Crise de imagem na Alerj se intensifica em meio a embate político sobre pagamento em dinheiro nos ônibus

Crise de imagem na Alerj se intensifica em meio a embate político sobre pagamento em dinheiro nos ônibus

A disputa política envolvendo o fim do pagamento em dinheiro nos ônibus municipais do Rio de Janeiro provocou um novo embate entre aliados do ex-prefeito Eduardo Paes e integrantes da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. O episódio ocorre em meio a uma crescente crise de imagem enfrentada pela Assembleia Legislativa fluminense.

O centro da discussão envolve um projeto apresentado pelo presidente da Alerj, Douglas Ruas, que pretende obrigar empresas públicas e privadas a aceitarem pagamentos em dinheiro em todo o estado do Rio de Janeiro. A proposta surge como reação à decisão da Prefeitura do Rio de retirar gradualmente o dinheiro em espécie dos ônibus municipais e ampliar a utilização do sistema eletrônico Jaé.

Segundo Douglas Ruas, a proposta busca evitar exclusão social e garantir acesso ao transporte para pessoas em situação de vulnerabilidade, trabalhadores informais e cidadãos sem acesso pleno a meios digitais de pagamento. O parlamentar afirma que a modernização tecnológica não pode criar barreiras para parte da população.

Nos bastidores políticos, entretanto, o tema se transformou em uma disputa estratégica entre grupos ligados à Prefeitura e parlamentares estaduais. Aliados de Eduardo Paes passaram a questionar publicamente quais interesses estariam por trás da defesa da manutenção do dinheiro em espécie no sistema de ônibus.

A tensão aumentou porque o debate ocorre justamente em um momento delicado para a imagem da Alerj. A Assembleia voltou a ser alvo de críticas após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a política fluminense, reacendendo discussões sobre a relação da população com o Legislativo estadual e antigas críticas envolvendo influência de grupos políticos e interesses locais.

Além disso, o tema dos ônibus ganhou importância eleitoral diante da possível disputa pelo governo do estado em 2026. Integrantes do grupo político de Eduardo Paes pretendem explorar politicamente o argumento de que a prefeitura modernizou o sistema BRT e ampliou soluções digitais, enquanto adversários estariam alinhados a setores tradicionais do transporte coletivo.

Outro ponto que entrou na discussão foi a ampliação dos pontos de recarga do cartão Jaé. A prefeitura informou que bancas de jornal e outros estabelecimentos passarão a oferecer suporte para carregamento dos cartões, numa tentativa de reduzir críticas sobre dificuldades de acesso ao sistema eletrônico.

Nos corredores da política fluminense, o episódio já é tratado como mais um capítulo da antecipação da disputa eleitoral estadual. A discussão sobre ônibus, tecnologia e circulação de dinheiro acabou se tornando também um símbolo do embate político entre grupos que pretendem disputar protagonismo no Rio de Janeiro nos próximos anos.

Fontes: Diário do Rio e repercussões políticas locais.

Por MBL - MOVIMENTO BRASIL LIVRE em 26/05/2026
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