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Em meio à reta final do segundo turno, o presidente pressiona o adversário a orientar a bancada do partido pela aprovação da PEC que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais; proposta está pronta para votação no plenário do Senado
O desafio lançado no palanque
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom da campanha e transformou o fim da escala 6x1 em arma eleitoral contra o adversário no segundo turno. Em discurso na quarta-feira (7), o candidato à reeleição desafiou o senador Flávio Bolsonaro (PL) a apoiar a proposta de redução da jornada de trabalho e a orientar a bancada do partido a votar a favor da medida no Senado. "Quero ver como vai votar", provocou o petista, em um dos embates mais acirrados da disputa presidencial.
A cobrança ganhou as redes sociais no mesmo dia, em vídeo no qual Lula volta a questionar o rival. A pauta, cara ao governo e de forte apelo popular, foi colocada no centro do debate eleitoral às vésperas da votação que pode definir os rumos do país no dia 25 de outubro.
A PEC que aguarda o plenário
O alvo da pressão é a PEC 221/2019, que acaba com a escala 6x1 — o arranjo de seis dias trabalhados e um de folga — e reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias, com dois de descanso e sem redução salarial. A proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados em maio com ampla maioria, entrou na pauta do Senado na sexta-feira (2) e aguarda deliberação do plenário.
O texto prevê um escalonamento: dois meses após a promulgação, a jornada máxima cai de 44 para 42 horas, e a redução definitiva para 40 horas ocorre 14 meses depois. Há, ainda, exceção para trabalhadores com diploma superior que ganhem acima de duas vezes e meia o teto da Previdência. Segundo o Dieese, a medida atinge não só quem trabalha na escala 6x1, mas todos os que trabalham acima de 40 horas semanais — cerca de 64% dos trabalhadores formais.
O contraste entre as propostas
O embate expõe duas visões opostas sobre o mercado de trabalho. A proposta defendida por Lula reduz a jornada para 40 horas, mantém os salários e garante dois dias de folga. Já o projeto apresentado por Flávio Bolsonaro prevê remuneração por hora trabalhada e maior flexibilidade nos contratos, com liberdade para o trabalhador negociar a jornada.
Na avaliação do presidente, a alternativa da oposição não representa um compromisso real com o fim da escala. Em declarações recentes, Lula afirmou que o PL e Flávio não querem assumir a pauta e acusou o adversário de "inventar lorota" sobre o tema. A cobrança busca, na prática, colocar o senador diante de uma escolha pública: apoiar a PEC ou ficar ao lado de quem, segundo o governo, tenta atrasar a votação.
A disputa pelo calendário
O timing da votação tornou-se, em si, um campo de batalha. A oposição tenta adiar a análise da PEC para depois do segundo turno, enquanto o governo pressiona por uma deliberação antes do dia 25 de outubro. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anunciou que a proposta deve ser debatida e votada ainda neste mês, mantendo acesa a expectativa de que o tema atravesse a reta final da campanha.
Para Lula, a aprovação da matéria antes da votação seria um trunfo político e uma resposta concreta a uma das pautas de maior apelo entre os trabalhadores. Para Flávio, adiar a deliberação evita que a bancada do PL seja obrigada a se posicionar publicamente sobre um tema sensível ao eleitorado.
A pauta que mobiliza milhões
O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou força nos últimos meses e mobiliza uma parcela expressiva da população. Segundo o Dieese, são 14,8 milhões de trabalhadores no Brasil nessa condição — o equivalente a um terço dos ocupados com registro formal. A discussão, que atravessou as ruas e as redes, tornou-se um dos principais temas da campanha presidencial.
Para o governo, a redução da jornada é apresentada como conquista de direitos e resposta à demanda de quem trabalha seis dias por semana sem tempo para a família e para a vida. Para a oposição, a mudança encarece o trabalho e pode prejudicar a economia. O embate, que opõe duas leituras do mercado de trabalho brasileiro, promete marcar os últimos dias da disputa — e coloca Flávio Bolsonaro diante de uma pergunta que Lula faz questão de repetir: como ele vai votar.
Biografia: Luiz Inácio Lula da Silva
Luiz Inácio Lula da Silva é o presidente da República e candidato à reeleição nas eleições de 2026. Nascido em Caetés (PE) e criado no ABC Paulista, construiu sua trajetória como líder sindical, fundador do Partido dos Trabalhadores e um dos nomes mais influentes da história política brasileira. Em seus governos anteriores, foi responsável por programas como Bolsa Família, Prouni e a expansão das universidades federais, que reduziram a pobreza e ampliaram o acesso ao ensino superior no país. Na atual gestão, conduziu a retomada de políticas sociais, a reforma tributária e o enfrentamento do endividamento das famílias, além de defender pautas trabalhistas como o fim da escala 6x1. Consolidado como líder nas pesquisas para o segundo turno, aposta na combinação entre a pauta social, a economia e uma estratégia de comunicação direta com o eleitorado, apresentando-se como o candidato da experiência e da defesa dos direitos dos trabalhadores.
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