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Vou pesquisar fontes reais sobre a Charque Golden, sua atuação no mercado e as práticas de gestão de pessoas citadas.# "O funcionário é o maior ativo da empresa": Rogéria Moreno transforma indústria de suínos em Nova Iguaçu com escolinha de alfabetização, capela e lavanderia de uniformes
Rogéria Moreno CEO da Charque Golden aposta em gestão humanizada em um setor de trabalho braçal e revela que metade do quadro é feminino — com história de colaboradora que saiu da limpeza para virar a primeira encarregada da produção
Os jornais Última Hora e Jornal da República estiveram na fábrica da Charque Golden, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, para conhecer de perto as iniciativas sociais e humanizadas da empresa. A conversa foi com Rogéria Moreno, CEO da indústria especializada em cortes suínos salgados e defumados.
"Essa iniciativa surgiu com a ideia de agregar mais os colaboradores da empresa", explicou. "Trabalhamos numa indústria de suínos salgados e defumados, tem uma característica muito de trabalho, muito trabalho braçal. Resolvi trazer essa parte mais social para a empresa, até mesmo para agregar mais os funcionários."
A escolinha que alfabetiza quem já trabalha
O projeto mais simbólico da casa funciona no contraturno. "São projetos internos, que é a escolinha para quem é funcionário e ainda não teve a alfabetização", revelou Rogéria. As aulas acontecem depois do expediente, sem prejuízo da jornada.
"Com muito orgulho eu falo sobre isso, e tem dado resultado", afirmou. A iniciativa ataca um problema estrutural brasileiro: segundo o IBGE, o país ainda concentra milhões de adultos que não concluíram a alfabetização, muitos deles já inseridos no mercado de trabalho formal em funções operacionais.
A capela que foi a primeira obra
Perguntada sobre o espaço religioso, a CEO revelou um dado que reposiciona a prioridade da empresa. "Para nós tem um significado muito maior, porque foi a nossa primeira obra realizada aqui. Assim que abrimos a Shark Golden, determinamos que construiríamos esse templo para ter um momento de acolhimento religioso, não só para nós, mas também para os funcionários."
A rotina inclui um encontro diário. "Nós nos reunimos todos os dias na primícia, no primeiro momento do trabalho, e no decorrer do dia eles têm total abertura para se recolher, se for a necessidade deles." A empresa também entrega uma Bíblia no momento da contratação.
A lavanderia que nasceu da norma, não do acaso
Sobre a lavanderia de uniformes, Rogéria corrigiu a premissa da pergunta. "Não é só uma ideia, é uma obrigatoriedade do programa de autocontrole, o PAC, que a gente pratica com orientação da fiscalização", explicou. O sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle é exigência sanitária para indústrias de alimentos de origem animal.
Mas a empresa foi além do mínimo. "Construímos a lavanderia e permaneceu para facilitar a vida dos funcionários. Compramos os uniformes, identificamos e montamos todo o equipamento adequado para que eles venham trabalhar, busquem o uniforme todos os dias e o deixem para no outro dia estar limpinho."
Cada colaborador tem cinco uniformes — um por dia útil. E há um detalhe que a reportagem verificou in loco: uma peça reservada para visitas e comemorações. "Trabalhando com alimentos, a gente tem que ter cuidado especial, mas eles se paramentam muito: EPI, avental, macacão. Às vezes o uniforme não fica tão adequado. Preferimos deixar um uniforme reservado para o momento que tenha uma comemoração ou visitação de um cliente."
Quatro refeições diárias, sem limite
A política alimentar é o eixo mais concreto do pacote de bem-estar. "Nós estamos lidando com pessoas, e pessoas requerem cuidado", justificou Rogéria. "Proporcionamos esse momento para mostrar que eles têm a oportunidade. Não é obrigatoriedade da empresa eles tomarem café, mas é uma oportunidade: chegam e encontram um pão, um leite, um café à vontade."
O padrão se repete nas demais refeições. "A refeição é servida à vontade, não tem limites para eles se servirem. Seguido do almoço, temos o lanche da tarde, também opcional e à vontade. Depois do lanche da tarde, para o segundo turno, também é servido o jantar."
E a CEO fechou o raciocínio com a lógica de gestão que sustenta o investimento: "A gente optou por fornecer a refeição para causar essa facilidade, do que eles terem que vir com uma marmita. Com isso eu tenho funcionário mais disponível para o trabalho e mais disposto também."
A oferta de cuidado com respaldo em pesquisa
A tese de Rogéria não é apenas convicção pessoal. O Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026, do Wellhub, com mais de 5 mil profissionais em dez países, aponta que 61% dos colaboradores com programas de bem-estar avaliam sua saúde geral como boa ou excelente — contra 40% entre os que não têm acesso a esses programas. E 89% afirmam ser mais produtivos quando priorizam saúde e bem-estar.
No setor frigorífico, a lógica se replica. A Certificação em Bem-Estar Único, exigida por grandes redes varejistas para homologação de fornecedores, demanda "transformação cultural interna, monitoramento constante, treinamento das equipes e melhoria das condições de trabalho para os colaboradores, refletindo diretamente nos resultados industriais", conforme análise setorial publicada em agosto de 2026.
Tatiana: da limpeza à liderança da produção
O ponto alto da entrevista foi a história que materializa a promessa de crescimento. "Nossa primeira encarregada mulher, porque é uma indústria onde tem muitos padrões masculinos e a gente vem implementando os padrões femininos. Escolher uma encarregada foi um divisor de águas, porque ela sendo a única no meio de homens."
O percurso de Tatiana começou na função mais distante da liderança. "Ela entrou aqui como funcionária da limpeza, serviços gerais. Depois designamos uma oportunidade para ela na produção, onde se destacou muito. E houve a oportunidade de um cargo de encarregada, em que nós, o Hilário e eu, optamos por escolher ela."
O efeito foi além do cargo. "Ela é um grande destaque como encarregada, pioneira. E tem outras — através dela, ela arrastou outras também."
Metade do quadro é feminino
Questionada sobre a proporção de gênero, a resposta veio em número: "Cinquenta. Nós somos a metade." O dado é relevante em uma indústria de processamento de carne, historicamente dominada por homens em funções operacionais e de supervisão.
A empresa também aposta em diversidade geracional. "Posso dizer que tenho boa parte da empresa Geração Z, em que é desenvolvido um bom trabalho com eles. E 50 mais também. É um grupo misto, mas de colaboradores fiéis."
Métricas diárias e o funcionário do mês
O sistema de identificação de talentos é objetivo. "Temos um trabalho de transparência, desenvolvemos um trabalho de métrica dos funcionários diariamente, e essa métrica a gente resume no final do mês no funcionário do mês. Dali tiramos uma base do destaque: por que ele se destacou, o que aconteceu."
O passo seguinte é o investimento em formação. "Quando a gente vê aquele funcionário como destaque, começamos a treinar. Seguimos linhas de treinamento e, se o comportamento for positivo em relação ao treinamento, é dada uma oportunidade maior do que ele já está tendo."
O ciclo se completa com comunicação: "Temos processos de transparência mensal na empresa, incluindo o funcionário do mês, comemoração do aniversariante do mês, trazendo alinhamentos estratégicos para os colaboradores."
De família de empresários a gestão estruturada
A trajetória da companhia explica o método. Segundo registros do Sebrae, a Golden Bull & Golden Porks nasceu em 2021, comandada por Rogéria Moreno dos Santos, com a missão de produzir suíno salgado e defumado de alta qualidade. A empresa participou do programa Brasil Mais Produtivo, com o projeto ALI (Agentes Locais de Inovação), do Sebrae, e do suporte da Firjan SENAI.
"O projeto ALI foi muito importante porque nós abrimos a empresa sem conhecimento algum. Somos uma família de empresários. O Sebrae nos ajudou muito trazendo conhecimento sobre como trabalhar gestão e processos de forma segura", declarou à época.
Hoje, a empresa soma à gestão de processos técnicas como manufatura enxuta e eficiência energética. "A gente agregou a Firjan e o Sebrae para dentro da empresa para concluir projetos de gestão, gestão de processos, manufatura enxuta, eficiência energética. Conseguimos aumentar mais os processos da empresa."
Do Nova Iguaçu à alta gastronomia
A produção de Nova Iguaçu já cruzou a fronteira do atacado. Em outubro de 2026, a Charque Golden marcou presença no ABRACHEFS Rio 2026, no Hotel Radisson Barra da Tijuca, maior encontro gastronômico do ano promovido pela associação de chefs. Na ocasião, os representantes da empresa, Rogéria Moreno e José Hilário, apresentaram o posicionamento do negócio. "A nossa empresa é especialista hoje em carne suína, salgados e defumados", afirmou Hilário.
A empresa produz bacon, pernil, lombo, costela defumada, joelho e rabo, atendendo atacado, distribuidores, varejo e consumidor final, além da linha Golden Porks.
Currículos como termômetro
O impacto das ações tem uma medida prática: a procura por vagas. "Uma resposta disso é que recebemos muitos currículos, onde as pessoas querem uma oportunidade de estar nesta empresa, porque a gente vem fazendo um trabalho social muito grande", contou Rogéria. "Colocamos o funcionário como o melhor ativo da empresa. Falamos isso e colocamos em prática. Isso causa uma comoção muito grande, atraindo pessoas."

A mensagem final
Questionada sobre o recado que deixaria a outros empresários, a CEO resumiu a própria gestão: "A mensagem que eu digo é o que eu pratico.
O funcionário é o maior ativo da empresa. Não invista só em processos, invista em pessoas, porque são elas que realizam o processo. Se chegamos até aqui e queremos ir muito além, é através dessa metodologia que tem dado resultados incríveis de não só uma empresa que cresce, mas uma empresa que constrói legado."
A Charque Golden em dados
| Item | Informação |
|---|---|
| Empresa | Charque Golden / Golden Bull & Golden Porks |
| Fundação | 2021 |
| Sede | Rua dos Pombos, 37 — Vila Iguaçuana, Nova Iguaçu (RJ) |
| Contato | (21) 3645-8582 |
| Funcionamento | Seg. a qui., 7h às 17h · Sex., 7h às 16h |
| Produtos | Bacon, pernil, lombo, costela defumada, joelho, rabo; linha Golden Porks |
| Quadro de gênero | 50% mulheres |
| Iniciativas sociais | Escolinha de alfabetização, capela, lavanderia de uniformes, quatro refeições diárias, funcionário do mês |
| Apoio técnico | Sebrae (projeto ALI), Firjan SENAI |
Bio de Rogéria Moreno
Rogéria Moreno dos Santos é CEO da Charque Golden, indústria de carnes suínas salgadas e defumadas sediada em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e uma das vozes mais originais da gestão de pessoas no setor alimentício fluminense.
Nascida em uma família de empresários, fundou a operação em 2021 — a Golden Bull & Golden Porks — sem experiência prévia em gestão industrial, e transformou essa lacuna em método: buscou o Sebrae e o projeto ALI (Agentes Locais de Inovação) para estruturar processos, e depois a Firjan SENAI para implantar manufatura enxuta e eficiência energética.
O que diferencia sua gestão, porém, não está nos processos, e sim no que ela chama de "parte mais social da empresa": em uma indústria de trabalho braçal, criou uma escolinha de alfabetização para colaboradores no contraturno, ergueu uma capela como primeira obra da fábrica, montou lavanderia própria que entrega uniformes limpos todos os dias cinco peças por funcionário, mais uma reservada para visitas e serve quatro refeições diárias à vontade, sem limite de porção.
Reconhecida por colocar "o funcionário como o maior ativo da empresa", foi responsável por promover Tatiana, que entrou como auxiliar de serviços gerais, à função de primeira encarregada mulher da produção abrindo caminho para outras. Sob sua liderança, o quadro da fábrica tornou-se 50% feminino e reúne desde profissionais da Geração Z até trabalhadores acima de 50 anos.
Em outubro de 2026, levou a marca ao ABRACHEFS Rio, maior encontro gastronômico do país, no Hotel Radisson Barra da Tijuca, consolidando a entrada da empresa no circuito da alta gastronomia. Seu lema, aplicado antes de ser discurso: "Não invista só em processos, invista em pessoas, porque são elas que realizam o processo."

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade
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