'O Flávio Bolsonaro simboliza o futuro': senador reeleito Carlos Portinho aponta centralização de poder no governo e vê na oposição a chance de retomar o crescimento

Em ato na Barra da Tijuca, o senador do PL recém-reeleito com 4,26 milhões de votos afirma que 'ninguém aguenta mais olhar para trás' e reage à fala do presidente sobre as polícias: 'O que passa na cabeça dele é isso centralizar tudo no poder'

O Jornal da República e o Última Hora estiveram na Barra da Tijuca, no ato em apoio ao senador Flávio Bolsonaro, onde a conversa foi com Carlos Portinho, senador reeleito pelo Rio de Janeiro com 4.264.932 votos (26,77% dos válidos) o mais votado da disputa fluminense, segundo a Agência Senado.

"O Flávio simboliza o futuro do nosso país", abriu Portinho, ao definir o tom da mobilização. E ancorou a fala no debate da véspera: "Ontem, no debate, ficou muito claro.

O presidente atual olha para trás, olha por o passado, olha o que fez, o que prometeu fazer — e foi muita coisa que não realizou. Mostra um Brasil atrasado", afirmou.

"Ninguém aguenta mais olhar para trás"

A aposta do senador tem dois eixos: dignidade econômica e horizonte de futuro. "Flávio significa a esperança não só de as famílias recuperarem sua dignidade, seu salário, seu poder de compra — que teve a nossa economia destruída —, mas também colocar o Brasil na era do futuro, olhar para frente", defendeu. "A gente vai ter que olhar para frente, ninguém aguenta mais ficar olhando para trás", completou.

A frase ganhou peso biográfico na sequência. "Eu tenho 54 anos. O Lula, desde a minha primeira eleição, ele estava lá na urna. Toda eleição a gente quer que o Brasil melhore, e a gente vê que não aconteceu. O cara está aí há 37 anos", afirmou, ao construir a crítica política pelo argumento da longevidade no poder.

A fala mais comentada: "acabar com a polícia"

Indagado sobre a declaração do presidente durante o debate da TV Globo — quando disse que, aprovada a PEC da Segurança, "você vai ver o que é um governo acabar com a polícia e deixar esse território livre" —, Portinho respondeu sem hesitar. "Dizem que foi um ato falho. Não foi, não. O que passa na cabeça dele, o que está presente na cabeça dele é isso", declarou.

A leitura do senador é institucional, não acidental. "A gente vê no seu governo, tanto na reforma tributária quanto na PEC de Segurança, que o que ele quer é centralizar. Quando ele fala que a Polícia Rodoviária, a Polícia Federal podem tomar as funções da Polícia Militar, é porque o que o governo quer é centralizar tudo no poder", argumentou.

O argumento federativo: autonomia contra assistencialismo

A crítica de Portinho desembocou na defesa da federação e do empreendedorismo. "Isso é típico de governo totalitário, que não permite a autonomia dos entes federados, não permite a autonomia do cidadão — que quer ele ali escravizado, com bolsa família, com assistencialismo, ganhando muito pouco do Estado e dependente das políticas sociais do Estado", afirmou.

"A gente quer que você empreenda. É diferente: você vai gerar riqueza, vai gerar emprego para outras famílias e riqueza para os outros", concluiu.

O contraponto técnico à fala presidencial existe e não é pequeno: a PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025), de autoria do Executivo, amplia a atuação da Polícia Rodoviária Federal que poderá fazer policiamento ostensivo de ferrovias e hidrovias federais, insere o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição e autoriza a criação de polícias municipais de natureza civil, submetidas ao controle externo do Ministério Público.

O texto foi aprovado na CCJ em 14 de outubro e retirado da pauta do Plenário pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, no dia seguinte, segundo a Agência Brasil.

Uma trajetória de relatorias que pesam

A oposição de Portinho não se sustenta em retórica vazia. Advogado formado pela PUC-Rio, com mestrado em Direito Público pela FGV, ele construiu no Senado um currículo de relatorias de peso: foi relator do projeto que criou a Sociedade Anônima do Futebol (SAF), do Marco Legal das Startups e do Marco da Energia Eólica Offshore — três marcos regulatórios que destravaram setores inteiros da economia.

Assumiu a cadeira em novembro de 2020, como primeiro suplente de Arolde de Oliveira, e chegou a líder do governo no Senado em 2022.

Hoje lidera a bancada do PL na Casa. Recebeu consecutivamente o Prêmio Excelência Parlamentar do Ranking dos Políticos, de 2021 a 2026 — reconhecimento que lhe rendeu a fama de um dos parlamentares de maior destaque do Rio.

Antes do Senado, ocupou cargos no Executivo fluminense e carioca: foi secretário municipal de Habitação e subsecretário na gestão de Marcelo Crivella, além de secretário estadual de Meio Ambiente no governo Pezão.

Também presidiu a área jurídica do Flamengo — berço de sua ligação com o esporte.

Reeleição consolidada e os próximos oito anos

O resultado de outubro confirmou a força eleitoral: Portinho foi o mais votado da chapa do PL, que elegeu também Carlos Jordy (3.912.405 votos, 24,56%) e manteve as duas cadeiras do Rio no Senado, ao lado de Romário.

Os mandatos começam em 1º de fevereiro de 2027 e terminam em 31 de janeiro de 2035 — oito anos para seguir na trincheira da oposição.

A entrevista terminou com o cumprimento do jornal: "Obrigado pela entrevista, senador. Parabéns pela reeleição", encerrou o comunicador, direto da Barra da Tijuca.

Serviço

  • Entrevistado: Carlos Portinho (PL-RJ) — senador reeleito com 4.264.932 votos (26,77%)
  • Evento: Ato em apoio a Flávio Bolsonaro, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro
  • Mandato: 1º de fevereiro de 2027 a 31 de janeiro de 2035
  • Formação: Direito pela PUC-Rio; mestrado em Direito Público pela FGV
  • Relatorias de destaque: SAF, Marco Legal das Startups, Marco da Energia Eólica Offshore
  • Reconhecimento: Prêmio Excelência Parlamentar (Ranking dos Políticos), 2021 a 2026

Bio de Carlos Portinho

Carlos Francisco Portinho é advogado, senador da República pelo Rio de Janeiro e uma das vozes mais atuantes da oposição no Congresso.

Formado em Direito pela PUC-Rio, com mestrado em Direito Público pela Fundação Getulio Vargas, construiu carreira jurídica sólida — foi vice-presidente jurídico do Flamengo — antes de ingressar na vida pública.

No Executivo, foi secretário municipal de Habitação do Rio de Janeiro, subsecretário na gestão Crivella e secretário estadual de Meio Ambiente no governo Pezão, acumulando experiência em políticas urbanas, ambientais e de infraestrutura.

Assumiu o mandato de senador em novembro de 2020, como primeiro suplente de Arolde de Oliveira, e rapidamente se destacou pela produção legislativa: foi relator do projeto que criou a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) — que modernizou a gestão dos clubes brasileiros —, do Marco Legal das Startups e do Marco da Energia Eólica Offshore, três marcos regulatórios que destravaram investimentos e redefiniram setores da economia nacional.

Em 2022, foi líder do governo Jair Bolsonaro no Senado; hoje lidera a bancada do PL na Casa. Recebeu por seis anos consecutivos o Prêmio Excelência Parlamentar do Ranking dos Políticos (2021-2026), consolidando-se como um dos parlamentares de maior destaque do Rio de Janeiro.

Em outubro de 2026, foi reeleito com 4.264.932 votos (26,77%) — o mais votado do estado —, para mandato de oito anos, de 2027 a 2035.

Defensor declarado da autonomia federativa, do empreendedorismo como motor de riqueza e da descentralização do poder, Portinho carrega bandeiras que atravessam segurança pública, economia e liberdade individual.

Por Robson Talber @robsontalber

Repórter Antonio Lemos, @djportugues

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Por Jornal da República em 24/10/2026
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