Benedita lidera com folga, mas segunda vaga é um abismo: o nó da aliança de Paes no Rio. PSDB e Podemos negociam fusão de candidaturas

Ex-prefeito decide não podar pré-candidaturas dos partidos aliados, mas excesso de nomes pode fragmentar votos e abrir brecha para a oposição na segunda vaga

A decisão que pegou os aliados de surpresa

O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) reuniu a cúpula partidária nos últimos dias e foi direto ao ponto: não vai pedir a nenhum partido aliado que retire seus pré-candidatos ao Senado. O recado, dado em tom firme, pegou parte da base de surpresa — mas revela uma estratégia calculada. Em vez de enxugar a chapa para concentrar votos, Paes aposta na ampliação do palanque como moeda de troca para manter a aliança unida até outubro.

A decisão tem respaldo jurídico. Os advogados do PSD informaram que, embora estejam em disputa apenas duas vagas para o Senado Federal, a legislação eleitoral permite que a coligação registre até quatro candidatos. O argumento técnico abriu caminho para que cinco pré-candidatos já estejam oficialmente lançados pela aliança em torno do nome de Paes.

Os cinco nomes na disputa

A largada da pré-campanha já revelou um leque diverso de aspirantes. Pelo PT, a deputada federal Benedita da Silva, ex-governadora e ex-senadora, é o nome mais forte — e o único, até agora, com vaga considerada consolidada. O PDT lançou o ex-deputado Miro Teixeira, veterano da política fluminense. O PSD colocou na arena o próprio presidente estadual da legenda, o deputado federal Pedro Paulo. Já o PSDB apresentou a vereadora Helena Vieira, enquanto o Podemos oficializou o vereador Marcos Dias.

São cinco pré-candidaturas para, no máximo, quatro vagas na chapa. E, na prática, apenas duas cadeiras no Senado estarão em jogo em outubro. O nó da equação é evidente: como acomodar tantos nomes sem canibalizar votos?

O racha silencioso entre PSDB e Podemos

Dois partidos da coligação já identificaram o problema e iniciaram movimentos para evitar o desgaste. PSDB e Podemos discutem a unificação de suas candidaturas ao Senado. A informação foi confirmada por Marcos Dias (Podemos), que classificou a conversa como "ampla, pensando no Rio de Janeiro".

Na prática, Helena Vieira (PSDB) e Marcos Dias (Podemos) sentaram para negociar quem fica. A lógica é simples: se ambos disputam o mesmo eleitorado de centro, a manutenção de duas candidaturas paralelas enfraquece os dois — e beneficia candidatos de fora da coligação. A soma de esforços, por outro lado, poderia render à dupla mais tempo de TV, maior capilaridade nos municípios e, sobretudo, mais poder de barganha dentro da aliança de Paes.

Por enquanto, o martelo não foi batido. E o silêncio de Helena Vieira sobre as negociações sugere que o acordo ainda enfrenta resistências internas no PSDB.

Benedita da Silva: a única vaga trancada

Dentro da coligação, há um consenso tácito: a primeira vaga ao Senado é de Benedita da Silva, e ninguém tasca. O pragmatismo político tem uma razão numérica robusta. Pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 4 de junho de 2026 aponta a petista com 34,2% das intenções de voto na estimulada — vantagem confortável sobre os demais concorrentes.

O PT oficializou o apoio a Eduardo Paes ao governo do estado por unanimidade no diretório estadual em abril, e Benedita é o nome escolhido para representar a legenda na disputa ao Senado. Com a máquina partidária, o apoio explícito do presidente Lula e a capilaridade entre o eleitorado feminino e negro, a ex-governadora entra na campanha como franca favorita.

O problema é que a segunda vaga segue completamente aberta.

O risco da fragmentação

A estratégia de Paes de manter todos os aliados contentes tem um preço. Com cinco pré-candidatos na base, os votos da coligação tendem a se dispersar. Em uma eleição proporcional como a do Senado — onde os dois candidatos mais votados conquistam as vagas —, a fragmentação abre uma janela perigosa para a oposição.

Candidaturas avulsas ou nomes conservadores com eleitorado concentrado podem pescar votos residuais e surpreender na reta final. O exemplo recente de eleições proporcionais no Rio mostra que sobras eleitorais decidem cadeiras, e a oposição fluminense já observa o movimento com lupa.

A avaliação interna de aliados de Paes é que, se a unificação entre PSDB e Podemos não se concretizar, o risco de eleger apenas Benedita e perder a segunda vaga para um nome de fora da aliança é real.

O jogo de poder nos palanques

Enquanto as negociações avançam nos bastidores, Eduardo Paes adota o discurso da unidade. O ex-prefeito prometeu subir no palanque de todos os pré-candidatos da coligação — sem exceção. A promessa, recebida com alívio pelos partidos menores, é também uma mensagem para o PT: Paes não será refém de uma única legenda.

Aos 56 anos, o ex-prefeito do Rio constrói sua terceira candidatura ao Palácio Guanabara com a experiência de quem já administrou a cidade por quatro mandatos e conhece os labirintos da política fluminense. Formado em Direito pela PUC-Rio, com especialização em Políticas Públicas e Governo pela UFRJ, Paes começou a carreira aos 23 anos como subprefeito da Barra e Jacarepaguá. Foi deputado federal por dois mandatos e prefeito do Rio por quatro — o último deles conquistado com 60,47% dos votos válidos, ainda no primeiro turno.

Agora, ao mirar o governo do estado, Paes tenta reproduzir a mesma fórmula de amplo arco de alianças que o consagrou na capital. O desafio é fazer isso sem que o excesso de candidatos ao Senado vire um tiro no pé.

 

Sobre Eduardo Paes: Carioca, 56 anos, formado em Direito pela PUC-Rio com especialização em Políticas Públicas e Governo pela UFRJ. Iniciou a carreira política aos 23 anos como subprefeito da Barra e Jacarepaguá. Foi vereador, deputado federal por dois mandatos e prefeito do Rio de Janeiro por quatro mandatos — o último deles vencido com 60,47% dos votos válidos no primeiro turno em 2024. Casado com Cristine, pai de Bernardo e Isabela. É pré-candidato ao governo do estado do Rio de Janeiro pelo PSD, com apoio de PT, PDT, PSDB, Podemos e outros partidos. Sua gestão à frente da prefeitura do Rio foi marcada por grandes obras de infraestrutura, a realização dos Jogos Olímpicos de 2016 e pela condução de políticas de recuperação fiscal do município.

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Por Jornal da República em 13/06/2026
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