Ingoo leva ao franchising um modelo de power bank compartilhado com 2 mil pontos e payback de 14 meses

Representante da rede na Expo Franchising ABF Rio explica a operação que já atende Rock in Rio, The Town e Lollapalooza e agora busca parceiros nas 92 cidades do estado

A Ingoo Powerbank esteve na Expo Franchising ABF Rio 2026, no Riocentro, na Barra Olímpica, em busca de novos parceiros para expandir a operação de aluguel de baterias portáteis no estado do Rio de Janeiro.

A feira acontece entre 5 e 7 de novembro, reúne cerca de 100 marcas expositoras e espera mais de 15 mil visitantes.

Leonardo Cintra, representante da rede, apresentou o modelo ao Jornal da República e ao Última Hora. A empresa está no Brasil desde 2024 e já opera com cerca de 1.800 a 2 mil pontos de aluguel, com presença consolidada em grandes eventos.

O modelo, em uma frase

A mecânica é simples e é o que sustenta a escala. O usuário se aproxima de uma estação, faz a locação pelo aplicativo, retira o power bank e devolve em qualquer ponto da rede.

"O power bank ele tem todo o modelo com todas as entradas de telefone. Então a pessoa tem esse modelo. Eu tenho um mini, que é um pouquinho menor — as mulheres gostam muito, elas conseguem colocar dentro da bolsa."

A engenharia do equipamento explica o apelo. Os aparelhos têm 6.000 mAh e três cabos integrados, cobrindo praticamente todos os smartphones do mercado — eliminação de fricção que define se o usuário conclui ou abandona a locação.

Onde a rede já está

A carteira de eventos da empresa funciona como argumento de credibilidade. Segundo a própria Ingoo, a marca está ou esteve presente no Rock in Rio, The Town, Lollapalooza, Rio Innovation Week, Tardezinha e no Carnaval da Sapucaí — incluindo 15 espaços na Marquês de Sapucaí em 2026.

Em eventos, o comportamento de consumo muda de escala. A própria empresa registra picos de 3 a 5 vezes mais uso durante festivais, e um aumento de 140% no uso em eventos comparado ao fluxo regular.

Indicadores da Ingoo Número
Pontos ativos mais de 2.000
Acessos totais 3,2 milhões
Membros cadastrados mais de 100 mil
Receita de aluguel gerada a parceiros mais de R$ 2,3 milhões
Pessoas impactadas por dia mais de 200 mil
Cidades com operação Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte
Capacidade do power bank 6.000 mAh, 3 cabos integrados
Aumento de uso em eventos até 140%

O investimento e o retorno

A proposta apresentada na feira parte de R$ 70 mil de investimento inicial, com payback estimado em torno de 14 meses — prazo que, segundo o representante, depende da mídia veiculada nas máquinas e da qualidade dos pontos escolhidos.

"Com investimento a partir de R$ 70 mil, a pessoa consegue ter um payback, dependendo da mídia que esteja nas máquinas e dos locais que ela consiga colocar, em 14 meses já consegue trazer de volta o dinheiro investido."

O prazo é competitivo dentro do franchising. Para comparação, redes de alimentação tradicionais trabalham com retorno entre 18 e 36 meses, e modelos como Chiquinho Sorvetes e The Best Açaí projetam entre 22 e 36 meses. Um payback de 14 meses em um negócio de baixo custo operacional é o principal argumento comercial da marca.

O ponto que não exige loja

A parte mais interessante da entrevista foi a resposta sobre quem pode investir. O modelo dispensa ponto comercial próprio.

"Você que é dono de um restaurante, dono de um bar, de lugares que têm um movimento, um certo fluxo de pessoas, a gente consegue fazer investimento dentro do estabelecimento. A gente entende o negócio e vai entender qual é o melhor modelo de negócio a ser aplicado."

A lógica de partnership domina a operação. O estabelecimento recebe o equipamento sem custo de instalação — a Ingoo assume equipamento, logística e manutenção — e passa a receber um percentual mensal de todas as transações, aluguéis e vendas realizadas naquela estação.

Para o dono de bar ou restaurante, isso significa receita passiva com zero investimento e um efeito colateral valioso: aumento do tempo de permanência do cliente no estabelecimento. Quem está com o celular carregando pede mais uma bebida.

A camada de mídia que muda a conta

O modelo da Ingoo não é apenas de locação de bateria. As estações são, também, mídia digital out-of-home (DOOH) — com uma máquina de 40 slots equipada com tela publicitária.

É aí que o retorno de 14 meses faz sentido. Além da receita de aluguel, o equipamento gera receita de publicidade, o que amplia a monetização do mesmo ativo físico.

O modelo é descrito pela empresa como uma fusão entre utilidade e mídia inteligente: o usuário precisa da carga, e enquanto espera recebe conteúdo de marca.

A tecnologia que veio de Guangzhou

A operação brasileira não foi construída do zero. A Ingoo adaptou ao mercado nacional a tecnologia de compartilhamento desenvolvida em Guangzhou, na China, cidade que concentra a cadeia produtiva global de dispositivos eletrônicos de consumo.

A importação do modelo responde a uma pergunta prática: por que o aluguel de power bank funciona? Porque o custo de não ter bateria é alto.

O usuário paga R$ 14,99 por hora para resolver um problema imediato — não faz uma compra planejada, faz uma compra de urgência.

A expansão para as cidades menores

O objetivo declarado na feira é claro: levar o modelo que já funciona na capital para o interior do estado e para fora dele.

"A gente tem uma presença já de mais ou menos 1.800 pontos. Agora a ideia é transportar esse tamanho de negócio para fora do Rio, para cidades menores."

A menção às 92 cidades do estado do Rio de Janeiro abre uma frente comercial específica. Municípios menores têm fluxo menor por ponto, mas também têm concorrência menor e custo de ocupação mais baixo — combinação que pode tornar o retorno mais previsível do que em áreas saturadas da capital.

O que o investidor deve pesar

O modelo tem apelo evidente e também pontos de atenção que merecem registro.

Do lado favorável: investimento baixo para o padrão do franchising, ausência de necessidade de ponto próprio, operação sem equipe (a estação é autônoma), receita dupla (aluguel e mídia) e suporte de marca consolidada no calendário de eventos.

Do lado do risco: o negócio depende de fluxo de pessoas no local escolhido — um ponto mal localizado não gera receita, independentemente da qualidade do equipamento. A receita de mídia, por sua vez, depende da capacidade comercial da franqueadora em vender espaço publicitário, e não apenas da instalação da máquina. Além disso, a durabilidade e a rotatividade dos aparelhos determinam o custo de reposição ao longo do contrato.

Para quem avalia a oportunidade em uma feira, a recomendação prática é solicitar os números reais de pontos semelhantes na região pretendida — não a média da rede.

Onde encontrar

A empresa está sediada no Rio de Janeiro, com informações e contato pelo site oficial ingoobrasil.com.br e pelas redes sociais da marca.

Bio da Ingoo Powerbank

A Ingoo é a maior rede de energia portátil compartilhada do Brasil, dedicada ao aluguel de power banks por meio de estações inteligentes instaladas em pontos de grande circulação.

Fundada com operação brasileira a partir de 2024, a empresa adaptou ao mercado nacional a tecnologia de compartilhamento desenvolvida em Guangzhou, na China, e hoje opera em Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, com expansão nacional em curso.

Sua rede soma mais de 2.000 pontos ativos, 3,2 milhões de acessos, mais de 100 mil membros cadastrados e mais de R$ 2,3 milhões em receita de aluguel já gerada a parceiros.

Os equipamentos têm 6.000 mAh e três cabos integrados, cobrindo todos os modelos de smartphone do mercado, e são retirados por QR Code, com devolução em qualquer ponto da rede.

A empresa consolidou reputação no setor de entretenimento ao operar no Rock in Rio, The Town, Lollapalooza, Rio Innovation Week, Tardezinha e no Carnaval da Sapucaí — incluindo 15 espaços na Marquês de Sapucaí em 2026. Em eventos, a busca pelo serviço registra picos de 3 a 5 vezes mais uso e aumento de 140% comparado ao fluxo regular.

Seu modelo de franquia combina duas fontes de receita sobre o mesmo ativo físico: a locação de baterias e a mídia digital out-of-home (DOOH) veiculada nas telas das estações, disponíveis nos formatos de 8, 20 e 40 slots.

O investimento inicial parte de R$ 70 mil, com payback estimado em cerca de 14 meses dependendo da localização e do volume de mídia.

Para estabelecimentos parceiros — bares, restaurantes, shoppings, hotéis, coworkings e condomínios — o equipamento é instalado sem custo, com logística e manutenção por conta da Ingoo, em troca de um percentual mensal sobre as transações.

Em novembro de 2026, participou da Expo Franchising ABF Rio com a meta declarada de ampliar a operação para fora da capital e alcançar as 92 cidades do estado do Rio de Janeiro.

Por Robson Talber @robsontalber

Repórter Antonio Lemos, @djportugues

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Por Jornal da República em 05/11/2026
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