguardam a concessão de seus benefícios, represados em um sistema sobrecarregado. Soma-se a isso um contingente de mais de 20 milhões de trabalhadores na informalidade, que não contribuem regularmente, mas que futuramente dependerão da proteção previdenciária.
O problema, portanto, não está na Previdência em si, mas na falta de gestão, estrutura e planejamento.
As agências do INSS enfrentam sucateamento, filas e dificuldades de atendimento. Falta pessoal. É urgente a realização de concurso público para reposição imediata de cerca de 11 mil servidores, que se aposentaram ou faleceram nos últimos anos. Sem isso, o sistema continuará travado, prejudicando justamente quem mais precisa.
A Previdência é um pacto entre gerações. Quem está na ativa financia quem já contribuiu, com a expectativa de também ser amparado no futuro. Romper esse equilíbrio, enfraquecendo direitos ou desvalorizando benefícios, compromete não apenas o presente, mas o futuro de todo o sistema.
Reformas podem ser necessárias. Ajustes são parte de qualquer política pública. Mas é preciso estabelecer um limite claro: reformar não pode significar retirar direitos nem comprometer a dignidade de quem trabalhou uma vida inteira para ter uma velhice decente.
A Previdência não é gasto. É investimento social, é distribuição de renda e é sustentação econômica. Enfraquecê-la é ampliar desigualdades e fragilizar o país.
O Brasil precisa de um debate sério, responsável e baseado na realidade — não em simplificações que desconsideram o impacto social do sistema.
Porque, no fim das contas, tirar de quem já trabalhou e contribuiu não é solução. É injustiça. E injustiça não pode ser programa de governo.
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Paulo César Régis de Souza
Vice-Presidente Executivo da Anasps
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