O deputado Danniel Librelon quer transformar junho no mês do dragão: projeto de lei pode incluir festival chinês no calendário oficial do Rio

Coordenador do Núcleo de Relações Internacionais da Alerj, Danniel Librelon anuncia projeto de lei que inclui o Festival das Águas no calendário oficial do estado e revela os bastidores da parceria sino-fluminense que já atraiu mais de 10 consulados

Rio de Janeiro, 21 de junho de 2026 — O som dos tambores chineses ainda ecoava sobre as águas da Lagoa Rodrigo de Freitas quando o deputado estadual Danniel Librelon (Republicanos) concedeu entrevista exclusiva ao Jornal da República.

Não era apenas mais um discurso de autoridade. Librelon, que há quatro anos comanda o Núcleo de Relações Internacionais da Alerj (Nuri-RJ), trazia no bolso um anúncio que pode mudar o calendário esportivo e cultural do estado: um projeto de lei de sua autoria que torna o Festival das Águas Dragon Boat Brasil um evento fixo no calendário fluminense.

"Praticamente esse é o primeiro festival de muitos outros que vão acontecer, porque nós vamos acompanhar, vamos fomentar e vamos crescer mais e mais esse trabalho." "Vai entrar no calendário da cidade maravilhosa, do estado do Rio de Janeiro", afirmou Librelon.

O projeto, que tramita na Alerj, estabelece que todo mês de junho será dedicado ao Festival das Águas do Dragon Boat no estado. Se aprovado, o Rio de Janeiro se tornará o primeiro estado brasileiro a ter uma lei específica para a modalidade — um marco para um esporte que a Unesco reconhece como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

A lacuna que o Rio precisava preencher

O Dragon Boat, que combina remo sincronizado, tambores e barcos ornamentados com cabeças de dragão, já é praticado em diversos estados brasileiros — Amazonas, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Bahia têm equipes consolidadas.

O Rio de Janeiro, apesar de ser cercado por um dos maiores sistemas lagunares do país e de ter tradição olímpica no remo, nunca havia sediado uma competição oficial da modalidade.

"Em alguns estados do nosso país já possui essa modalidade e faltava no Rio de Janeiro, onde é cercado por mares, lagoas. "Essa paisagem não teria como não ser aqui", disse Librelon.

A lacuna agora começa a ser preenchida. Nos dias 20 e 21 de junho, o Estádio de Remo da Lagoa recebeu 26 equipes de diferentes estados em baterias de 200 metros, com provas masculinas, femininas e mistas.

A competição teve entrada franca e foi organizada pela Confederação Brasileira de Canoagem, com patrocínio da State Grid — uma das maiores empresas de energia do mundo, de capital chinês.

A ciência da remada que cura

A participação no Dragon Boat, segundo Librelon, vai muito além do esporte de alto rendimento. O deputado, que é praticante de canoa havaiana e se define como "incentivador do esporte", destacou o potencial da modalidade como ferramenta de saúde pública.

"O Dragon Boat na China tem sua cultura. Mas aqui, ele abre oportunidade para pessoas idosas, crianças, adolescentes, pessoas que querem vencer a depressão, cuidar da saúde mental. "É mais uma modalidade de muitas outras aquáticas que teremos na nossa cidade", afirmou.

As afirmações têm amparo científico. Um estudo publicado no periódico Frontiers in Sports and Active Living, conduzido com sobreviventes de câncer de mama participantes de programas de Dragon Boat, demonstrou redução significativa nos níveis de cortisol (o hormônio do estresse) e melhora na função cardiorrespiratória após apenas seis semanas de treinamento.

O movimento repetitivo e ritmado da remada, sincronizado ao som do tambor, ativa circuitos neurológicos que promovem relaxamento e foco, com benefícios documentados para ansiedade e depressão.

A modalidade também é reconhecida internacionalmente como ferramenta de reabilitação para pacientes oncológicos.

O Hospital Israelita Albert Einstein, uma das instituições de saúde mais respeitadas do Brasil, promoveu em 2023 uma vivência de Dragon Boat como parte das comemorações ao Dia do Combate ao Câncer, e o Programa de Reabilitação do Núcleo de Oncologia do Amazonas já utiliza a canoagem como terapia complementar para mulheres em tratamento.

O núcleo que virou ponte entre culturas

O Núcleo de Relações Internacionais do Rio de Janeiro (Nuri-RJ) foi criado em 2024 por iniciativa da Alerj, inspirado no Núcleo de Relações Internacionais do Amazonas (Nuriam).

Librelon, que é o único deputado de fora do Amazonas a integrar o Nuriam, assumiu a coordenação do Nuri-RJ com a missão de abrir canais de cooperação entre o estado e outros países.

Visitamos alguns países. Tivemos aqui mais de 10 cônsules presentes por conta exatamente da cultura. A cultura chinesa e a cultura brasileira já existem há bastante tempo.

Eles são ricos na sua cultura e nós unimos essa riqueza para transformar essa potência, explicou.

Entre as ações do Nuri-RJ no último ano, destacam-se visitas diplomáticas aos consulados da Espanha, Itália e Angola; o Seminário sobre Mercado de Carbono; a roda de conversa na Casa G20 sobre Economia Circular; e a recepção de uma comitiva oficial da China.

O núcleo se tornou o principal canal de interlocução do estado com as representações diplomáticas estrangeiras, especialmente em temas de desenvolvimento sustentável e intercâmbio cultural.

Relações Brasil-China: muito além do comércio.

A parceria entre Brasil e China tem se intensificado em múltiplas frentes. Em 2024, os dois países celebraram 50 anos de relações diplomáticas.

O comércio bilateral ultrapassou US$ 150 bilhões em 2025, consolidando a China como o principal parceiro comercial do Brasil pelo 16º ano consecutivo.

Mas, para Librelon, o Dragon Boat representa um passo além. "O Nuri vem para fomentar, para abrir portas, para ser a ponte da sociedade e também da nossa cultura", afirmou.

Outros países também têm procurado o núcleo para trazer suas culturas ao Rio e levar a cultura brasileira para suas nações — um movimento de troca que o festival simboliza de forma concreta.

No evento, a presença da cônsul-geral da China no Rio de Janeiro, Tian Min, e a cerimônia do batizado da canoa do dragão — ritual milenar que desperta o espírito do dragão para abençoar as águas e os competidores — deram o tom da integração entre as duas culturas.

O projeto de lei que pode transformar junho no mês do dragão

A proposta legislativa que Librelon apresentou na Alerj estabelece que, anualmente, no mês de junho, o Estado do Rio de Janeiro sediará o Festival das Águas Dragon Boat Brasil.

Se aprovada, a lei entra no calendário oficial fluminense, garantindo previsibilidade orçamentária e apoio institucional para as próximas edições.

O projeto se alinha a uma tendência mundial. Em países como Canadá, Estados Unidos e Inglaterra, o Dragon Boat faz parte do calendário esportivo há décadas.

Nos Estados Unidos, a primeira competição foi organizada em 1979, em São Francisco, por iniciativa da comunidade chinesa local. Hoje, são mais de 400 festivais anuais de Dragon Boat em todo o mundo, reunindo milhões de participantes.

A ideia de Librelon é que o Rio de Janeiro, com sua vocação natural para esportes aquáticos e sua força turística, se torne a capital latino-americana da modalidade. "Vai entrar no calendário da cidade maravilhosa.

Estou como deputado estadual e, dentro desse projeto, vamos trazer essa representatividade para o nosso estado."

Danniel Librelon

Danniel Librelon é deputado estadual no Rio de Janeiro pelo Republicanos, em segundo mandato consecutivo — tendo sido eleito em 2018 com 63.767 votos e reeleito em 2022 com 80.970 votos.

Natural de Montes Claros (MG), iniciou a trajetória política na defesa social e hoje é uma das vozes mais ativas do parlamento fluminense na área de relações internacionais.

Formado em Gestão Pública e acadêmico de Direito, preside a Comissão de Prevenção ao Uso de Drogas e Dependentes Químicos da Alerj, além de coordenar o Núcleo de Relações Internacionais do Rio de Janeiro (Nuri-RJ) e o Parlamento Juvenil.

Sua atuação parlamentar abrange 35 leis sancionadas de sua autoria e mais de 250 em coautoria, com bandeiras que incluem conservadorismo, defesa do consumidor, proteção animal, direito das pessoas com autismo e inclusão pelo esporte.

Librelon também preside a Comissão de Prevenção à Depressão e Drogas da Unale (União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais), onde atua como 5º Tesoureiro, e é o único deputado de fora do Amazonas a integrar o Núcleo de Relações Internacionais do Amazonas (Nuriam).

Foi ainda diretor-presidente do Centro Cultural Jerusalém, que abriga a segunda maior maquete do mundo da Terra Santa. Seu trabalho pode ser acompanhado pelo Instagram @danniellibrelonrj e pelo site danniellibrelon.com.br.

Fontes

Entrevista exclusiva concedida ao Jornal da República durante o Festival das Águas Dragon Boat Brasil 2026, na Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro, em 21 de junho de 2026.

Site oficial Danniel Librelon — danniellibrelon.com.br

Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) — Notícias sobre o Nuri-RJ e solenidades (alerj.rj.gov.br).

Por Robson Talber @robsontalber

Repórter Antonio Lemos @djportugues

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