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Durante visita ao Instituto Butantan nesta segunda-feira (9), o presidente Lula afirmou que Donald Trump não o provocaria se conhecesse a "sanguinidade de Lampião".
O petista utilizou a figura do cangaceiro para sinalizar o que chamou de fim da fase "paz e amor" em resposta às tarifas de 10% impostas pelos EUA.
No entanto, ele não citou que Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, foi um líder criminoso cuja atuação se baseava em saques, extorsões e extrema violência contra a própria população sertaneja.
“Vai que eu brigo e eu ganho. O que eu vou fazer?”
O presidente ironizou o poder militar americano e comparou sua disposição política à ferocidade do bando de Lampião.
"Se ele soubesse o que é a sanguinidade do Lampião num presidente, ele não ficaria provocando".
O presidente afirmou que não busca briga com o americano porque "poderia ganhar". Com essa frase, ele tenta transformar a dificuldade diplomática em um discurso de força para seus apoiadores.
"Não adianta ficar falando na televisão: 'Eu tenho o maior navio de guerra, eu tenho o maior submarino do mundo, eu tenho um avião, um navio cem vezes mais importante'. Eu não quero briga com ele. Eu sou doido? Vai que eu brigo e eu ganho. O que eu vou fazer?", questionou.
Os crimes do “rei do cangaço”
Embora seja frequentemente romantizado como um "herói social", a trajetória de Virgulino Ferreira da Silva revela um cenário de banditismo profissional.
Segundo registros históricos, as príncipais vítimas eram trabalhadores rurais e famílias pobres, que tinham suas poucas posses pilhadas sob tortura e ameaças.
Lampião mantinha relações com "coronéis" e figuras de poder, agindo muitas vezes como braço armado em trocas de favores e proteção.
O bando utilizava mutilações e execuções para garantir o silêncio e o controle das regiões por onde passava.
A face oculta de Lampião
Para historiadores, o bando de Lampião representava o banditismo nômade que aterrorizou o país por décadas até ter seu fim em 1938.
A menção ao cangaceiro marca o momento em que o petista abandona os discursoss moderados. Neste fim de semana, ele decretou o fim da fase “Lulinha paz e amor”.
A tentativa de associar o governo à figura de Lampião busca explorar uma imagem de resistência ligada às raízes nordestinas.
Para certos setores políticos, o cangaceiro é moldado como um símbolo de justiça social e um defensor dos oprimidos que desafiava o sistema.
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