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Diretor Savio Malta destaca que setor representa 10% do PIB fluminense e 20% dos empregos; instituição promove debates sobre inclusão e diversidade na indústria criativa
O Sebrae consolidou sua presença no Rio Fashion Week, um dos maiores eventos de moda da América Latina, trazendo 38 expositores que representam pequenos negócios de moda de 92 municípios do Rio de Janeiro. A participação marca o compromisso da instituição com a valorização da indústria criativa fluminense e demonstra a relevância econômica que o setor de moda representa para o estado.
Malta, diretor executivo do Sebrae com mais de 20 anos de atuação na instituição, apresentou dados que reafirmam a centralidade da moda na economia do Rio de Janeiro e no Brasil, destacando sua capacidade de gerar emprego e renda em toda a cadeia produtiva.
A Moda Como Eixo Estruturante da Economia Fluminense
Malta enfatizou que a moda representa quase 10% da economia do PIB do Rio de Janeiro, colocando-se como setor estratégico para o desenvolvimento estadual. Mais significativo ainda é o impacto na geração de empregos: a indústria criativa, incluindo moda, emprega 20% da força de trabalho formal e informal do estado. Essa capilaridade — como ressaltou o diretor — decorre da universalidade do consumo de vestuário: todo ser humano se veste e necessita renovar seu guarda-roupa periodicamente.
Malta destacou um fenômeno econômico contemporâneo que amplifica a demanda por moda: o aumento significativo do emagrecimento entre a população brasileira. "As pessoas estão tendo que renovar seu guarda-roupa e comprar roupas mais adequadas ao seu novo figurino", observou, identificando como as transformações corporais geram novas necessidades de consumo. Essa dinâmica cria ciclos econômicos contínuos que sustentam a indústria de vestuário e acessórios, desde pequenos confeccionistas até grandes redes comerciais.
Sebrae Como Catalisador de Pequenos Negócios em Moda
A presença do Sebrae no Rio Fashion Week não é meramente simbólica. A instituição criou um espaço dedicado — denominado Lounge Sebrae — onde expõe produtos de seus clientes e promove conteúdo temático estratégico. Durante os quatro dias do evento, a instituição realizou três debates diários abordando dimensões plurais da moda brasileira: moda afro, moda LGBTQIA+, moda de povos originários, e moda criativa em suas diversas manifestações.
Savio Malta ressaltou que o Sebrae está presente onde quer que pequenos negócios se desenvolvam — agricultura, indústria, serviços, e especialmente na indústria criativa. "A moda é a síntese da indústria, do comércio e da indústria criativa. É por isso que o Sebrae está aqui com muito orgulho e trabalhando muito forte", afirmou o diretor. Essa abordagem integrada reconhece que a moda não existe isoladamente: envolve produção têxtil, design, comercialização, logística, e uma gama de serviços complementares que multiplicam oportunidades econômicas.
Diversidade e Inclusão Como Estratégia de Valor
A programação de debates do Sebrae no evento evidencia compreensão sofisticada sobre inclusão econômica. Ao promover discussões sobre moda afro, moda LGBTQIA+ e moda de povos originários, a instituição reconhece que diversidade não é apenas imperativo social, mas oportunidade econômica tangível. Segmentos historicamente marginalizados no mercado de moda brasileiro encontram no Sebrae plataforma de visibilidade e acesso a recursos.
Essa estratégia alinha-se com tendências globais no mercado de moda, onde nichos antes considerados secundários tornaram-se segmentos de altíssimo valor agregado. A valorização de criadores negros, LGBTQIA+ e indígenas representa tanto reconhecimento de direitos quanto identificação de potencial mercadológico — ambas as dimensões coexistem numa análise honesta do setor.
A História Do Jornal Última Hora e o DNA de Combate
Um momento particularmente significativo da entrevista de Malta foi quando ele abordou sua história pessoal e familiar, conectando-a ao legado do Jornal Última Hora — publicação que o entrevistava. Malta revelou que seu pai foi co-fundador do Jornal Última Hora em 1952, ao lado de Samuel Wider, durante o governo democrático de Getúlio Vargas (1950-1954), após o período ditatorial de 1930-1945.
O diretor descreveu Última Hora como "jornal de combate", "a arma do povo" — publicação criada explicitamente para defender os interesses populares contra estruturas de poder estabelecidas. A instituição funcionou até 1964, quando foi suprimida pelo golpe militar que instaurou a ditadura de 1964-1985. "A ditadura acabou com a Última Hora porque a Última Hora era um jornal de combate", relatou Malta com clareza histórica.
Malta concluiu sua fala reafirmando que o Jornal Última Hora mantém, até a contemporaneidade, seu compromisso fundacional: ser defensor dos interesses do povo carioca, fluminense e brasileiro. A continuidade dessa missão — mesmo após décadas — evidencia permanência de valores numa instituição que nasceu como instrumento de contestação e permanece como tal. Malta expressou orgulho em ser entrevistado por uma publicação que carrega esse legado histórico de combate.
O Contexto Mais Amplo: Pequenos Negócios Como Força Econômica
A participação do Sebrae no Rio Fashion Week insere-se num contexto mais amplo de reconhecimento sobre o papel dos pequenos e médios negócios na economia brasileira. Estudos do próprio Sebrae demonstram que micro e pequenas empresas representam 98% de todos os negócios formais no Brasil e geram aproximadamente 70% dos empregos. No setor de moda, essa proporção é particularmente acentuada, com inúmeros criadores independentes, confeccionistas artesanais e pequenas butiques respondendo por parcela significativa da cadeia produtiva.
A estratégia de expor pequenos negócios de 92 municípios diferentes no Rio Fashion Week funciona como validação institucional dessa realidade. Ao trazer pequenos confeccionistas, designers independentes e empresas de vestuário para um dos maiores eventos de moda do continente, o Sebrae democratiza acesso a plataformas de visibilidade que historicamente foram restritas a grandes conglomerados. Isso gera múltiplos efeitos: visibilidade para marcas pequenas, oportunidades de networking para criadores, acesso a novos mercados, e demonstração de vitalidade econômica da base empreendedora fluminense.
Fontes: Sebrae — dados sobre pequenos negócios em moda e economia criativa; Rio Fashion Week — informações sobre programação e participação institucional; análise setorial sobre moda no Brasil (ABIT — Associação Brasileira da Indústria Têxtil); dados sobre economia fluminense (SEADE — Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados); história do Jornal Última Hora (acervo de imprensa brasileira e pesquisa sobre jornalismo de resistência); documentação sobre governo Getúlio Vargas (1950-1954).

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber @robsontalber
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