Há 40 anos, 5 caças F-5 e Mirage da FAB perseguiram 21 OVNIs sobre o litoral de SP: o relato completo da Noite Oficial dos Óvnis

Em 19 de maio de 1986, radares do Cindacta detectaram pelo menos 21 objetos voadores não identificados em quatro estados brasileiros, três voos comerciais relataram avistamentos e cinco caças da Aeronáutica decolaram para interceptação em uma operação que o então ministro da Aeronáutica classificou como tecnicamente sem explicação

Há 40 anos, 5 caças F-5 e Mirage da FAB perseguiram 21 OVNIs sobre o litoral de SP: o relato completo da Noite Oficial dos Óvnis

Força Aérea Brasileira completa, neste maio, 40 anos do episódio operacional mais incomum de sua história moderna. Na noite de 19 de maio de 1986, cinco caças da Aeronáutica, entre F-5 e Mirage, decolaram em estado de alerta para perseguir 21 objetos voadores não identificados detectados por radares militares no espaço aéreo brasileiro, em um evento que ficou registrado pelo próprio comando da FAB e ganhou o apelido de “Noite Oficial dos Óvnis”.

Como a Noite Oficial dos Óvnis começou no litoral paulista

O primeiro alerta veio às 18h daquele dia. O controlador de voo Sergio Mota da Silva, então com 28 anos, estava sozinho na torre de controle do aeroporto de São José dos Campos gerenciando a decolagem de uma aeronave da extinta Rio-Sul, quando observou um objeto luminoso fora de qualquer padrão.

Em seguida acionou a torre de Guarulhos seguindo protocolo, e ali começou o intenso intercâmbio de informações entre controladores, pilotos comerciais, pilotos militares e a Defesa Aérea. Em uma das gravações em fita cassete preservadas, Sergio diz a Brasília que se tratava de um “festival de discos voadores”, relatando objetos que mudavam de cor entre vermelho, amarelo, azul e lilás.

No mirante da Ilha Porchat, em São Vicente, no litoral paulista, o então gerente da Embratel Luiz Silva, hoje com 72 anos, descreveu uma luz vermelha enorme cruzando o céu sobre o mar em direção à serra. Segundo relato dele ao Folhapress, era um “charutão vermelho” maior do que um Boeing, voando mais rápido do que um avião comercial mas perfeitamente visível. No dia seguinte, ele afirma ter encontrado no trabalho comunicados de navios via telex sobre o avistamento.

Três voos comerciais e o coronel Ozires Silva como testemunha

Três voos comerciais ou privados registraram avistamentos durante a noite. Em um deles, o então coronel Ozires Silva, fundador da Embraer e às vésperas de assumir a presidência da Petrobras no dia seguinte, voltava de Brasília em um Embraer Xingu de prefixo PT-MBZ após reunião com o presidente José Sarney.

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Acompanhado pelo comandante Alcir Pereira da Silva, Ozires foi informado pelo controlador sobre os objetos quando a aeronave já iniciava procedimentos de pouso entre São Paulo e Mogi das Cruzes. Os dois decidiram, por conta própria, subir novamente e perseguir três objetos por quase 30 minutos. Um deles foi descrito como “uma grande estrela vermelha”.

Em Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, cerca de 2.000 militares entre cadetes e oficiais da Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAR) testemunharam o fenômeno a olho nu ou com binóculos. Há também relatos do mesmo padrão de luzes na Argentina e no Uruguai naquela mesma madrugada.

A decolagem dos caças F-5 e Mirage e a perseguição supersônica

Com radares do Centro Integrado de Defesa Aérea e de Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta) captando até 21 objetos, alguns medindo aproximadamente 100 metros de diâmetro, a Defesa Aérea ordenou a decolagem de cinco caças.

Os interceptadores partiram da Base Aérea de Anápolis, em Goiás, sede dos Mirage III do 1º Grupo de Defesa Aérea, e da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, onde estavam baseados os F-5E do 1º Grupo de Aviação de Caça.

Os relatórios desclassificados da FAB, atualmente disponíveis no acervo público do Arquivo Nacional, descrevem cenários quase idênticos para cada um dos pilotos.

Em um dos interceptos partindo de Anápolis, o piloto obteve contato por radar a 2 milhas náuticas do alvo, sem contato visual, e relatou que o objeto se afastava em velocidade superior à do caça mesmo com o interceptador em regime supersônico.

O documento aponta que a velocidade do alvo variava de forma a permitir aproximação e em seguida fuga repentina, o que provocou perda de contato.

Em outro voo, partindo de Santa Cruz, o piloto do F-5 identificou 13 objetos enfileirados à cauda da aeronave sem que estes aparecessem no radar de bordo, executou manobra de 180 graus para confrontá-los e nada encontrou.

Em uma das perseguições conduzidas a partir de Anápolis, o piloto chegou a calcular que o alvo desapareceu de seu campo de detecção a velocidade superior a 18 mil km/h, número muito acima da capacidade operacional conhecida de qualquer aeronave da época.

A coletiva histórica do brigadeiro Moreira Lima

Quatro dias depois, em 23 de maio de 1986, o então ministro da Aeronáutica, brigadeiro Octávio Júlio Moreira Lima, convocou coletiva de imprensa para informar oficialmente que cinco caças da Força Aérea Brasileira haviam perseguido 21 objetos voadores não identificados sobre o território nacional.

Sua frase entrou para a história da aviação militar brasileira: tecnicamente, ele afirmou aos jornalistas, não havia explicação.

Os documentos da FAB classificam os objetos como sólidos e como tendo demonstrado o que o relatório descreveu como reflexão de inteligência, em razão da capacidade de acompanhar trajetórias dos observadores, manter distância em relação aos caças e voar em formação organizada.

Cientistas consultados pela imprensa na época alegaram falta de dados para definir o fenômeno.

O presidente da Comissão Brasileira de Ufólogos, Marco Antonio Petit, sintetiza o que mais impressionou os oficiais superiores da FAB: sempre que um piloto mudava trajetória, acelerava ou reduzia, os objetos faziam o mesmo movimento no mesmo instante.

Por Jornal da República em 07/06/2026
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