Cônsul-geral da China, Tian Min, celebra Dia da Amizade com o Rio e projeta 'irmandade' para os próximos 50 anos

A relação entre China e Brasil é estratégica. 'Celebramos os 50 anos das relações diplomáticas e agora iniciamos um novo começo para os próximos 50 anos', reforçou

Em evento no restaurante China Town, Tian Min destaca os 50 anos de relações bilaterais, o Ano Cultural Brasil-China e a união dos dois países. 

O encontro que celebra uma parceria histórica

O restaurante China Town foi o cenário escolhido para a celebração do Dia da Amizade China-Rio de Janeiro, data instituída por lei estadual e comemorada todo 8 de agosto. O evento reuniu autoridades, empresários e representantes da comunidade chinesa no estado, e teve como anfitriã a cônsul-geral da República Popular da China no Rio de Janeiro, Tian Min. Em entrevista exclusiva ao Jornal da República, a diplomata destacou o momento que classificou como o melhor da história das relações bilaterais.

"Hoje celebramos o Dia da Amizade China-Rio de Janeiro, que é 8 de agosto, definido pela Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro. "As relações entre a China e o Brasil estão nos seus melhores momentos, e esses laços de amizade e cooperação são muito importantes tanto para a China quanto para o Brasil, e também para o mundo", afirmou.

A data, instituída em 2018 pela Lei nº 8.251, de autoria da Alerj, passou a integrar o calendário oficial do estado. Desde então, a presença chinesa no Rio de Janeiro se consolidou como uma das mais expressivas do país, com investimentos em infraestrutura, comércio e cultura.

Meio século de relações diplomáticas.

A celebração ganha contornos ainda mais simbólicos neste ano. Em 2024, Brasil e China comemoraram os 50 anos do estabelecimento de relações diplomáticas, marco celebrado com a visita do presidente chinês Xi Jinping a Brasília. Para Tian Min, o cinquentenário representa não apenas um balanço do passado, mas o ponto de partida para uma nova etapa de cooperação.

"Celebramos os 50 anos das relações diplomáticas em 2024. Agora já iniciamos o nosso novo começo para os próximos 50 anos. A China atribui muita importância às relações bilaterais com o Brasil", destacou a cônsul.

Quando os dois países estabeleceram laços diplomáticos, em 1974, o comércio bilateral somava apenas US$ 17,4 milhões. Cinco décadas depois, a relação se transformou em uma das mais relevantes do mundo, com a China consolidada como principal parceiro comercial do Brasil desde 2009.

O Ano Cultural Brasil-China 2026

Tian Min também celebrou o lançamento do Ano Cultural Brasil-China 2026, iniciativa que reúne um calendário de atividades voltado à ampliação do conhecimento mútuo entre brasileiros e chineses. O programa, lançado em março, inclui exposições de caligrafia e pintura, festivais de cinema, intercâmbios acadêmicos e eventos gastronômicos.

"Esse ano celebramos o Ano Cultural China-Brasil. A cooperação abrange muitas áreas, incluindo comércio, economia, tecnologia e também cultura", afirmou a cônsul, que tem destacado o cinema como uma das principais pontes culturais entre os dois países em eventos recentes.

A iniciativa é vista por diplomatas e especialistas como a prova de que a parceria Brasil-China vai além do comércio, consolidando um relacionamento que envolve também educação, ciência, tecnologia e inovação.

De US$ 17 milhões a US$ 200 bilhões: a diplomata que testemunha o auge da relação Brasil-China

Ao ser questionada sobre as trocas comerciais entre os dois países, Tian Min trouxe números que impressionam. "O comércio bilateral agora é um montante muito grande, perto de US$ 200 bilhões por ano", revelou. O volume confirma a China como o maior parceiro comercial do Brasil, posição que ocupa há mais de 15 anos.

A cônsul detalhou a complementaridade das economias. "O que a China importa do Brasil é tecnologia, matérias-primas, por exemplo, minérios de ferro, soja e carne. O que a China exporta para o Brasil são, por exemplo, máquinas, carros elétricos e produtos elétricos. Existe uma grande complementaridade entre o comércio entre a China e o Brasil", explicou.

Em 2025, a China comprou quase US$ 100 bilhões em produtos brasileiros, com destaque para soja, minério de ferro e petróleo. No sentido inverso, o Brasil importa máquinas, equipamentos, produtos químicos e manufaturados chineses, incluindo os veículos elétricos que ganham espaço crescente no mercado nacional.

Uma irmandade para os próximos 50 anos.

Ao ser questionada sobre o futuro da parceria para a próxima década, Tian Min não hesitou em falar em irmandade.

A diplomata destacou que a China atribui importância estratégica às relações com o Brasil e que os dois países devem aprofundar a cooperação em áreas como inovação, educação e intercâmbio acadêmico.

A relação entre China e Brasil é estratégica. "Celebramos os 50 anos das relações diplomáticas e agora iniciamos um novo começo para os próximos 50 anos", reforçou.

A fala da cônsul reflete um momento de aproximação sem precedentes entre os dois gigantes emergentes. Com economias complementares, interesses convergentes no cenário global e uma agenda cultural em expansão, Brasil e China escrevem um novo capítulo de uma relação que promete se aprofundar nas próximas décadas.

Biografia: Tian Min

Tian Min é a cônsul-geral da República Popular da China no Rio de Janeiro, responsável pela promoção dos laços diplomáticos, econômicos e culturais entre a China e o estado fluminense.

Nascida em julho de 1968, é diplomata de carreira e integra o Ministério das Relações Exteriores da China desde 1991, acumulando mais de três décadas de serviço diplomático.

Bacharel em Artes, Tian Min construiu uma trajetória marcada pela defesa do multilateralismo e do fortalecimento das relações bilaterais.

À frente do consulado no Rio de Janeiro, tem atuado na ampliação da cooperação em áreas como inovação, educação, intercâmbio acadêmico e cultura, com destaque para os festivais de cinema e eventos universitários.

Sob sua gestão, o consulado tem promovido a aproximação entre brasileiros e chineses, celebrando datas como o Dia da Amizade China-Rio e o Ano Cultural Brasil-China 2026.

Tian Min é reconhecida por sua atuação na defesa de uma parceria estratégica entre os dois países, classificada por ela como a melhor da história das relações bilaterais.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber @robsontalber 

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Fontes

Consulado-Geral da China no Rio de Janeiro — CV da Cônsul-Geral Tian Min | Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) — Lei nº 8.251/2018 (Dia da Amizade Rio-China) | Ministério da Cultura — Ano Cultural Brasil-China 2026 | G1 — "Após Brasil acionar OMC, China pede para participar de consultas sobre tarifaço dos EUA" (10/08/2026) | O Globo — "China pede para entrar em ação do Brasil contra tarifaço dos EUA na OMC" (11/08/2026) | Exame — "Brasil e China lançam Ano Cultural 2026" (27/03/2026) | Poder360 — "Brasil e China celebram 50 anos de relações bilaterais" (15/08/2024) | Senado Federal — Sessão destaca parceria Brasil-China em 50 anos de relações diplomáticas | Ministério das Relações Exteriores — 50 anos de relações Brasil-China | Entrevista de Tian Min ao Jornal da República (08/08/2026)

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Por Jornal da República em 13/08/2026
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