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Presidente percorreu o trajeto entre a Candelária e a Cinelândia ao lado de Benedita da Silva e Pedro Paulo, candidatos ao Senado; em discurso, atacou o adversário, defendeu o combate às fraudes na Previdência e no caso Master e apostou na vitória já no domingo (4).
O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comandou, na manhã desta sexta-feira (2), uma das maiores mobilizações da reta final de campanha no Rio de Janeiro. Do alto de um caminhão, ele percorreu com a militância o trajeto entre a Igreja da Candelária e a Cinelândia, no coração da cidade, às vésperas do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4).
O ato reuniu apoiadores de diferentes regiões do estado e teve a companhia da primeira-dama Janja Lula da Silva. Ao lado do presidente estiveram a deputada Benedita da Silva (PT) e o deputado Pedro Paulo (PSD), candidatos ao Senado, além dos prefeitos Eduardo Cavaliere (PSD), do Rio, e Rodrigo Neves (PDT), de Niterói, e da ex-secretária de Igualdade Racial Anielle Franco (PT).
Caminhada da vitória
Nervosismo zero e otimismo à flor da pele. Antes mesmo dos discursos, Lula usou o microfone para acalmar a multidão e, de quebra, alfinetar os adversários: "Vamos devagar, sem aperto, afinal é a caminhada da vitória. Nós lutamos contra a escala 6 por 1. Tem mulher e criança aqui. Importante ter tranquilidade para não machucar ninguém".
A ausência de um nome, porém, chamou a atenção: o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), principal aliado do petista no estado e candidato ao governo do Rio com o número 55, não participou do ato. A caminhada seguiu sem ele, com Lula cercado por lideranças do PT, do PSOL e do PSD.
Fraudes na Previdência e caso Master
O presidente dedicou parte do discurso a defender o trabalho do seu governo no enfrentamento à corrupção. Ele citou duas frentes investigadas pela Polícia Federal: a fraude contra o INSS e o escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso em março na Operação Compliance Zero.
"Eles criaram a quadrilha da Previdência, e nós desmontamos a quadrilha da Previdência. Eles criaram a quadrilha do Vorcaro, e nós desmontamos a quadrilha do Vorcaro", afirmou. As investigações apontam prejuízo de até R$ 6 bilhões a aposentados no esquema do INSS, que chegou a envolver o ex-presidente do instituto Alessandro Stefanutto. Já no caso Master, Lula lembra que o banqueiro, que virou figurão na gestão anterior, "virou prisioneiro no meu governo".
Crítica dura ao adversário
Lula não poupou o principal concorrente, o senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo colocado nas pesquisas. O presidente citou a atuação do adversário como advogado de defesa do ex-cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delaroli, acusado de matar a menina Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, com tiros de fuzil, em Niterói, em 2021.
"A gente não pode permitir que esse país eleja uma pessoa que, sendo senador da República, foi defender um policial que matou uma menina de 5 anos", discursou. A revelação, trazida à tona pela imprensa na reta final da campanha, mostra que Flávio assinou, em 2024, um recurso ao Superior Tribunal de Justiça contra a decisão que levaria o PM ao júri popular — cinco anos depois, o caso segue sem julgamento.
Aposta em primeiro turno
O tom do ato foi de confiança. Lula afirmou estar convencido de que a eleição presidencial pode ser decidida já no domingo, sem necessidade de segundo turno: "Não há por que ter segundo turno se a gente pode matar a desgraça no primeiro turno. E é domingo que a gente vai ter que ganhar as eleições".
Os números recentes dão sustentação ao discurso: a pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (1º) mostra Lula com 42% das intenções de voto, contra 38% de Flávio Bolsonaro. No Rio de Janeiro, contudo, a disputa é mais apertada e o estado é considerado estratégico para ambas as campanhas na reta final.
Luiz Inácio Lula da Silva, 80 anos, é a história viva da política brasileira. Nascido em Caetés, no interior de Pernambuco, foi líder sindical metalúrgico no ABC paulista e um dos fundadores do PT, em 1980. Eleito presidente em 2002, tornou-se o primeiro operário a governar o país, tirou o Brasil do mapa da fome com o Bolsa Família e o Fome Zero e deixou o cargo, em 2010, com aprovação recorde. Perseguido politicamente e preso em 2018, teve as condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal em 2021 e voltou ao Palácio do Planalto em 2023, vencendo Jair Bolsonaro nas urnas. Agora, busca a reeleição para um quarto mandato com a bandeira da reconstrução do país.
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Fontes consultadas: G1 – Datafolha: Lula 42% e Flávio 38% · O Globo – ato sem Eduardo Paes · Poder360 – fala de Lula na caminhada · UOL – Lula sobre Vorcaro · BBC – caso Master/CPMI do INSS · Agência Brasil – prisão de Vorcaro · CartaCapital – caso Ana Clara na campanha · Hora do Povo – Flávio e o PM do caso Ana Clara · G1 – Eduardo Paes, candidato ao governo (55)
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