MST faz história com estreia inédita no Carnaval carioca em 2026

Movimento lança 'Bloco do MST' com tema 'Quando a enxada vira tambor, a luta vira samba' na Praça Mauá

MST faz história com estreia inédita no Carnaval carioca em 2026

O Carnaval do Rio de Janeiro ganha um novo protagonista em 2026 com a estreia histórica do Bloco do MST, primeira iniciativa carnavalesca criada por um movimento social a ocupar oficialmente as ruas da cidade maravilhosa.

A concentração acontece neste sábado, 7 de fevereiro, às 7h, na Praça Mauá, com cortejo até a Praça da Harmonia.

Inovação cultural com propósito social.

Com o tema provocativo "Quando a enxada vira tambor, a luta vira samba", o bloco representa uma fusão inédita entre cultura popular e militância social. A programação especial inclui apresentações da Orquestra de Enxadas, Cortejo da Fanfarra Sem Terra e Show da Bateria Sem Terra, transformando instrumentos de trabalho rural em instrumentos musicais de resistência.

A iniciativa marca um momento histórico no Carnaval carioca, sendo a primeira vez que um movimento social organizado utiliza a festa popular como plataforma para disseminar conceitos de Reforma Agrária Popular e Agroecologia através da linguagem cultural.

Carnaval como expressão política.

A vereadora Maíra do MST, principal articuladora da iniciativa, define o Carnaval como "uma linguagem política da classe trabalhadora". Segundo ela, o bloco representa uma estratégia inovadora para dialogar com a sociedade urbana sobre questões fundamentais do campo brasileiro.

"O Bloco do MST chegou ao Rio celebrando a rebeldia e a resistência negra, indígena e camponesa." Carnaval é sinônimo de subversão. É a expressão cultural e histórica de um povo cansado de ser explorado e oprimido", declarou a parlamentar, destacando o caráter transformador da festa popular.

Tradição que vem do interior.

O Bloco do MST não é uma novidade absoluta - nasceu em 2002 na Comuna Dom Helder Câmara e desde então realiza cortejos carnavalescos em diversos estados brasileiros, incluindo Pernambuco, Bahia, São Paulo, Paraná e Minas Gerais. A chegada ao Rio de Janeiro representa a consolidação nacional do projeto.

A iniciativa já impactou mais de 100 mil pessoas através de oficinas de percussão em escolas, aulas de bateria para crianças e adolescentes rurais, e participação na Comissão Especial do Carnaval da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Programação detalhada do desfile.

O evento principal seguirá uma programação cuidadosamente planejada:

7h - Orquestra de Enxadas na Praça Mauá. 8h - Cortejo da Fanfarra Sem Terra até a Praça da Harmonia.
11h - Show da Bateria Sem Terra na Praça da Harmonia.

Esta sequência de quatro horas promete transformar o centro do Rio em um grande palco de celebração e conscientização social.

Mobilização intersetorial.

O projeto envolve uma complexa articulação entre diversas instâncias do Movimento Sem Terra em escalas regional, estadual e nacional. Participam centenas de artistas, produtores e gestores dos setores de comunicação, juventude, gênero, educação, saúde, coletivos étnico-raciais e LGBTI+, além das Frentes de Teatro, Música e Artes Visuais.

Esta mobilização demonstra a capacidade organizativa do MST e sua estratégia de utilizar a cultura como ferramenta de transformação social e diálogo com diferentes segmentos da sociedade.

Patrimônio musical do movimento.

O grupo já compôs e gravou cinco sambas-enredo que integram álbuns fonográficos oficiais do MST. Essas composições são entoadas em congressos nacionais, encontros, assembleias e formações pedagógicas em todo o Brasil, criando um repertório cultural próprio do movimento.

Crítica à mercantilização do Carnaval.

A vereadora Maíra do MST aproveitou para criticar a comercialização excessiva da festa popular: "A mercantilização da maior festa popular do mundo aprofundou desigualdades, privatizou espaços e tentou esvaziar seu potencial crítico." Mas a insurgência da cultura popular resiste."

O Bloco do MST se posiciona como uma alternativa a essa mercantilização, resgatando o caráter popular e crítico do Carnaval tradicional.

Expansão para outros municípios.

Além do desfile principal no Rio, o Bloco do MST estará presente em outros municípios fluminenses:

  • Nova Iguaçu - Associação Campo Alegre
  • Campos dos Goytacazes - Acampamento 15 de abril.
  • Maricá - Armazém do Campo.
  • Macaé - PDS Oswaldo de Oliveira.

Agenda preparatória completa.

A semana que antecede o desfile principal inclui uma intensa programação preparatória:

Terça-feira (03/02)

  • 14h: Enxada na Associação Campo Alegre, Nova Iguaçu.
  • 19h: Bateria na Garagem Delas, Centro do Rio.

Quarta-feira (04/02)

  • 10h: Enxada no PDS Oswaldo de Oliveira, Macaé.
  • 15h30: Enxada no Acampamento 15 de abril, Campos dos Goytacazes.

Quinta-feira (05/02)

  • 17h: Enxada no Armazém do Campo, Maricá.
  • 19h: Dança e Mística na Garagem Delas, Centro do Rio.

Sexta-feira (06/02)

  • 17h: Ensaio geral da Orquestra da Enxada no Armazém do Campo, Centro do Rio.

Impacto cultural e social.

A estreia do Bloco do MST no Carnaval carioca representa um marco na utilização da cultura popular como ferramenta de conscientização social. A iniciativa demonstra como movimentos sociais podem inovar em suas estratégias de comunicação, utilizando a linguagem universal da festa para transmitir mensagens de transformação social.

"Celebrar a rebeldia é fazer da alegria uma forma de resistência." E da resistência, um projeto de futuro", conclui a vereadora Maíra do MST, sintetizando o espírito transformador da iniciativa.

Informações do evento:

  • Data: Sábado, 07 de fevereiro de 2026.
  • Horário: A partir das 7h.
  • Concentração: Praça Mauá.
  • Destino: Praça da Harmonia.
  • Entrada: Gratuita

Por Robson Talber @robsontalber

Por Jornal da República em 06/02/2026
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