Delegado Carlos Augusto critica leis brasileiras e defende integração entre Polícias para combater criminalidade

Segurança pública deve atacar todas as pontas, diz deputado estadual sobre combate ao crime

Delegado Carlos Augusto Defende Integração entre Polícias e Reforma Legal para Combater Criminalidade

Deputado estadual critica leis brasileiras e propõe ação conjunta entre Polícia Civil e Militar como solução para segurança pública no Rio de Janeiro

A segurança pública do Rio de Janeiro foi tema de debate acalorado na Assembleia Legislativa do Estado durante pronunciamento do delegado Carlos Augusto, deputado estadual pelo PSD e um dos nomes mais engajados nas redes sociais. Durante a sessão desta sexta-feira, o parlamentar teceu críticas contundentes ao sistema legal brasileiro e apresentou uma proposta fundamentada em integração operacional entre as polícias estaduais.

O delegado argumentou que o combate à criminalidade não pode ser fragmentado. Segundo sua análise, enquanto a Polícia Militar atua na prevenção nas ruas, a Polícia Civil deve estar preparada para investigar, rastrear e prender os criminosos que se deslocam conforme as estratégias de patrulhamento são alteradas. "Se você colocar policiamento numa esquina, o bandido assalta na outra. Se colocar em duas esquinas, ele vai para a terceira", exemplificou.

A Metáfora da Fábrica de Criminalidade

Um dos pontos mais contundentes do discurso foi a comparação da criminalidade com uma fábrica em funcionamento. Carlos Augusto argumentou que as polícias recolhem os "produtos" dessa fábrica — os criminosos — mas que enquanto a instituição produtora não for fechada, a criminalidade seguirá crescendo. "A fábrica produz novos marginais enquanto a gente apenas recolhe os existentes", disse.

Para o deputado, essa "fábrica" funciona através de múltiplas falhas sistêmicas: educação deficiente nas escolas, falta de formação familiar, ausência de orientação religiosa, desemprego estrutural e pobreza. O parlamentar ressaltou que todos os seus projetos legislativos envolvem empregabilidade como estratégia de prevenção ao crime.

"A gente falha no colégio, a gente falha na educação em casa, a gente falha na igreja, a gente falha na empregabilidade. Todos os meus projetos envolvem empregabilidade", afirmou durante o pronunciamento.

Fortalecimento da Polícia Civil como Prioridade

Carlos Augusto elogiou os recentes avanços na Polícia Civil, particularmente os concursos que permitiram contratação de novos profissionais e a aquisição de equipamentos modernos. Porém, argumentou que o fortalecimento deve ser contínuo. "Se a gente continuar colocando a Polícia Civil em patamares de crescimento, a gente vai fazer o que é necessário", disse.

O deputado criticou duramente as leis brasileiras, descrevendo-as como "ridículas, patéticas e vagas". Segundo ele, o ordenamento jurídico beneficia criminosos ao permitir que eles recebam múltiplas chances processuais. "Um criminoso se estimula a praticar novos crimes porque sabe que terá segunda, terceira e quarta chances", argumentou.

Crítica ao Sistema Processual Penal

Um relato anedótico ilustrou a frustração de Carlos Augusto com as leis. Ao visitar a cidade da polícia, presenciou o momento em que um bandido sendo conduzido por seis policiais, mesmo algemado, reconheceu o caminho para a delegacia porque já havia sido preso várias vezes. "Ele virou para os policiais e falou: 'Não é aqui não', porque já conhecia o caminho", narrou.

Para o deputado, essa situação representa o fracasso sistêmico. As leis brasileiras, argumentou, permitem que criminosos saiam livres por "falhas processuais", mesmo quando há certeza sobre a autoria dos crimes. "Vemos muito isso acontecer, principalmente em crimes de colarinho branco, com pessoas saindo pela porta da frente enquanto todo mundo tem certeza do que fizeram", criticou.

A Necessidade de Mudança Legal

Carlos Augusto foi contundente ao defender que a mudança legal é fundamental. "O principal problema do Brasil são as leis. A nossa lei é a maior bandida. Enquanto a gente não mudar isso, a polícia terá retrabalho", afirmou. Segundo o deputado, manter criminosos presos de forma permanente geraria efeito desestimulador tanto para o infrator quanto para potenciais criminosos.

O parlamentar argumentou que o combate efetivo à segurança pública requer ação multifatorial: investimento em educação, geração de emprego, fortalecimento institucional das polícias e reforma do sistema processual penal. "A segurança pública tem que atacar em todas as pontas, não só em termos de segurança estrito senso, mas em termos de empregabilidade, educação e conhecimento de direitos", concluiu.

Contexto Político e Relevância para 2026

O pronunciamento ocorre em momento crítico para o Rio de Janeiro. A segurança pública deve ser um eixo central nas eleições de 2026, segundo analistas políticos. Carlos Augusto, como um dos deputados mais engajados nas redes sociais e com posicionamento claro sobre o tema, figures entre os nomes mais relevantes no debate público sobre criminalidade.

Sua trajetória reforça sua autoridade no assunto. Ingressou na Polícia Civil em 2002 e acumulou experiência em diversas delegacias especializadas, desde repressão a armas e explosivos até crimes contra o consumidor. Em 2007, com menos de cinco anos como delegado, foi promovido à 1ª Classe — o ápice da carreira — e recebeu a Medalha Honra por comportamento irrepreensível.

Além de sua atuação como policial, Carlos Augusto lecionou Direito Penal em universidades e foi o primeiro delegado a atuar como comentarista televisivo de segurança pública. Em 2018, foi eleito deputado estadual como o candidato mais votado do PSD, com 56.969 votos, consolidando sua relevância política.

Perspectivas para Debate Legislativo

O discurso de Carlos Augusto deverá alimentar o debate legislativo sobre reforma processual penal e políticas de segurança. Grupos ligados à segurança pública e ao sistema de justiça devem responder nas próximas semanas. A questão central permanece: como equilibrar garantias constitucionais com efetividade na repressão criminal?

Enquanto isso, a população fluminense segue demandando soluções para criminalidade, vista como tema prioritário nas pesquisas de intenção de voto. O delegado deputado, ao vincular segurança pública com empregabilidade e educação, oferece perspectiva integradora que pode reverberar nos debates eleitorais vindouros.

 

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber @robsontalber 

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Fontes: Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) — registros de sessão plenária; histórico profissional do delegado Carlos Augusto; registros de eleições de 2018 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE); dados da Polícia Civil do Rio de Janeiro; pronunciamentos públicos do deputado estadual.

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Por Jornal da República em 19/04/2026
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