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Em uma sessão marcada por forte tensão diplomática neste 25 de março, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução histórica que classifica o tráfico transatlântico de africanos como o crime mais grave contra a humanidade. A vitória política do bloco africano, no entanto, foi contrastada pelo voto contrário de Estados Unidos, Israel e Argentina.
A aprovação ocorre no Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e representa o ápice de uma ofensiva diplomática liderada por Gana. Com 123 votos favoráveis, o texto não apenas reconhece o horror secular, mas abre as portas para exigências de reparações financeiras, pedidos formais de desculpas e a devolução de artefatos saqueados — pontos que fundamentaram a resistência de Washington e de ex-metrópoles coloniais como Reino Unido e Portugal, que optaram pela abstenção.
Para o Sul Global, o desfecho da votação é um divisor de águas: é a primeira vez que o plenário da ONU isola as potências ocidentais em uma questão de responsabilidade histórica direta. O argumento americano de que a medida cria uma “hierarquia de crimes” é lido por analistas como uma manobra jurídica para blindar o Tesouro dos EUA contra processos bilionários de indenização aos descendentes das 12,5 milhões de pessoas escravizadas.
O isolamento de Washington e o “Não” de Milei
A oposição dos Estados Unidos já era esperada, mas o alinhamento de Israel e da Argentina de Javier Milei ao voto negativo consolidou um bloco de resistência conservadora na ONU. O embaixador americano, Dan Negrea, utilizou um tom ríspido ao classificar a resolução como um “uso cínico” da história para justificar redistribuição de recursos modernos. Na visão da Casa Branca, as gerações atuais não podem ser oneradas por crimes cometidos há séculos.
A Argentina, seguindo a nova diretriz de política externa de seu governo, afastou-se do consenso latino-americano para se posicionar ao lado dos EUA. Enquanto isso, na Europa, a estratégia foi o silêncio obsequioso: Reino Unido, Espanha e Portugal — nações que mais lucraram com o tráfico negreiro — abstiveram-se, argumentando que a resolução coloca a escravidão em um patamar “superior” ao Holocausto ou outros genocídios modernos.
Via Diario Carioca
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