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Jeferson Garcia participou da XXVII Marcha dos Prefeitos na capital federal, acompanhou sabatinas com presidenciáveis e defendeu a união dos municípios para pautar a reforma tributária e o financiamento de políticas públicas

Brasília – Em meio ao burburinho político que tomou conta do Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB) entre os dias 18 e 21 de maio, a XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios reuniu mais de 10 mil gestores públicos de todo o país em um dos maiores eventos políticos do calendário eleitoral de 2026. Entre eles, o prefeito de Itapoá, no litoral norte de Santa Catarina, Jeferson Garcia, conhecido como Jefinho.
Em entrevista exclusiva ao Jornal da República/Última Hora, Jeferson destacou a relevância do encontro em um ano decisivo. "A marcha dos municípios é muito importante nessa hora, no momento agora no ano de eleição. O debate aqui, a apresentação dos pré-candidatos, ontem foi do Bolsonaro, hoje foi do Caiado e do Zema. É muito importante para a prefeitada fazer uma avaliação", afirmou.
Sabatina de presidenciáveis movimenta o evento
A XXVII Marcha a Brasília, promovida pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), formalizou convites a seis pré-candidatos à Presidência da República. Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) marcaram presença nos debates, ao lado de Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Aldo Rebelo. Cada um teve a oportunidade de apresentar propostas para as pautas municipais — saúde, educação, reforma tributária e financiamento de políticas públicas.
Para Jeferson Garcia, o contato direto com os presidenciáveis permite que os prefeitos levem as demandas reais dos municípios para o centro do debate nacional. "Nossos municípios carregam o trabalho, carregam a demanda. Ver essas pautas sendo discutidas aqui é muito importante."
O 'milagre econômico' de Itapoá
Itapoá, cidade de 37 anos localizada no litoral norte catarinense, vive um momento de transformação econômica que chama a atenção do país. Com 32 quilômetros de praias, a cidade que já foi um pacato balneário viu sua população crescer 136% entre 2011 e 2025, ultrapassando 36 mil habitantes, segundo o IBGE. O crescimento de 4,3% em 2025 a colocou como a quarta cidade que mais cresce no Brasil.
O motor dessa explosão demográfica e econômica tem nome: Porto Itapoá, que em 2026 completa 15 anos de operação. "Somos uma cidade portuária, temos muita prestação de serviço, e isso nos ajuda na arrecadação com ISS", explicou o prefeito.
Os números impressionam. O Produto Interno Bruto (PIB) do município saltou de R$ 403 milhões para aproximadamente R$ 2 bilhões. A receita municipal passou de R$ 35 milhões para R$ 385 milhões — um crescimento de mais de dez vezes. A valorização imobiliária atingiu 115% em determinados períodos, e 64% da população atual é oriunda de outros estados, atraída pelas oportunidades geradas pelo complexo portuário.
O Porto Itapoá, que já movimentou 10 milhões de TEUs (contêineres) em sua história, recebeu investimentos recentes de ampliação e se consolidou como um dos maiores terminais de contêineres do Brasil. Além disso, o novo Porto Coamo, com investimento previsto de R$ 3 bilhões, está em fase de implantação, prometendo impulsionar ainda mais a economia local.
A reforma tributária e a preocupação com o IVA
Apesar do cenário favorável, Jeferson Garcia tem uma preocupação central: a reforma tributária e a transição para o Imposto sobre Valor Agregado (IVA). "Nossa preocupação é com o IVA, quando tiver o imposto único na reforma tributária que foi feita. Nós arrecadamos muito em tributo pelo serviço, pelo ISS. Então nossa preocupação é essa."
O modelo atual de arrecadação de Itapoá, fortemente baseado na prestação de serviços vinculados ao porto e à logística, pode ser impactado pela unificação de tributos proposta pela reforma. O prefeito defende que a transição seja feita com cuidado para não comprometer a saúde financeira de municípios que, como Itapoá, construíram suas receitas com base no ISS.
O grito dos pequenos: 'pautas bombas' e o peso da folha
Se Itapoá desfruta de certa folga orçamentária, a realidade da maioria dos municípios brasileiros é bem diferente. Jeferson Garcia não esconde a solidariedade aos colegas prefeitos de cidades de pequeno porte, que dependem quase que exclusivamente do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e dos repasses do Fundeb.
"Vejo quantos prefeitos de cidades pequenas que dependem muito do FPM, do repasse do Fundeb, estão sofrendo. Primeiro nessa questão de piso, piso do médico, do dentista, as pautas bombas. A questão do piso do magistério, que tem uma quantidade muito grande e dá um impacto enorme na folha", desabafou.
As chamadas "pautas bombas" — projetos de lei que criam obrigações de gastos sem a correspondente fonte de receita — são o principal pesadelo dos gestores municipais. O aumento do piso salarial dos professores, a criação de pisos para categorias da saúde e a alíquota de quase 22% do INSS patronal foram citados pelo prefeito como exemplos de medidas que engessam as finanças das prefeituras.
O governo federal e a burocracia que sufoca
Questionado sobre a relação com o governo Lula, Jeferson Garcia foi direto. "A gente, na condição de prefeito, sente na pele quando tem muitos programas e sobra tudo para os municípios. Nós temos que dar uma revitalizada, avaliar muito bem. Claro, tem pontos positivos, pontos negativos."
A crítica se soma a um coro que atravessa espectros políticos. Prefeitos de todas as correntes reclamam da excessiva burocracia para acessar programas federais e da transferência de responsabilidades sem o correspondente repasse de recursos. A equação é simples: a União legisla, os estados acompanham e os municípios executam — arcando com a maior parte do custo.
O recado contra a polarização
Em um dos momentos mais sinceros da entrevista, Jeferson Garcia fez questão de mandar um recado que transcende a disputa partidária. "Precisamos acabar com esse radicalismo de direita e esquerda. Isso não leva a lugar nenhum. Nós temos que ter um pensamento mais racional e ter um pouco mais de equilíbrio."
Para ele, a polarização política que domina o debate nacional prejudica justamente quem mais precisa de políticas públicas consistentes. "Afinal de contas, é lá no município que o povo vive. É lá que o povo nasce e a maioria nem sai da sua cidade. No município, a gente tem os postos de saúde, tem que abrir todo dia as escolas, as UPAs. Tudo isso é lá nos municípios."
A fala ganha contornos ainda mais relevantes em um ano eleitoral, quando as discussões ideológicas costumam se sobrepor às pautas concretas da gestão pública. Para o prefeito de Itapoá, o caminho não está nas trincheiras partidárias, mas na capacidade de construir consensos que beneficiem a população.
Uma cidade de contrastes e potencial
Além do porto, Itapoá ostenta belezas naturais que a tornam um destino turístico em expansão. São 32 quilômetros de praias que vão desde a agitada Barra do Saí, procurada por surfistas, até a tranquila Pontal da Figueira, com vista para a Baía da Babitonga. A Pedra que dá nome à cidade — "Ita" (pedra) e "Poá" (ponta), em tupi-guarani — emerge a 300 metros da costa, submersa na maré alta e à vista na baixa.
O município abriga também a Reserva Volta Velha, com 1.000 hectares de Mata Atlântica preservada, e sítios arqueológicos com sambaquis — vestígios dos índios Carijós, primeiros habitantes do litoral catarinense. Nas localidades de Jaguaruna e Saí-Mirim, a agricultura familiar mantém vivas as tradições do interior.
O desafio do desenvolvimento sustentável
Com o Porto Coamo em implantação e a perspectiva de novos investimentos, Itapoá enfrenta o desafio de conciliar crescimento econômico com qualidade de vida e sustentabilidade ambiental. O prefeito Jeferson Garcia, formado em Gestão Ambiental com pós-graduação em Gestão Pública, reúne formação técnica para conduzir essa equação.
"Graças a Deus, nosso município ainda tem uma boa receita, uma boa renda. Isso nos dá uma facilidade e não dependemos tanto de recursos federais ou estaduais. Mas isso não nos tira a responsabilidade de lutar por todos os municípios brasileiros", concluiu.
Em ano de eleições presidenciais e estaduais, a Marcha dos Prefeitos de 2026 ficará marcada como o momento em que os gestores municipais ocuparam Brasília não apenas para pedir, mas para cobrar. E para mostrar que, como resume o lema da CNM, "o Brasil que dá certo nasce nos municípios".
Quem é Jeferson Garcia
Jeferson Rubens Garcia, mais conhecido como Jefinho, é prefeito de Itapoá, Santa Catarina, pelo MDB. Filho de dona Carmen e do saudoso Wilson Garcia, a família escolheu Itapoá para viver e empreender ainda na década de 1970. Antes de ingressar na vida pública, Jeferson trabalhou com os pais no comércio local e fundou o Maresia Música Bar, casa noturna que se tornou referência na região e funcionou por 20 anos. Casado com Denise Mertens, é pai de Paola, Emanoel e Lucas. Formado em Gestão Ambiental, com pós-graduação em Gestão Pública, construiu carreira política baseada no diálogo e na gestão técnica. Foi vereador na Câmara Municipal de Itapoá antes de ser eleito prefeito. Sua gestão é marcada pelo foco no desenvolvimento econômico sustentável, com o Porto Itapoá como principal vetor de crescimento, e pela defesa de uma política municipalista que ultrapassa divisões partidárias.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber @robsontalber
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Fontes: Entrevista exclusiva ao Jornal da República/Última Hora; Confederação Nacional de Municípios (CNM); IBGE Censo 2022; Prefeitura Municipal de Itapoá; Porto Itapoá; Folha da Babitonga; Acesse Política; CNN Brasil.
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