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O laboratório da direita unida: em Itaguaí, Novo e PL testam a aliança que prometem levar a todo o estado em 2028

Em reportagem da eleição suplementar, o Partido Novo apresenta Kelaine Goulart como a candidata que fará da cidade a "primeira experiência de gestão Novo no Rio" — com apoio declarado de Douglas Ruas, Flávio Bolsonaro, Luiz Lima e Gabriel Costenaro, e um terreno político complicado: o TRE-RJ indeferiu por unanimidade a candidatura da petista concorrente à Assembleia... e o próprio registro de Kelaine na prefeitura
Itaguaí como vitrine do projeto estadual
O Jornal da República e Última Hora esteve em Itaguaí, na região metropolitana do Rio, onde a eleição suplementar para a prefeitura se transformou no campo de testes mais claro do novo desenho político fluminense. No vídeo, o repórter entrevista "Popó", presidente do Novo Carioca, que apresentou o município — com orçamento de quase R$ 1,2 bilhão — como o local escolhido para a estreia estadual do partido: "O Novo vai ser experimentado aqui, a primeira cidade do Rio de Janeiro. Nós, como em Joinville em 2020, com Adriano, como o Serginho Victor lá em Taubaté, aqui nós faremos a Kelaine prefeita", declarou, prometendo "o padrão Novo de gestão" para a cidade.
A fórmula tem precedente: o partido construiu gestão reconhecida em Joinville e aposta que a lógica se repete em Itaguaí. "Você, de Itaguaí, deu uma oportunidade a você, a um novo destino, a um novo futuro, a uma nova Itaguaí", conclamou Popó, no bordão de campanha que junta o número da candidata — Kelaine 30 — ao do candidato presidencial da direita — Flávio 22. A eleição suplementar, marcada para 25 de outubro, nasce da cassação da chapa vencedora de 2024 pela Justiça Eleitoral, e dá ao município um protagonismo desproporcional ao seu tamanho.
A direita unida: Novo, PL e o projeto de 2028
O ponto mais revelador da entrevista foi a revelação da engenharia de apoio. Popó classificou Kelaine como "a única candidata da direita", em contraste com os adversários — "de um lado, um apoiado pelo Quaquá; do outro, um apoiado pelo Lindberg ambos do PT" — e enumerou o elenco que sustenta a chapa: "Isso faz com que a campanha tenha o apoio do Douglas Ruas, do Bolsonaro e de toda a direita da cidade". E anunciou a tese central: "A direita, finalmente, se uniu. E nós vamos não só fazer em Itaguaí, mas em 28 vamos manter essa direita unida em todo o estado do Rio de Janeiro. Aguardem que o Novo e o PL estarão juntos no futuro, em 2029, 2030".
A tese tem base nos números do primeiro turno: em Itaguaí, Flávio Bolsonaro (PL) foi o candidato presidencial mais votado, com 44.965 votos, 59,69% dos válidos; Douglas Ruas (PL) somou 37.840 votos para o governo do estado, 55,14% — ou seja, o eleitorado local é majoritariamente do campo que a aliança quer organizar. No plano federal, o apoio se materializou em nomes: Luiz Lima, deputado federal reeleito e campeão olímpico, cumprindo a terceira legislatura a partir de janeiro, e Gabriel Costenaro, deputado estadual eleito com 121.780 votos — "votado em todos os 92 municípios", nas palavras de Popó, que o definiu como "um fenômeno, um garoto que veio para brilhar e para mudar o futuro do estado do Rio de Janeiro".
O entrave jurídico
Sobre o registro de candidatura de Kelaine Goulart ao cargo de prefeita de Itaguaí será julgado pelo TSE. Kelaine foi candidata a deputada federal nas eleições gerais de 4 de outubro — quando recebeu 6.404 votos e ficou na suplência — e, simultaneamente, candidata a prefeita na eleição suplementar de 25 de outubro.
A defesa recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral, e a candidatura segue sub judice enquanto o TSE julga o recurso — o que mantém Kelaine oficialmente na disputa, por ora. O indeferimento no TRE-RJ, no entanto, foi aplicado também ao caso de outros candidatos que acumularam candidaturas na mesma janela, criando um campo minado jurídico em uma eleição suplementar atípica. Cabe ao TSE, nos próximos dias, decidir e o Novo acredita que será respeitada a vontade do povo nas urnas.
O que está em jogo em Itaguaí
Para o Novo, a eleição suplementar é mais do que uma prefeitura: é a prova de conceito do partido no estado do Rio, onde a legenda nunca administrou uma cidade. Com orçamento de quase R$ 1,2 bilhão, Itaguaí oferece escala suficiente para demonstrar o "padrão Novo de gestão" — compras públicas rigorosas, corte de gastos e meritocracia administrativa —, e o partido investe na narrativa de renovação: "dê uma oportunidade a você, a um novo destino, a um novo futuro".
Para o PL, o apoio é tático e de longo prazo: garanti-lo em 25 de outubro consolidaria a aliança Novo-PL no estado — "aguardem que o Novo e o PL estarão juntos no futuro" —, desenhada para as eleições de 2028, quando o partido de Castro tentará reeditar a união da direita fluminense. Para Lula e o PT, o mapa de Itaguaí é desafiador: no primeiro turno presidencial, o município deu 59,69% a Flávio e 32,81% a Lula — o que torna cada articulação local parte da guerra nacional pelo segundo turno, no mesmo domingo em que o país vota. Itaguaí, cidade média da região metropolitana, virou o microscópio em que a direita fluminense examina o próprio futuro.

Perfil: Kelaine Goulart
Kelaine Nunes de Alvarenga de Souza Ávila (Goulart) é empresária e candidata do Partido Novo à Prefeitura de Itaguaí na eleição suplementar de 2026, com o vice Beto do Posto (Novo) e apoio da coligação "Povo no Poder", formada pelo Novo e pelo MDB. Conhecida na cidade pelo trabalho no comércio e nas redes sociais, construiu sua projeção política no debating local de 2024, quando disputou a prefeitura na eleição posteriormente anulada pela Justiça Eleitoral — a cassação da chapa eleita que originou a suplementar de 2026. Na disputa atual, tornou-se a candidata da direita unida: recebeu a orientação da direção nacional do PL, através do presidente estadual Altineu Côrtes, para que o partido municipal se engaje em sua campanha, participou de agenda com Flávio Bolsonaro, Douglas Ruas e lideranças municipais e estaduais, e ganhou o protagonismo no vídeo-manifesto do Novo Carioca apresentando-a como a cara do "padrão Novo de gestão" no estado. Na eleição geral de outubro, concorreu a deputada federal pelo Rio e recebeu 6.404 votos, ficando na suplência — dupla candidatura que levou o TRE-RJ a indeferir, por unanimidade, seu registro à prefeitura, decisão que a defesa recorreu ao TSE. Enquanto o recurso não é julgado, segue na disputa de 25 de outubro, apoiada por Luiz Lima e Gabriel Costenaro no plano legislativo, como a aposta da aliança Novo-PL que quer transformar Itaguaí no laboratório da direita unida para 2028.

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Por Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Doutor Honoris Causa em Direito e Ciências Políticas, Acadêmico da ABRASCI , Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber
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Fontes
Vídeo "Jornal da República e Última Hora" — Entrevista com Popó (presidente do Novo Carioca) em Itaguaí, transcrição integral (outubro de 2026) | TRE-RJ — "Eleição suplementar de Itaguaí: TRE-RJ indefere candidatura de Kelaine Goulart" (15/10/2026) | G1 — "Resultado das eleições 2026 em Itaguaí: como foi a votação no 1º turno" (06/10/2026) | O Tempo — "Mapa da apuração das eleições 2026 em Itaguaí por zona" | Agenda do Poder — "Seis candidatos disputam eleição suplementar para prefeito de Itaguaí" (26/08/2026) | Jornal Atual — "PL anuncia apoio à candidatura de Kelaine Goulart em Itaguaí" (09/10/2026) | Jornal Atual — "Candidatura de Kelaine em Itaguaí se mantém sub judice" (18/09/2026) | DeFato Online — "Itaguaí: votos em 2022 e 2026" | TSE — Registros oficiais das eleições 2026
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