Caso Henry Borel: décimo dia de julgamento começa com debates entre acusação e defesa

Caso Henry Borel: décimo dia de julgamento começa com debates entre acusação e defesa

O décimo dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros da Costa e Silva, réus pela morte do menino Henry Borel, de quatro anos, em 8 de fevereiro de 2021, foi marcado pelo início dos debates entre acusação e defesa, nesta quarta-feira, 3 de junho, no plenário do II Tribunal do Júri da Capital. 

Uma recapitulação de tudo que foi apresentado no julgamento até agora foi apresentada aos jurados pelo promotor de justiça Fábio Vieira, que chamou os réus de “psicopata” e “narcisista”.  O Ministério Público e o assistente de acusação usaram as três horas para apresentar suas fundamentações e pedir a condenação de Jairinho e Monique pelos crimes de homicídio qualificado por meio cruel e que impossibilitou a defesa da vítima, com causa de aumento de pena por se tratar de menor de 14 anos, tortura e coação no processo (Jairinho) e homicídio por omissão qualificado por motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima,  com causa de aumento de pena por se tratar de vítima menor de 14 anos, coação no curso do processo e tortura (Monique). 

“De príncipe de Bangu a psicopata perverso” 

Fábio Vieira disse, em sua sustentação, ao fazer uma análise do comportamento de Monique e do ex-vereador baseada na opinião de especialistas ouvidos no tribunal, que, por todas as provas apresentadas, depoimentos de testemunhas e especialistas, Jairinho “é um psicopata cruel, perverso e que tem prazer mórbido de causar sofrimento”, após relatos de tortura de filhos de ex-namoradas do réu. 

“Já Monique é narcisista com traços de megalomania”, disse o promotor, ao citar mensagens em que ela afirma que Henry não poderia ter melhor mãe que ela”, mesmo após a sua morte. 

Para o promotor, o ex-vereador se valia do poder político e econômico para encantar as mulheres e, com isso, exercer vantagens e causar dependência econômica sobre elas que se envolviam romanticamente: “Era o príncipe de Bangu. Mas um psicopata perverso e cruel com as crianças, um comportamento doentio”, afirmou. 

Também falaram na abertura da fase de debates do julgamento a promotora Audrey Castro e o assistente de acusação, o advogado Cristiano Medina da Rocha. 

Todos que participaram da acusação de Monique e Jairinho foram unânimes em elogiar a presidente do júri, a juíza Elizabeth Machado Louro, pela condução firme, competência e coerência com que soube enfrentar tantos obstáculos, bate-bocas e adiamentos num dos julgamentos que entrará para a história da Justiça fluminense. 

Defesa de Monique

Após a pausa para almoço, o advogado de defesa de Monique Medeiros, Hugo Novais, demonstrou que vestia uma camiseta com os dizeres “Sou testemunha do amor de mãe e filho”.

“Monique mataria seu filho, seu amor maior? Monique está sendo julgada por ser mãe e mulher. Hoje a história mudará em relação ao gênero feminino. Viemos pedir a vossas excelências: Justiça!”.

Os advogados declararam que Monique não sabia das agressões a Henry e que vivia um relacionamento tóxico com Jairinho. “Dizem que ela escolheu ser omissa para viver uma vida de luxo. Mas que luxo é esse? Ele não proporcionou vida de luxo para ela. A própria babá disse que a mala de Monique vivia pronta, o que evidencia o ciclo de violência doméstica que ela vivia”, afirmou a advogada Florence Rosa.

Defesa de Jairinho

Os advogados de Jairinho afirmaram que o pai da criança, Leniel Borel, teria omitido um acidente ocorrido com Henry em um carro de aplicativo. “No domingo, a criança acorda com a cabeça doendo. Ele começa a passar mal, vomitar. Leniel entrega a “bomba relógio” para Monique”, disse o advogado Fabiano Lopes.

Para a defesa do ex-vereador, tudo não passa de um plano de vingança de Leniel, que não teria se conformado com o suposto episódio de infidelidade de Monique. “Não acreditem em ninguém. Fiquem atentos às provas dos autos”, pediu o advogado Zanone Junior.  

Por Jornal da República em 04/06/2026
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