Dr. Robert Segundo, prefeito de Várzea Grande (PI) expõe o que os prefeitos realmente pensam sobre o pacto federativo

Brasília funciona sob pressão, e as prefeituras pagam a conta

O pacto esquecido

Entre discursos e promessas, prefeitos de todo o Brasil ocuparam Brasília na XXVII Marcha dos Prefeitos para cobrar o que chamam de "pacto federativo real". De 18 a 21 de maio, a capital federal virou palco de um encontro que expôs a distância entre o que se decide no Planalto Central e o que se vive nas prefeituras. Em meio a bandeiras e faixas, o prefeito de Várzea Grande, no Piauí, Dr. Robert Segundo, deu o tom do sentimento coletivo: "Os municípios são onde as políticas públicas acontecem de verdade. Sem recurso, não há escola, não há posto de saúde, não há asfalto."

Milhares de prefeitos, um só problema

A Marcha dos Prefeitos não é novidade. Todo ano, gestores municipais de todos os partidos e regiões se reúnem para pressionar o governo federal e o Congresso por mais recursos e menos burocracia. Em 2026, o encontro foi marcado por um discurso de urgência. Dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM) indicam que mais de 60% das cidades brasileiras fecharam 2025 no vermelho, e a dependência de repasses federais cresceu após a pandemia. Em Várzea Grande, cidade de agricultura familiar e conhecida pelo cartão-postal Poço Feio, a situação não é diferente. Segundo o prefeito, os repasses não cobrem nem o custo da máquina pública.

A política que trava os recursos

Se a pauta era técnica — reforma tributária, fundos constitucionais, partilha do ICMS — a política não ficou de fora. O prefeito Dr. Robert Segundo foi direto ao ponto: "A polarização política que toma conta do país atrapalha diretamente a chegada dos recursos. Brasília funciona sob pressão. Quando o ambiente é de guerra, quem perde é a população das pequenas cidades." A fala ecoa entre os gestores municipais, que independentemente de bandeira partidária, sofrem com a paralisia de emendas e convênios.

Para ele, o prefeito não pode se dar ao luxo de escolher lado. "Nós, prefeitos, defendemos o trabalho em benefício da população, não ideologia. A população não quer saber se você é de esquerda ou direita. Ela quer saúde, educação, segurança."

Pacto federativo: a conta que não fecha

No centro dos debates, a necessidade de um novo pacto federativo. O sistema atual, criado na Constituição de 1988, concentra a maior parte da arrecadação na União, enquanto os municípios ficam com a menor fatia e a maior responsabilidade. Dr. Robert Segundo lembrou que as cidades são a ponta do serviço público. "É no município que a criança vai à escola, que o doente é atendido, que o lixo é coletado. Se o dinheiro não chega, o serviço para."

Enquanto Brasília discute reformas, dados do IBGE mostram que o número de moradores de rua no estado do Rio de Janeiro chegou a 32 mil — um retrato do fracasso de políticas públicas que não chegam à base. Para o prefeito piauiense, o exemplo carioca serve de alerta para todo o país. "Se não houver pacto federativo de verdade, as cidades médias e pequenas vão repetir o que vemos nos grandes centros: exclusão, violência e abandono."

Tecnologia e gestão: o caminho possível

Apesar das dificuldades, o prefeito de Várzea Grande aposta em gestão moderna com tecnologia e inovação como saída para fazer mais com menos. "Não adianta esperar o dinheiro cair do céu. Precisamos usar dados, planejamento estratégico, parcerias com o setor privado. O gestor público precisa se modernizar." A cidade, que vive da agricultura familiar, tem no turismo do Poço Feio uma esperança de diversificação econômica. Mas, segundo ele, sem infraestrutura e apoio federal, os projetos ficam no papel.

O recado dos prefeitos

Ao final da Marcha, o recado ficou claro: os prefeitos não querem mais promessas. Querem que o pacto federativo saia do discurso e vire lei. Querem que a polarização dê lugar à gestão. E querem, acima de tudo, que Brasília enxergue as cidades como elas realmente são — a linha de frente do Brasil real.

Dr. Robert Segundo é médico, prefeito de Várzea Grande (PI) desde 2021, e foi reeleito com 67% dos votos válidos em 2024. Formado pela Universidade Federal do Piauí, especialista em gestão pública pela FGV, é reconhecido por modernizar a administração municipal e por impulsionar o turismo local, especialmente o projeto de preservação e requalificação do Poço Feio. Durante seu mandato, Várzea Grande reduziu em 30% a fila de espera por consultas especializadas e conquistou o selo "Prefeitura Transparente" do Tribunal de Contas da União. Defensor ferrenho da municipalização de políticas públicas, é figura constante em fóruns nacionais de gestão e inovação.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber @robsontalber 

Notícias exclusivas e ilimitadas.

O JR Online reforça o compromisso com o jornalismo profissional e de qualidade.

Nossa redação produz diariamente informação responsável e que você pode confia.

#PactoFederativo #MarchaDosPrefeitos #PrefeitosDoBrasil #DrRobertSegundo #VárzeaGrande #Piauí #GestãoPública #InovaçãoNaGestão #Brasília #CriseDosMunicípios

Por Jornal da República em 02/06/2026
Aguarde..