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Delegado aposentado defende integração de órgãos e legislação mais severa em encontro com ex-governador Zema
A segurança pública ganhou protagonismo neste encontro da Associação Comercial, onde Marcelo Itagiba, delegado aposentado da Polícia Federal, expôs a agenda do Partido Novo para o enfrentamento da criminalidade organizada. Ao lado do ex-governador mineiro Antonio Augusto Junho Anastasia Zema, pré-candidato à presidência da República, Itagiba traçou um caminho que passa pela inteligência, força operacional e instrumentos legais mais eficazes para manter criminosos fora das ruas.

A carreira que molda a visão de segurança
Marcelo Itagiba traz três décadas de experiência no combate ao crime. Como delegado federal de carreira, atuou por anos na Divisão de Narcóticos da Polícia Federal, tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo, onde coordenou operações de grande envergadura contra o tráfico de drogas. Posteriormente, dirigiu a Diretoria Nacional de Inteligência da Polícia Federal em Brasília, cobrindo o território nacional. Também foi superintendente regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro e secretário de Segurança Pública do Estado. Entre 2007 e 2011, representou o Rio de Janeiro na Câmara dos Deputados.
Durante sua gestão à frente da Segurança Pública fluminense, Itagiba alcançou um recorde histórico na apreensão de armamento nas mãos de organizações criminosas e removeu setenta e oito lideranças do tráfico de circulação. Esse histórico reforça sua argumentação de que a inteligência, quando combinada com massa e força, produz resultados mais eficientes e com menor exposição de civis a riscos.
O tripé da estratégia: inteligência, massa e força
Itagiba apresenta uma fórmula que chama de "inteligência, massa e força". Segundo ele, é justamente esse equilíbrio que faz a polícia ser respeitada pela criminalidade. A inteligência mapeia os alvos e define onde intervir. A massa refere-se à quantidade de agentes e recursos deslocados para a operação. A força garante a capacidade de coerção necessária para que os criminosos respeitem a atividade policial.
Para Itagiba, operações como a executada pelo Batalhão de Operações Policiais (BOP), que apreendeu fuzis e armamento pesado sem provocar vítimas civis em massa, exemplificam o modelo que defende. Ele discorda da narrativa que define confrontos diretos como "massacres", argumentando que a polícia segue protocolos legais: se o criminoso se render, é preso; se confrontar, é neutralizado.
O gargalo do judiciário na retirada de criminosos de circulação
Itagiba aponta um problema crítico na cadeia de segurança pública: a instituição das audiências de custódia. Implementadas no Brasil como mecanismo de proteção dos direitos do preso, essas audiências, em sua visão, tornaram-se um obstáculo ao combate ao crime. A queixa é objetiva: criminosos capturados em operações retornam às ruas no dia seguinte após audiência de custódia, desfazendo o resultado da ação policial.
Ele não defende a abolição do instrumento, mas sua revisão. "Quando o calo do judiciário aperta, ele toma logo medidas para que as coisas sejam resolvidas", observa, sugerindo que o próprio poder judiciário tem capacidade de se autorregular quando a situação o exige.
A segunda frente legal que Itagiba coloca na agenda é a modernização da legislação criminal. O delegado propõe que se ofereçam ao judiciário instrumentos mais eficazes para manter os autores de crimes graves em prisão preventiva ou definitiva. Sem isso, diz ele, a polícia faz seu papel mas a justiça fica impedida de fazer o dela: tirar de circulação quem fez mal à população.
Contexto de criminalidade e respostas políticas
Os números recentes do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro mostram uma realidade complexa. No primeiro trimestre de 2026, o estado registrou queda de 12% na letalidade violenta comparada ao mesmo período de 2025. Roubos de rua alcançaram, em janeiro de 2026, o menor patamar para esse mês em vinte e um anos. Porém, o Rio ainda lidera o país em número de vítimas de homicídio doloso. Mais de 50 policiais e cerca de 40 civis foram assassinados pelo crime organizado em operações que incluíram incêndio de cem ônibus e rebeliões em setenta penitenciárias.
É sobre essa base estatística que o Partido Novo e candidatos como Itagiba constroem suas propostas. A segurança pública consolidou-se como o tema central da polarização política brasileira em 2025 e deve dominar a campanha presidencial de 2026.
A plataforma do Partido Novo
Itagiba, que em 2022 foi candidato ao Senado pelo Avante e somou apenas 0,22% dos votos, agora constrói sua inserção política via Partido Novo, que elegeu Antonio Augusto Junho Anastasia Zema, ex-governador de Minas Gerais, como pré-candidato à presidência. As propostas do partido para segurança giram em torno de três pilares: melhoria da legislação; integração de todos os órgãos responsáveis pela segurança pública e pela segurança nacional; e respeito aos protocolos de inteligência como ferramenta prioritária.
Itagiba confirma que colocou seu nome à disposição do partido para candidaturas a vice-governador ou ao Senado no Rio de Janeiro. A decisão sobre os candidatos cabe ao partido, que já tem pré-candidato a governador.
A reflexão sobre o que mudou
O contexto atual traz lições que permeiam o discurso de Itagiba e de sua corrente. O filme "Tropa de Elite 2" (2010) abordou a questão das milícias no Rio de Janeiro, e um de seus personagens lembrava Itagiba em sua gestão como secretário. A CPI das Milícias (2008) investigou-o por suposta ligação com grupos paramilitares que operavam em comunidades do Rio, especialmente na região de Rio das Pedras, em Jacarepaguá. Itagiba respondeu que combateu as milícias e usou lemas como "Comunidade não tem dono" e "Policial não pode ser bandido" em sua campanha política posterior.
Assim, a agenda que Itagiba apresenta hoje articula-se com uma história política que inclui tanto avanços no combate à criminalidade quanto controvérsias sobre métodos e relações com grupos paramilitares. A defesa de uma legislação mais rigorosa, a crítica às audiências de custódia e a ênfase na inteligência operacional refletem uma visão que privilegia a eficácia na captura e condenação de criminosos, mesmo que isso demande revisão de mecanismos constitucionais modernos.
Perspectivas para 2026
O ano de 2026 coloca segurança pública no centro do debate eleitoral brasileiro. Governadores da direita amplificam críticas à política de segurança do governo federal. Itagiba e o Novo oferecem uma plataforma que mistura experiência técnica com proposições que tocam em dilemas reais da gestão da segurança: como manter criminosos presos sem violar direitos constitucionais; como fazer operações eficientes sem ceifar vidas desnecessariamente; como integrar inteligência, polícia e justiça em um sistema coeso.
As propostas não são simples, e seus efeitos na prática penal e policial exigirão não apenas vontade política mas consenso entre segmentos que historicamente têm visões divergentes sobre o tema. O que está em jogo é definir se a segurança pública será objeto de políticas de estado ou apenas de campanha política.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber @robsontalber
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Fontes
Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro - Dados 2025-2026
CNN Brasil - RJ lidera número de vítimas de homicídio doloso em 2026
Agência Brasil - Rio de Janeiro tem queda de 9,6% no número de mortes violentas
Correio Braziliense - Artigo de Marcelo Itagiba sobre inteligência e segurança
Rio Times - Rio de Janeiro Safety 2026
Estadão - Governo do Rio se exime de responsabilidade pela chacina
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