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Pesquisa Gerp aponta a ex-governadora com 45% na soma dos votos, enquanto a segunda vaga segue em disputa acirrada entre Portinho, Jordy, Pedro Paulo e Crivella

O retrato da disputa pelo Senado
A poucos dias do primeiro turno, marcado para este domingo, 4 de outubro, a pesquisa Gerp Mercadologia traça um retrato detalhado da disputa pelas duas vagas do Rio de Janeiro no Senado. O levantamento, realizado entre 29 e 30 de setembro, ouviu 1.200 eleitores por telefone e tem margem de erro de 2,9 pontos percentuais, com nível de confiança de 95,55%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RJ-02100/2026.
Os números consolidam uma tendência que vem se repetindo em diferentes institutos na reta final. O Datafolha, divulgado em 24 de setembro, já havia mostrado Benedita da Silva (PT) com 19% das intenções de voto, à frente de Carlos Jordy e Carlos Portinho, ambos com 12%. A pesquisa Gerp, porém, traz um recorte mais completo, que soma o primeiro e o segundo voto e revela a dimensão do favoritismo da petista.
Benedita domina a soma dos votos
No cenário estimulado para o Senado, Benedita da Silva lidera com folga, somando 45% na junção do primeiro e do segundo voto. Carlos Portinho aparece com 27%, seguido de perto por Carlos Jordy, com 24%. Pedro Paulo soma 20%, Marcelo Crivella, 19%, e Monica Benicio registra 13%.

No primeiro voto, a liderança de Benedita é ainda mais expressiva. A candidata do PT marca 35%, muito à frente de Jordy, que registra 18%, e de Portinho, com 12%. O desempenho confirma a força da ex-governadora entre o eleitorado fluminense, que a conhece desde a década de 1980, quando participou da Assembleia Constituinte.
O reconhecimento é um trunfo decisivo. Segundo a pesquisa, Benedita cresce especialmente na região metropolitana do Rio, onde o conhecimento do seu nome ultrapassa 80%. A trajetória construída ao longo de mais de quatro décadas de vida pública a coloca em posição confortável, com penetração tanto entre o eleitorado mais pobre quanto entre as mulheres e a população negra.
A disputa acirrada pela segunda vaga
Se a primeira vaga tende a ser de Benedita, a segunda cadeira é a grande incógnita da eleição. No segundo voto, o cenário se inverte: Portinho aparece com 15%, Pedro Paulo com 12%, e Benedita, Monica Benicio e Crivella empatam com 10% cada. Jordy, que lidera o primeiro voto entre os adversários, perde força no segundo.
Na soma dos votos, Portinho e Jordy estão separados por apenas 3 pontos percentuais, diferença acima do valor crítico de 2 pontos, mas ainda dentro de uma margem que permite movimentação. Pedro Paulo e Crivella seguem próximos, com 20% e 19%, e mantêm chance real de reverter o quadro na reta final.
O cenário fragmentado é reforçado pela indecisão. No segundo voto, 30% dos eleitores não indicam um nome: 20% não sabem em quem votar e 9% dizem "nenhum deles". Esse contingente representa espaço considerável para mudanças até a votação, o que mantém a segunda vaga em aberto e transforma os últimos dias de campanha em um momento decisivo.
O contexto da corrida no estado
A disputa pelo Senado acontece em um cenário político movimentado no Rio. Na corrida pelo governo, Eduardo Paes (PSD) lidera com 42% das intenções de voto, seguido por Douglas Ruas (PL), com 34%, segundo a mesma pesquisa Gerp. No plano presidencial, Flávio Bolsonaro aparece à frente de Lula no estado, com 44% contra 37%.
O desempenho de Benedita, no entanto, atravessa a polarização nacional. A candidata do PT consegue manter a liderança mesmo em um estado onde o campo bolsonarista é forte, o que evidencia a força do seu nome próprio e da sua história. A combinação entre reconhecimento, trajetória e capilaridade nas comunidades a torna um caso raro de candidato com apelo transversal.
O que os números indicam para o dia 4 de outubro
A pesquisa Gerp aponta Benedita da Silva como favorita absoluta para uma das duas vagas do Rio no Senado. A dúvida que resta é quem ocupará a segunda cadeira. Portinho, Jordy, Pedro Paulo e Crivella seguem em disputa, e o alto índice de indecisão no segundo voto deixa espaço para surpresas.
Com 1.200 entrevistas e margem de erro de 2,9 pontos, o levantamento se soma a uma sequência de pesquisas que apontam na mesma direção. A liderança de Benedita é consistente e estável, mas a definição da segunda vaga deve se concentrar nos últimos dias de campanha, em um cenário que combina polarização, fragmentação e um eleitorado ainda em movimento.
Sobre Benedita da Silva
Benedita Souza da Silva Sampaio nasceu no Rio de Janeiro, em 26 de abril de 1942, e construiu uma das trajetórias mais emblemáticas da política brasileira. Foi a primeira mulher negra a ocupar os cargos de vereadora do Rio, deputada na Assembleia Constituinte de 1988, senadora e governadora do estado. Em 1994, tornou-se a primeira mulher negra eleita senadora no Brasil, e chegou a comandar o Palácio Guanabara em 2002.
Ao longo da carreira, foi ministra da Secretaria Especial de Trabalho e Assistência Social no primeiro governo de Lula e coordenadora da Bancada Feminina da Câmara. Em seu quinto mandato como deputada federal, é reconhecida pela defesa dos direitos das mulheres, da população negra e dos moradores de favelas. Aos 84 anos, Benedita busca voltar ao Senado, onde já ocupou uma cadeira entre 1995 e 1998, com a força de uma história que atravessou gerações.
Por Ralph Lichotti
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