Brasil reage à proposta de Trump de classificar PCC e CV como organizações terroristas

Brasil reage à proposta de Trump de classificar PCC e CV como organizações terroristas

A possibilidade de o governo dos Estados Unidos classificar facções brasileiras como organizações terroristas tem provocado reação e preocupação entre autoridades do Brasil. A proposta, defendida pelo presidente norte-americano Donald Trump, envolve principalmente duas das maiores organizações criminosas do país: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Nos bastidores da diplomacia, integrantes do governo brasileiro avaliam que a iniciativa pode trazer implicações jurídicas e políticas relevantes, além de alterar a forma como o crime organizado no Brasil é tratado internacionalmente. A discussão também ocorre em meio a contatos diplomáticos entre Brasília e Washington sobre temas de segurança e cooperação internacional.

Divergência sobre o conceito de terrorismo

Uma das principais razões para a resistência brasileira está na própria definição legal de terrorismo. De acordo com autoridades da área de segurança pública, as facções criminosas brasileiras atuam sobretudo com objetivos econômicos, como tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro, sem a motivação ideológica ou política típica de grupos terroristas.

A legislação brasileira que trata do tema — a Lei Antiterrorismo aprovada em 2016 — considera terrorismo atos praticados com a intenção de provocar terror social por razões ideológicas, religiosas ou políticas. Dentro desse entendimento jurídico, especialistas afirmam que facções como PCC e CV se enquadram como organizações criminosas, mas não como grupos terroristas.

Possíveis consequências internacionais

Nos Estados Unidos, a classificação de um grupo como organização terrorista estrangeira permite a aplicação de sanções mais duras, bloqueio de recursos financeiros e até ações militares contra estruturas ligadas ao grupo. Analistas avaliam que essa designação poderia ampliar a atuação americana contra redes do crime organizado transnacional.

Essa possibilidade gera preocupação no Brasil, pois poderia abrir precedentes para intervenções ou pressões externas em temas de segurança pública. Além disso, especialistas lembram que a maioria dos países evita classificar suas próprias organizações criminosas como terroristas justamente para evitar implicações diplomáticas e jurídicas complexas.

Facções com grande influência no país

O PCC e o Comando Vermelho estão entre as maiores facções criminosas do Brasil, com atuação ligada principalmente ao tráfico de drogas, armas e disputas territoriais. O Comando Vermelho surgiu no fim da década de 1970 em presídios do Rio de Janeiro e, ao longo dos anos, ampliou sua presença para diferentes regiões do país e também para rotas internacionais do narcotráfico.

Diante desse cenário, o debate sobre a classificação dessas organizações continua mobilizando autoridades, especialistas em segurança e diplomatas. Enquanto autoridades americanas defendem medidas mais duras para enfrentar o crime transnacional, o governo brasileiro mantém a posição de que as facções devem ser combatidas dentro do sistema penal e das leis já existentes contra o crime organizado.

 

Fonte: Carta Capital

Por Jornal da República em 09/03/2026
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