'Feito por Italiocas': licores artesanais do Leblon misturam descendência italiana com o Morro Dois Irmãos

Leandro produz em Friburgo, distribui do Leblon e fornece a restaurantes da Zona Sul; linha tem limão, laranja Bahia e tangerina, com processo de maceração de 10 dias

O produtor Leandro, à frente da marca de licores artesanais apresentada no Circuito Gourmet Internacional de Chefs — O Mundo à Mesa, foi entrevistado no Rio Othon Palace, em Copacabana. O evento, realizado pela ABRACHEFS-RJ em conjunto com o Circuito Gourmet Internacional de Chefs e apoio do Lab Criativo, ocupou o hotel nos dias 31 de outubro e 1º de novembro de 2026.

A conversa começou pelo rótulo, e o rótulo tem história. "Feito por Italiocas — a gente mora perto do Morro Dois Irmãos, eu e minha esposa somos descendentes de italianos. A gente utilizou o Morro Dois Irmãos com a bandeira da Itália, por isso feito por italiocas."

A linha de três produtos

A apresentação do portfólio seguiu a ordem de lançamento. "Limoncello, nosso carro-chefe, foi o primeiro produto a ser lançado. Estamos há cinco anos com esse produto. Posteriormente lançamos o Arancello, que é o de laranja Bahia importada, e o Mandarinello, que é o de tangerina importada."

Os três nomes seguem a tradição italiana dos licores cítricos: limoncello, arancello (de laranja) e mandarinetto/mandarinello (de tangerina). A diferença está na fruta usada como base — e aqui vale uma distinção técnica feita pelo próprio produtor.

O método: só a casca, e por quê

A explicação do processo foi a parte mais precisa da entrevista. "É um processo no qual a gente utiliza o álcool de cereais neutro com o descasque desses cítricos, utilizando somente a parte externa dessa fruta para extrair o óleo essencial de cada uma delas."

A escolha da casca não é estética — é química. O óleo essencial responsável pelo aroma dos cítricos fica no flavedo, a camada mais superficial da casca. Já o albedo, a parte branca logo abaixo, concentra compostos amargos. Retirar apenas a superfície é o que separa um licor aromático de uma bebida adstringente.

O restante da fórmula é enxuto. "Com isso a gente traz coloração, sabor e aroma junto com água e açúcar. Somente são esses os ingredientes para qualquer cítrico que a gente utiliza."

Etapa Processo
1. Extração Descasque apenas do flavedo (parte externa) dos cítricos
2. Maceração Álcool de cereais neutro em contato com as cascas
3. Formulação Água e açúcar — sem corantes ou aromatizantes
4. Filtragem Retirada de resíduos sólidos
5. Polimento Clareamento e estabilização visual
6. Engarrafamento Envase do produto finalizado
Duração total Cerca de 10 dias

Onde é feito e para onde vai

A operação tem geografia bem definida. "A empresa tem um pouco mais de cinco anos. A gente fabrica em Friburgo, aluga um espaço para poder produzir tudo isso, e distribui aqui a partir do Leblon.

A gente fornece para vários restaurantes aqui da Zona Sul, pessoa física."

O arranjo revela uma lógica de pequena indústria: produção em região serrana, onde o custo de galpão é menor, e distribuição a partir do bairro de maior ticket da cidade.

É o mesmo modelo adotado por boa parte das cervejarias artesanais fluminenses e Nova Friburgo é, de fato, o segundo município do estado em número de cervejarias registradas, com 15 estabelecimentos e 10,9 mil litros de produção média por cervejaria, atrás apenas de Petrópolis, também com 15.

O mercado que sustenta a aposta

Os licores viveram uma retomada recente no Brasil. A categoria cresceu 5,83% em 2025, e os licores cremosos avançaram cerca de 25% em 2024. O motor dessa expansão é o coquetel: o Limoncello Spritz virou fenômeno de consumo na Europa e chegou ao Brasil puxando a categoria.

Há também um movimento estrutural que favorece produtores artesanais. O Brasil tinha 1.538 estabelecimentos produtores de destilados registrados em 2025, segundo o Ministério da Agricultura, e a valorização do produto local colocou bebidas regionais em cartas de bares e restaurantes antes dominadas por importados.

Indicador Dado
Crescimento da categoria licores (2025) 5,83%
Crescimento de licores cremosos (2024) ~25%
Produtores de destilados registrados no Brasil (2025) 1.538
Cervejarias registradas em Nova Friburgo 15

O dado sobre destilados artesanais tem um detalhe que interessa a quem produz: Minas Gerais lidera com 564 estabelecimentos e 2.922 produtos registrados. O Rio de Janeiro ainda tem espaço — e é nessa lacuna que marcas pequenas com identidade regional conseguem se firmar.

O diferencial que não está na garrafa

A produção de licor artesanal não exige equipamento industrial caro: demanda fruta de qualidade, álcool neutro, controle de tempo de maceração e paciência. A barreira de entrada é baixa, o que explica a quantidade de produtores caseiros no país.

O que separa um deles do outro é outra coisa. No caso da marca de Leandro, é o rótulo — a história do Morro Dois Irmãos com a bandeira italiana, a origem familiar, o nome que só faz sentido no Rio. Em uma prateleira com cinco limoncellos, esse é o argumento que decide a compra.

Onde encontrar

O canal foi informado de forma direta: @patrialolicor no Instagram, com distribuição a partir do Leblon e fornecimento a restaurantes da Zona Sul.

Bio de Leandro, da Pátria Licor

Leandro é fundador da Pátria Licor, marca carioca de licores cítricos artesanais que carrega no rótulo o slogan "Feito por Italiocas" — fusão entre a descendência italiana dele e da esposa e o endereço onde vivem, junto ao Morro Dois Irmãos, no Rio de Janeiro.

Com mais de cinco anos de operação, a marca construiu uma linha de três produtos que segue a tradição italiana dos licores de casca: Limoncello (carro-chefe e primeiro lançamento), Arancello (laranja Bahia importada) e Mandarinello (tangerina importada).

O método de produção é deliberadamente enxuto e transparente: álcool de cereais neutro em maceração apenas com a parte externa dos cítricos o flavedo, onde se concentra o óleo essencial responsável pelo aroma, somado a água e açúcar, sem corantes ou aromatizantes.

Depois vêm filtragem, polimento e engarrafamento, em um ciclo total de cerca de 10 dias. A fabricação ocorre em espaço alugado em Nova Friburgo, na região serrana, e a distribuição parte do Leblon, abastecendo restaurantes da Zona Sul, clientes pessoa física e eventos gastronômicos.

Sua aposta se sustenta em um mercado em retomada: a categoria de licores cresceu 5,83% em 2025 no Brasil, impulsionada pelo fenômeno do Limoncello Spritz, e a valorização de destilados nacionais abriu espaço para produtores artesanais em cartas de bares e restaurantes.

Em novembro de 2026, apresentou a linha como expositor no Circuito Gourmet Internacional de Chefs — O Mundo à Mesa, realizado pela ABRACHEFS-RJ no Rio Othon Palace, em Copacabana. Instagram: @patrialolicor.

Por Robson Talber, @robsontalber, repórter Henrique Pianta, @piantahp.

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Por Jornal da República em 04/11/2026
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