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Os jornais Última Hora e Jornal da República estiveram na Barra Olímpica para conhecer a Clínica Transformação, referência em neurociência infantil que atende crianças com autismo e outras condições do neurodesenvolvimento.
À frente do projeto está a CEO Paola Ferreira, que recebeu a equipe para apresentar a segunda unidade da rede.
"É uma honra estar inaugurando nossa segunda clínica. Nós viramos referência lá em Duque de Caxias", afirmou Paola. "Os pais vêm até nós procurando suporte, acolhimento.
Além da nossa terapia ser terapia de qualidade, a gente tem como referência acolher essas famílias, entender o que está acontecendo dentro desse ambiente domiciliar, dar suporte na escola, dar suporte dentro de casa."
A cidade ABA: autonomia se aprende no cotidiano
A grande novidade da unidade da Barra Olímpica é a cidade ABA estrutura cenográfica criada para atender pré-adolescentes e adolescentes, com foco em autonomia prática.
"É uma cidade que estamos preparando para atender também os nossos adolescentes, nossos pré-adolescentes, com o objetivo de dar mais autonomia para eles", explicou a CEO.
O método é treinar situações reais, uma a uma: "Como funciona de forma bem assertiva um corte de cabelo, um mercado como eu vou ao mercado, como eu espero na fila, como eu compro, como eu recebo um troco? Ou, ao contrário, como eu recebo um cliente, como vou falar com ele, como vou dar saudações para aquele cliente."
A proposta rompe com o modelo de mesa e cadeira. "A ideia é fazer com que essa terapia seja mais divertida, mais animada e bem assertiva para a autonomia e o desenvolvimento futuro desses nossos adolescentes que já vão virar adultos", defendeu.
Ela contrasta esse formato com o que chama de "ABA de mesinha": uma intervenção que não alcança o dia a dia.
A origem: uma prima com síndrome de Down e uma pergunta sem resposta
A história da clínica nasceu de uma convivência familiar. "Surgiu em 2015. Eu tenho uma prima com síndrome de Down e sempre fiquei apaixonada em ver o desenvolvimento dela", contou Paola. Ela tem 40 anos, mas tem um cognitivo de 7 anos de idade. Aquilo me encantava.
Por que ela era mais velha do que eu, hoje eu tenho 30, e eu conseguia ter um cognitivo maior?
A curiosidade virou estudo e propósito. "Comecei a estudar e falei: quero trabalhar para desenvolver cada vez mais nossas crianças e adolescentes, para chegarem adultos mais funcionais."
E o motor emocional do projeto está na frase que ela mais ouve das famílias: "O maior medo da minha tia, e eu escuto isso de outros pais, é: e quando eu não estiver mais aqui, quem vai cuidar do meu filho? Meu propósito é trazer mais autonomia e desenvolvimento."
A estrutura multidisciplinar
A rede oferece um leque amplo de especialidades: psicologia (com terapia cognitivo-comportamental e ABA), terapia ocupacional, fonoaudiologia em várias frentes (laser, método Bobath, comunicação alternativa), fisioterapia, psicomotricidade, psicopedagogia, nutrição, musicoterapia, além de orientação parental e treinamento parental — que, segundo Paola, são coisas diferentes.
O fluxo de atendimento começa por uma avaliação multidisciplinar que passa por todas as especialidades. Depois, define-se o protocolo adequado a cada criança, que é reaplicado periodicamente para medir evolução.
"Conseguimos trazer dados, gráficos para as famílias e também para os médicos", destacou.
60 minutos, devolutiva e dados no aplicativo
O diferencial que Paola mais enfatiza é o tempo de sessão. "Trabalhamos com 60 minutos de atendimento: separamos 50 minutos para trabalhar específico, exclusivo com aquela criança, e 10 minutos para dar aquela devolutiva para o pai", explicou.
"Não falamos 'foi tudo bem na sessão'. Explicamos o que estamos trabalhando, para que aquele pai consiga fazer em casa os manejos, as técnicas."
Há ainda coleta de dados em todas as sessões, com registro enviado pelo aplicativo da clínica. "Às vezes vem uma babá, vem a avó trazer a criança, mas não tem problema: a família vai receber no aplicativo, acabando a sessão, como foi a análise dela naquele dia foto, vídeo, o desenvolvimento."
Plantão 24 horas e a recusa à rotatividade
Dois pontos aparecem como marcas da operação. O primeiro é o suporte permanente: "Temos um diferencial, que é o nosso WhatsApp.
Estamos 24 horas disponíveis para esses pais. A gente faz um plantão, porque sabemos que às vezes uma criança pode entrar em crise à noite. Nossos supervisores ficam disponíveis", afirmou.
O segundo é a retenção da equipe. "Nosso diferencial é que não temos rotatividade de profissional. Isso eu escuto muito dos pais: 'meu filho, em um ano, passou por seis, sete terapeutas daquela especialidade'.
A gente não trabalha com rotatividade. Somos uma clínica séria", disse.
"Dinheiro a gente recupera, tempo nunca mais"
Sobre os desafios que as famílias enfrentam, a crítica de Paola é direta ao mercado. "A maior dificuldade é o tempo de sessão.
Escutamos muito '30 minutos de sessão'. Trinta minutos não dá para ser atendimento de qualidade. Atendimentos em grupo, quatro ou cinco crianças na mesma sala com um terapeuta e 30 minutos — não dá. Está perdendo tempo."
E emendou a frase que resume sua tese: "Dinheiro a gente recupera, tempo nunca mais. O que foi perdido já era." A CEO também recusou o rótulo de clínica que prioriza agenda: "Nosso objetivo não é ganhar dinheiro.
Ganhar dinheiro é muito bom, mas é raso. Se eu conseguir desenvolver aquela criança, diminuir a quantidade de terapia e dar mais qualidade de vida, já estou cumprindo meu propósito."
O que a ciência diz sobre a intervenção precoce
A fala de Paola sobre "correr contra o tempo" encontra respaldo na literatura. Segundo as Recomendações e Orientações para o Diagnóstico, Investigação e Abordagem Terapêutica do TEA da Sociedade Brasileira de Neurociências (SBNI), as abordagens com maior evidência de eficácia são baseadas na Análise do Comportamento Aplicada (ABA), associada a fonoterapia e terapia ocupacional com integração sensorial justamente para "aproveitar a plasticidade neuronal inerente às fases precoces do desenvolvimento infantil".
Revisões integrativas publicadas em 2024 e 2025 apontam que a intervenção iniciada antes dos 28 meses tem impacto positivo mesmo com menor volume de horas.
E estudo sobre efeitos neurobiológicos da intervenção precoce indica ganhos em regiões associadas a cognição social, linguagem, regulação emocional e controle de comportamentos repetitivos, além de competências adaptativas que ampliam autonomia e inclusão.
Há, contudo, um contraponto que a boa prática exige registrar: revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados publicada em 2025 no periódico Epidemiologia e Serviços de Saúde avaliou que a certeza da evidência para todos os desfechos do método ABA foi "muito baixa", indicando incerteza sobre benefícios e riscos.
A conclusão não invalida o método — reconhecido como a abordagem de maior suporte científico —, mas sinaliza que a personalização e o acompanhamento por dados, como a clínica descreve, são parte essencial do processo.
O acolhimento como método, não como discurso
A dimensão humana apareceu com força no encerramento. "Não é fácil, não vai ser.
É difícil essa caminhada, mas se a gente unir forças, encontrar pessoas que lutam junto conosco, fica mais leve", disse Paola.
Dirigindo-se aos profissionais, fez um apelo: "Ninguém está mais cansado do que uma mãe de uma criança neurodivergente.
Se chegar uma mãe com dificuldade emocional, estressada, abrace ela, porque você não sabe como foi a noite dessa mãe." E às famílias: "Eu acolho vocês, eu abraço vocês.
Eu sei o quanto é difícil encontrar escola, encontrar pessoas em quem a gente confia para ficar com nossos filhos. Aqui vocês encontram isso. Minha palavra é: encontre um local onde seu filho vai ser amado — mas você, responsável, também seja amado."
Estrutura, endereço e o futuro
A nova unidade tem mais de 20 salas de atendimento, além da cidade ABA, e oferece atendimento domiciliar e escolar, com acompanhamento terapêutico e treinamento de equipes pedagógicas.
"A escola não está preparada para lidar com comportamento e, muitas vezes, nem com o pedagógico. Então a gente treina essa escola."
A transparência é apresentada como diferencial físico: "Nossas salas têm uma janela transparente para que os pais possam assistir o atendimento. Aqui nada é escondido." O primeiro encontro é gratuito.
Os atendimentos começam em 3 de novembro, com agenda já em formação.
Os planos futuros apontam para o outro extremo da vida. "Hoje abrimos uma proposta para adolescente, mas nosso objetivo futuro é para os adultos também, porque sabemos que tem adultos que não vão conseguir entrar no mercado de trabalho pela comorbidade e pelo diagnóstico.
As famílias perguntam: 'o que eu vou fazer com o adulto? E quando eu estiver velhinho?' Nosso objetivo é abrir um trabalho voltado para esses adultos também."
Onde encontrar
| Informação | Detalhe |
|---|---|
| Clínica | Transformação — Neurociência Infantil |
| Nova unidade | Barra Olímpica, Rio de Janeiro |
| Início dos atendimentos | 3 de novembro de 2026 |
| Estrutura | mais de 20 salas de atendimento + cidade ABA |
| Especialidades | psicologia (ABA, TCC), fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia, psicomotricidade, psicopedagogia, nutrição, musicoterapia |
| Diferenciais | sessões de 60 minutos com devolutiva, coleta de dados em aplicativo, plantão 24h, atendimento domiciliar e escolar |
| Contato | (21) 3925-7047 |
| Site | clinicatransformacao.com.br |
| @clinicatransformacao |
Bio de Paola Ferreira
Paola Ferreira é CEO e idealizadora da Clínica Transformação, rede de atendimento em neurociência infantil referência em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e que agora chega à Barra Olímpica, no Rio de Janeiro.
Nascida em uma família com histórico de deficiência intelectual — sua prima tem síndrome de Down, construiu a vocação profissional a partir de uma convivência que despertou nela a curiosidade científica sobre desenvolvimento cognitivo e a levou a estudar o tema com dedicação.
Em 2015, fundou a clínica com um propósito claro: desenvolver crianças e adolescentes com autismo e outras condições do neurodesenvolvimento para que cheguem à vida adulta o mais funcionais e autônomos possível.
Sua gestão é marcada por escolhas técnicas que considera inegociáveis: sessões de 60 minutos com devolutiva estruturada aos pais, coleta de dados em todas as sessões com envio por aplicativo, plantão 24 horas de supervisores para famílias em crise, zero rotatividade de terapeutas e salas com janelas transparentes para acompanhamento dos atendimentos.
Em 2026, ampliou a operação com uma unidade de mais de 20 salas e criou a cidade ABA estrutura cenográfica que treina habilidades do cotidiano, do corte de cabelo ao atendimento de clientes, voltada à autonomia de pré-adolescentes e adolescentes.
Defensora da intervenção precoce como janela decisiva do desenvolvimento, sustenta que a terapia só é séria quando produz autonomia: "Dinheiro a gente recupera, tempo nunca mais."
Seu projeto futuro é estender o cuidado aos adultos autistas que não conseguem ingressar no mercado de trabalho — resposta institucional à pergunta que ouve de todas as famílias: "E quando eu não estiver mais aqui?"

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade
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