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Número comercial do ex-banqueiro concentrava contatos do atual e do ex-presidente da Câmara e de deputados de vários partidos

Por Cleber Lourenço
O iPhone 17 apreendido na primeira operação que levou à prisão de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, era, segundo fontes que acompanham as investigações, o número considerado “comercial” do empresário. É nesse aparelho que aparece uma agenda com nomes que alcançam o núcleo de comando da Câmara dos Deputados — incluindo o atual presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e seu antecessor imediato, Arthur Lira (PP-AL).
A informação é relevante porque indica que não se tratava de um telefone pessoal secundário, mas de um canal utilizado para interlocução institucional e empresarial. O aparelho foi recolhido na operação realizada no ano passado e integra o material sob análise das autoridades.
De acordo com o relatório técnico associado ao WhatsApp do telefone, os contatos são classificados em duas categorias:
No caso de Hugo Motta e Arthur Lira, os números estavam salvos no celular de Vorcaro, mas não há indicação de que os parlamentares tivessem o contato do empresário registrado no próprio aparelho, ao menos segundo o documento analisado. O material não permite concluir se houve troca de mensagens.

A lista completa de parlamentares identificados no aparelho é a seguinte:
Contatos classificados como recíprocos (S)
Contatos classificados como unilaterais (A)
Entre os nomes listados, apenas dois aparecem com reciprocidade no registro técnico: Marcelo Álvaro Antônio e Paulo Abi-Ackel, ambos de Minas Gerais. Todos os demais constam como registros unilaterais no telefone classificado como comercial do empresário.
Embora a existência do contato não comprove interlocução, o fato de o número considerado comercial concentrar registros do atual presidente da Câmara e de seu antecessor indica que o aparelho era utilizado para manter organizada uma rede de alto nível institucional.
A presença de Nikolas Ferreira na agenda adiciona um elemento já conhecido publicamente. O jornal O Globo revelou que o deputado utilizou o jatinho de Vorcaro durante a campanha eleitoral de 2022, em agendas vinculadas à campanha do então presidente Jair Bolsonaro. O uso da aeronave inseriu o nome do banqueiro no ambiente político-eleitoral daquele ano.

A coincidência entre o registro telefônico e o episódio do jatinho não prova articulação institucional. Mas sugere que a relação entre o empresário e parte da classe política extrapolava o ambiente estritamente financeiro.
Outro ponto relevante é a multiplicidade de aparelhos. Este iPhone 17 foi apreendido na primeira fase da investigação. No início deste ano, uma nova operação resultou na apreensão de mais cinco celulares com Vorcaro. No mínimo, portanto, são seis dispositivos sob análise.
Isso significa que o telefone agora descrito representa apenas uma parte do universo de dados ainda em apuração.
A presença de lideranças partidárias, do atual presidente da Câmara, do ex-presidente e do corregedor da Casa em um aparelho apontado como número comercial do empresário insere um componente político evidente na investigação. O registro de contatos, isoladamente, não configura irregularidade. Mas evidencia o nível de interlocução institucional que Vorcaro buscava manter.
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