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Com Hélio Negão pedindo 22 e anistia para todos os presos do 8 de janeiro, ao lado, Flávio Bolsonaro que encerra campanha na Barra
Hélio Negão, derrotado ao Senado em Roraima há três semanas, volta ao palco ao lado do candidato do PL para pedir voto e defender perdão aos presos do 8 de janeiro; ato termina em frente ao condomínio de Jair Bolsonaro

A véspera do segundo turno levou Flávio Bolsonaro (PL) ao endereço mais simbólico do bolsonarismo. Depois de percorrer a Avenida Brasil em trio elétrico pela manhã, em Belo Horizonte, o senador desembarcou na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, onde a concentração começou às 14h. Por volta das 14h30, o público ocupava a praça e as pistas da orla ao longo de um quarteirão. A carreata seguiu pela região com trajeto previsto até a frente do condomínio onde morou o ex-presidente Jair Bolsonaro, no mesmo bairro.
O governador eleito do Rio, Douglas Ruas (PL), acompanhou a mobilização. O ato integra o "Bloco do 22", formato criado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e replicado nas duas cidades no mesmo dia. Em Minas, Flávio não discursou e embarcou para o Rio logo após a motociata. À tarde, na orla carioca, o tom mudou: o palco foi montado para falar de presos, de perdão e de faixa presidencial.

Hélio Negão: o retorno ao palco depois da derrota
Entre os que subiram ao trio estava o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ), 57 anos, conhecido como Hélio Negão e registrado nas urnas de 2018 como Hélio Bolsonaro. Ele foi o parlamentar mais votado do Rio naquele ano, com 345.234 votos, e se reelegeu em 2022. Em 2026, transferiu o título para Roraima a pedido do ex-presidente e disputou o Senado — terminou em quinto lugar, com 79.038 votos (12,97%), sem o sobrenome Bolsonaro na urna.
A derrota eleitoral não o afastou do palco. Nascido em Queimados, na Baixada Fluminense, subtenente do Exército na reserva e evangélico, Negão construiu a carreira pública como a figura mais constante ao lado de Jair Bolsonaro desde 2018, tratado pelo ex-presidente como "amigo e irmão de uma vida". Foi ele quem, na campanha daquele ano, ajudou a transformar a proximidade com o então candidato em capital eleitoral próprio.
No ato da Barra, sua fala foi direta ao ponto que a campanha escolheu como encerramento. Defendeu a anistia para o ex-presidente e, no mesmo movimento, para todos os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 que considera presos injustamente. Questionado sobre a chance de Flávio empossar o pai, respondeu que acredita e pediu que o eleitor acreditasse também: Flávio subiria a rampa com Jair Bolsonaro, e a faixa seria colocada pelo pai no filho.
A anistia como eixo da campanha
O tema não é improviso de véspera. Flávio sustenta a anistia desde o início da pré-campanha. Em julho, prometeu que os condenados pelo 8 de janeiro seriam "anistiados" e "honrados", e que subiriam a rampa com ele. Em setembro, foi além e disse que, sem anistia aprovada no Congresso, concederia indulto a todos durante a transição de governo. Em outubro, repetiu em atos públicos e ao lado de Michel Bolsonaro que o pai estaria em sua posse e passaria a faixa.
A diferença jurídica entre os dois instrumentos importa. A anistia é lei aprovada pelo Congresso, que apaga o crime e extingue a punibilidade de forma ampla. O indulto é decreto presidencial, previsto na Constituição, de alcance coletivo, mas com efeitos mais limitados e sujeito a controvérsia sobre sua aplicação a condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, chegou a afirmar que a medida viria no primeiro dia de um eventual governo. Já o ministro Kassio Nunes Marques, relator de uma ação que pede a soltura do ex-presidente, indicou disposição de julgar o caso após o segundo turno. O caminho curto para a posse de Flávio, portanto, dependeria de decisão judicial — e o caminho longo, de maioria no Legislativo.
O que diz o processo contra os condenados
O Supremo Tribunal Federal chegou a 1.402 condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, segundo balanço do gabinete do ministro Alexandre de Moraes divulgado em abril. As penas se distribuem em 431 prisões, 419 penas alternativas e 552 acordos de não persecução penal. A maior punição foi imposta a Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses, que cumpre pena em regime domiciliar desde março por problemas de saúde.
Em janeiro, o STF informou que 179 envolvidos estavam presos, entre eles 114 em regime fechado após condenação definitiva. Um relatório de abril apontou 413 presos preventivamente e 111 em regime fechado. Em abril, o Congresso derrubou veto presidencial e abriu a possibilidade de redução de penas pelo 8 de janeiro, com progressão após o cumprimento de um sexto da pena em caso de bom comportamento — mudança que, segundo o Senado, alcança até quem já foi condenado em definitivo.
É nesse quadro que a campanha de Flávio constrói a narrativa de perseguição política. A versão dos fatos, porém, é disputada: as condenações foram proferidas por decisão colegiada do Supremo, e organizações de defesa da democracia rejeitam publicamente a anistia, como mostrou o ato da Cinelândia em 8 de janeiro deste ano.
"O calendário vai voltar"
No palco da Barra, o discurso ganhou tom de contagem regressiva. A tese apresentada é a de que a eleição de domingo inverte o relógio da política brasileira — a ideia de que o calendário retorna ao 22, número do PL, e de que o país volta ao ponto anterior ao que o grupo chama de perseguições. O pedido final foi enfático: apertar 22 e confirmar.
Sobre Lula, a avaliação repetida foi a de que o presidente nunca governou de fato, e de que a vitória petista em 2022 decorreu de equívoco do eleitor. O argumento serve de justificativa para a própria aposta: se o resultado anterior foi um erro, a correção estaria na urna de domingo.
As pesquisas, no entanto, não permitem a leitura de favoritismo. O Datafolha de 22 de outubro mostrou Flávio com 47% e Lula com 46%, empate técnico, e 50% a 50% em votos válidos. O Quaest de 21 apontou 45% a 44%, com indecisos em 2% e brancos e nulos em 9%. O Atlas de 19 registrou 49,8% a 47,6%. No primeiro turno, Flávio teve 56.104.268 votos (47,03%) contra 53.876.617 de Lula (45,16%).
O encerramento em frente ao condomínio
A escolha de terminar o percurso diante da casa da família, na Barra, fecha um ciclo aberto em 2018, quando aquele endereço virou ponto de aglomeração espontânea de apoiadores. Para a campanha, é o cenário que combina memória afetiva, continuidade política e o pedido que Hélio Negão traduziu em uma frase: que o pai volte a subir a rampa — desta vez, para entregar a faixa ao filho.
O voto é domingo, dia 25. Flávio vota no Rio e segue para Brasília para acompanhar a apuração. O calendário, como disse o palco, será decidido nas urnas antes de qualquer decreto.
Bio — Hélio Fernando Barbosa Lopes (Hélio Negão)
Hélio Fernando Barbosa Lopes nasceu em 28 de março de 1969, em Queimados, na Baixada Fluminense, e foi criado no Morro do Tempero, em Austin, em Nova Iguaçu. Subtenente do Exército na reserva, evangélico, casado e pai de quatro filhos, trabalhou na adolescência recolhendo restos de comida na vizinhança para ajudar a família. Filiou-se ao PSL em 2018 e, na esteira da eleição de Jair Bolsonaro, foi o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro, com 345.234 votos, usando o nome de urna "Hélio Bolsonaro" e se apresentando como amigo e irmão de uma vida do ex-presidente. Reelegeu-se em 2022 pelo PL e atuou como vice-líder do partido e da oposição na Câmara. Em 2026, transferiu o título eleitoral para Roraima a pedido de Bolsonaro e disputou o Senado, obtendo 79.038 votos (12,97%) e a quinta colocação. Declarou R$ 36 mil em bens. Segue como uma das vozes mais fiéis do bolsonarismo na defesa da anistia aos condenados pelo 8 de janeiro e da volta de Jair Bolsonaro à vida pública.

Por Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Doutor Honoris Causa em Direito e Ciências Políticas, Acadêmico da ABRASCI , Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber
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