BYD: caso de trabalho escravo na Bahia vira questionamento ao Itamaraty no Congresso

Deputado pede explicações ao Itamaraty sobre investigação de trabalhadores chineses resgatados em 2024

BYD: caso de trabalho escravo na Bahia vira questionamento ao Itamaraty no Congresso

Denúncias de trabalho análogo à escravidão nas obras da fábrica da BYD, em Camaçari (BA), registradas em 2024, voltaram a ser questionadas no Congresso após um requerimento aprovado nesta quarta-feira, 25, pelo deputado Gustavo Gayer, do PL de Goiás. O pedido foi encaminhado ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e solicita esclarecimentos sobre o posicionamento diplomático do país diante das denúncias de condições de trabalho análogas à escravidão.

O requerimento retoma a operação realizada em dezembro de 2024 pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério do Trabalho (MPT), que resgatou 163 trabalhadores chineses no canteiro de obras da montadora. Segundo as investigações, eles cumpriam jornadas de até 70 horas semanais, viviam em alojamentos superlotados e insalubres e tinham passaportes e salários retidos. O MPT classificou o caso como tráfico internacional de pessoas .

No documento, o deputado pede que o Itamaraty esclareça se realizou alguma atuação diplomática junto à BYD ou às autoridades estrangeiras relacionadas ao caso. Também questiona quais medidas foram adotadas para proteger a imagem internacional do Brasil, diante da repercussão negativa do caso em veículos estrangeiros.

A BYD afirmou, à época, que a responsabilidade pelas irregularidades era das empreiteiras terceirizadas China JinJiang Construction Brazil e Tonghe Equipamentos Inteligentes do Brasil e informou ter rescindido contrato com uma delas após o episódio. A fiscalização, no entanto, concluiu que a montadora exercia poder de decisão sobre a obra e a responsabilizou solidariamente .

O caso também teve desdobramentos na esfera trabalhista. O MPT pediu R$ 257 milhões por danos morais coletivos, e as partes firmaram, em janeiro de 2026, um acordo de R$ 40 milhões .

A fábrica da BYD na Bahia é um dos principais investimentos recentes de montadoras chinesas no Brasil, que ampliaram presença no mercado de veículos eletrificados nos últimos anos. A entrada dessas empresas ocorre em um momento de disputa com fabricantes instaladas no país, em torno de tarifas de importação, produção local e regras para operação.

Procurada, a BYD não retornou até o momento de publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.

Por Jornal da República em 25/03/2026
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