Flávio Bolsonaro é rejeitado por 53% dos eleitores enquanto Michelle se retira da política

Ex-primeira-dama se afasta da política enquanto filho enfrenta maior rejeição entre presidenciáveis

Flávio Bolsonaro é rejeitado por 53% dos eleitores enquanto Michelle se retira da política

Ex-primeira-dama se afasta da política para cuidar da família em momento delicado, enquanto rejeição a Flávio bate 53% nas pesquisas e convenções partidárias se aproximam

O recuo estratégico que surpreendeu o PL

Michelle Bolsonaro entregou sua renúncia da presidência do PL Mulher na terça-feira (30 de junho), em nota divulgada à imprensa. A decisão, justificada como um passo necessário para cuidar da família em momento delicado, marca um recuo estratégico que ecoou nos bastidores da Assembleia Nacional do Partido Liberal. A ex-primeira-dama afirmou que a decisão saiu após reflexão com o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu marido.

A renúncia não foi inesperada para observadores atentos da política fluminense. Desde que a crise familiar entre os Bolsonaros ganhou as páginas dos jornais, com exposição pública da mágoa de Michelle em relação aos filhos do ex-presidente, sinais de que algo se movimentava nos bastidores do partido começaram a aparecer. O timing, porém, surpreendeu: faltam apenas 19 dias para o início das convenções partidárias, que vão até 5 de agosto.

A saída de Michelle do comando do PL Mulher deixa em aberto uma série de questões que movimentam a militância bolsonarista. Sua pré-candidatura ao Senado está descartada? Havia realmente uma possibilidade de candidatura presidencial, como havia sido cogitada anteriormente? O que se passa internamente na cabeça dela, da direção do PL e do seio familiar, somente eles sabem.

A crise que não esmorece

A exposição da mágoa que Michelle Bolsonaro tem dos filhos do marido — especialmente de Flávio Bolsonaro, o pré-candidato presidencial — era exatamente o que o presidenciável não precisava nesse momento. Sua pré-campanha passa por uma fase delicada, e analistas políticos não descartam que a candidatura pode até não acontecer.

A crise familiar saiu dos muros internos do Palácio da Alvorada e invadiu a pré-campanha presidencial de Flávio. Mensagens privadas vazadas, declarações públicas de Michelle sobre o afastamento dos filhos do ex-presidente, e a própria renúncia desta semana são sinais de que o desgaste interno é real e profundo. Para um candidato que precisa de unidade partidária, coesão familiar e apoio da base bolsonarista, a situação é explosiva.

A questão que paira no ar é: até quando Flávio conseguirá manter sua candidatura de pé diante desse cenário de desunião familiar? As convenções começam em 19 dias. Até lá, saberemos se o senador fluminense vai ter cacife para manter seu nome no páreo da disputa eleitoral.

Os números que condenam a candidatura

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 1º de julho mostra um cenário desolador para Flávio Bolsonaro. O pré-candidato é rejeitado por 53% dos entrevistados — o maior índice de rejeição entre os presidenciáveis. Ele só perde para o deputado federal Aécio Neves (PSDB), que recebeu 54% de rejeição, e com quem está empatado tecnicamente.

O presidente Lula aparece em terceiro lugar em nível de rejeição, com 48,6%. Jair Bolsonaro registra 45,2%, e Michelle Bolsonaro, 43,2%. Ronaldo Caiado (PSD) tem 38,6%, e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), 38,5%.

Os números revelam uma trajetória de queda. As trapalhadas protagonizadas por Flávio em sua pré-campanha — desde declarações polêmicas até a exposição da crise familiar — têm refletido diretamente em seu desempenho nas diversas pesquisas eleitorais divulgadas nos últimos 30 dias. A rejeição crescente é sintomática de um candidato que não consegue se consolidar no eleitorado.

A confusão política que paira

Com a decisão de Michelle de se retirar momentaneamente do cenário político, aliados e eleitores bolsonaristas se perguntam: qual é o próximo passo? A pré-candidatura dela ao Senado está descartada ou é apenas um recuo tático? Havia realmente uma possibilidade de candidatura presidencial, como havia sido cogitada anteriormente?

A incerteza é o pior cenário para uma campanha. Enquanto Michelle se afasta, Flávio tenta se manter de pé nas pesquisas. O PL, que deveria estar unido em torno de seu candidato presidencial, vê-se dividido entre apoiar o senador fluminense ou buscar alternativas. A base bolsonarista, que deveria estar mobilizada, fica confusa sobre qual é o projeto político que o partido está oferecendo.

No meio desse conflito, quem mais perde é o próprio Flávio Bolsonaro. Sua candidatura, que começou com promessas de continuidade do legado bolsonarista, agora enfrenta o desgaste de uma crise familiar que não consegue controlar.

Homeschooling volta ao debate no Senado

Enquanto a crise familiar dos Bolsonaros ocupa os bastidores, outra pauta cara ao governo anterior volta a movimentar o campo de conflitos entre direita e esquerda no país. O projeto de lei que quer facilitar a educação domiciliar de crianças e adolescentes em idade escolar — o homeschooling — ressurgiu no Senado, onde estava parado desde 2022.

A proposta havia sido aprovada na Câmara dos Deputados durante o governo Bolsonaro, gerando um debate estrondoso sobre os prós e contras deste tipo de ensino. Agora, a oposição no Senado apresentou um pedido de urgência para destravar a votação da matéria naquela casa.

O homeschooling é uma das principais bandeiras do bolsonarismo, representando a liberdade de escolha das famílias sobre a educação dos filhos. Defensores argumentam que permite personalização do ensino e respeita a autonomia parental. Críticos apontam riscos de isolamento social, falta de socialização adequada e possibilidade de negligência educacional.

A volta do tema ao debate legislativo, em um momento de crise política para os Bolsonaros, pode servir como uma tentativa de resgatar a agenda conservadora e mobilizar a base. No entanto, com Flávio enfraquecido nas pesquisas e Michelle afastada da política, a capacidade de mobilização do grupo diminui significativamente.

Antônio Denarium fora da disputa em Roraima

Enquanto a crise bolsonarista se desenrola no Rio de Janeiro, em Roraima outro nome ligado ao grupo enfrenta obstáculos intransponíveis. O ex-governador Antônio Denarium (PP) foi declarado inelegível por 8 anos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que ratificou decisão anterior em que sua chapa foi cassada pela Justiça Eleitoral por compra de votos nas eleições de 2022.

A inelegibilidade de Denarium muda completamente o cenário para a disputa ao Senado por Roraima. Novos nomes poderão se ver com chances de empreender a candidatura, abrindo espaço para outras lideranças políticas no estado. A decisão do TSE é definitiva e não cabe recurso, fechando a porta para qualquer possibilidade de candidatura do ex-governador.

Leandro Grass celebra aniversário com festa julina em Brasília

Longe dos conflitos que marcam a política fluminense, o pré-candidato ao Governo do Distrito Federal, Leandro Grass (PT), vai comemorar seu aniversário com uma grande festa julina no próximo dia 4 de julho, em um clube em Brasília. A entrada é gratuita e o objetivo, segundo ele, é reunir amigos e apoiadores para uma grande celebração.

"Não poderia deixar passar sem receber o abraço de quem tem me dado tanto suporte para os desafios que vamos enfrentar pelo bem do DF", afirmou Grass. A festa julina é uma estratégia política comum em campanhas: aproximar o candidato do eleitor em um ambiente descontraído, reforçar vínculos e mobilizar apoiadores.

Grass, ex-deputado distrital pelo PT, constrói sua campanha em torno de pautas sociais e desenvolvimento do Distrito Federal. A festa julina, tradicional na cultura brasileira, serve como ferramenta de aproximação com o eleitorado e reforço de sua imagem como político próximo do povo.

O Plano Real completa 32 anos de estabilidade

Neste 1º de julho de 2026, o Plano Real completa 32 anos de implantação, consolidando-se como uma das principais moedas brasileiras e um marco na história econômica do país. Implantado no governo de Itamar Franco, em 1994, o plano foi a principal peça política para a ascensão e eleição do então presidenciável Fernando Henrique Cardoso.

O Plano Real representou uma ruptura com a hiperinflação que assolava o Brasil. Antes de sua implementação, a inflação acumulada em 12 meses chegava a 5.000%. A criação da Unidade Real de Valor (URV) como moeda de transição e, posteriormente, a introdução do Real como moeda oficial, trouxe estabilidade econômica que permitiu o crescimento e o desenvolvimento do país.

Desde sua implantação, muitas águas rolaram debaixo dessa ponte. Crises econômicas, cenários prósperos, mudanças de governo e transformações estruturais marcaram os 32 anos de existência do Real. A moeda, que começou com paridade de 1:1 com o dólar, sofreu desvalorizações, revalorizações e ajustes conforme as dinâmicas econômicas globais e domésticas.

Hoje, o Real é uma moeda consolidada na economia brasileira, símbolo de estabilidade e referência para transações comerciais. Sua longevidade é notável em um país que viveu múltiplas crises econômicas e mudanças de regime monetário. O Plano Real permanece como um dos maiores sucessos de política econômica da história brasileira contemporânea.

Biografia

Michelle Bolsonaro de Paula nasceu em São Paulo, em 16 de abril de 1982. É formada em Educação Física e construiu carreira como professora antes de ingressar na vida pública. Casada com Jair Bolsonaro desde 2007, foi primeira-dama do Brasil entre 2019 e 2022, período em que se destacou por atuação em pautas ligadas à família, educação e valores conservadores. Presidiu o PL Mulher desde 2022, consolidando-se como uma das principais lideranças femininas do partido. Mãe de três filhos, é conhecida por sua atuação nas redes sociais, onde acumula milhões de seguidores. Sua trajetória política é marcada pela defesa de pautas conservadoras e pela proximidade com a base evangélica do país.

Fontes:

O Globo — "Michelle Bolsonaro renuncia à presidência do PL Mulher" (30/06/2026) | Agência Brasil — "Pesquisa AtlasIntel mostra rejeição de 53% a Flávio Bolsonaro" (01/07/2026) | Veja — "Crise familiar dos Bolsonaros afeta pré-campanha de Flávio" (28/06/2026) | G1 — "Homeschooling volta ao debate no Senado" (29/06/2026) | TSE — "Antônio Denarium é declarado inelegível por 8 anos" (15/06/2026) | Correio Braziliense — "Leandro Grass anuncia festa julina em Brasília" (25/06/2026) | Banco Central do Brasil — "Plano Real completa 32 anos" (01/07/2026) | Wikipedia — Michelle Bolsonaro | Wikipedia — Flávio Bolsonaro | Wikipedia — Plano Real

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Por Jornal da República em 01/07/2026
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