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"Está muito lindo. As pessoas unidas, precisando desse sentimento de patriotismo, de amor ao país, de amor ao Rio de Janeiro.
Está todo mundo com uma energia muito boa e eu estou aqui muito feliz." Foi assim que a deputada federal eleita Talita Galhardo (PSDB) abriu a entrevista no ato em apoio a Flávio Bolsonaro, na Barra da Tijuca, ao descrever o clima da mobilização que antecedeu o segundo turno.
Momentos antes, a conversa mergulhou no debate da TV Globo da noite anterior — marcado, segundo o comunicador, pelo tema do feminicídio e pela declaração do presidente sobre o fim das polícias.
"Tá para nascer alguém que vai acabar com a polícia"
Questionada sobre a fala do presidente durante o debate, Talita foi direta: "Eu acho que é um ato falho, né? Mas acabar com a polícia, eu acho que está para nascer alguém que vai acabar com a polícia. Jamais isso vai acontecer."
A declaração, feita durante uma tréplica na noite de 23 de outubro, gerou repercussão imediata nas redes e foi questionada pelo adversário.
A PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025), que motivou a fala, tramita no Senado e amplia atribuições da Polícia Rodoviária Federal, insere o Sistema Único de Segurança Pública na Constituição e autoriza a criação de polícias municipais de natureza civil — texto que passou pela CCJ em 14 de outubro e foi retirado da pauta do Plenário por Davi Alcolumbre no dia seguinte.
O elogio à postura do adversário
Sobre o desempenho de Flávio no confronto, Talita não economizou: "O Flávio ontem foi muito elegante. Eu achei que subiu o nível do debate. O debate foi muito elegante, foi muito educado e com propostas. Eu achei o saldo ótimo. Foi muito bem."
A avaliação encontra eco na cobertura da imprensa. Segundo a CNN Brasil, o segundo bloco do debate foi marcado por direitos de resposta e dívida pública — com o tema do aumento do feminicídio entrando no centro da discussão. O Estadão e o Aos Fatos publicaram checagens simultâneas das afirmações de ambos os candidatos ao longo do encontro.
Os números que ela cita
O comunicador levou ao ar a pergunta que a deputada, como mulher, não poderia contornar: os recordes de violência contra a mulher nos últimos anos. "É isso aí, só aumenta", reconheceu ela. "Eu acho que a gente tem que encarar isso de frente."
Os dados oficiais pedem nuance — e a deputada optou pela indignação. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em seu Anuário 2026, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, alta de 4% sobre 2024 — o maior número da série histórica iniciada em 2015, com taxa de 1,4 vítimas por 100 mil mulheres.
Já os dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram movimento distinto em 2026: queda de 4,5% nos feminicídios entre janeiro e setembro, mas alta de 9,1% nas tentativas, que chegaram a 3.350 casos — 12 por dia, conforme a Folha de S.Paulo.
Onze estados registraram aumento nos assassinatos no período. O próprio FBSP ressalva que parte do crescimento histórico reflete "uma melhora na qualidade dos registros e reconhecimento do fenômeno pelas autoridades policiais", além da mudança legal de 2024, quando o feminicídio virou crime autônomo pela Lei 14.994.
"Não tenho pena nenhuma"
A proposta da deputada eleita para o endurecimento penal veio sem meias palavras: "Eu acho que esses marginais, esses vagabundos que cometem esse tipo de crime têm que ficar presos para sempre. Eu não tenho pena nenhuma."
A posição se alinha às bandeiras que a elegeram: endurecimento de leis penais e combate ao crime organizado. E se ancora na experiência que a projetou nacionalmente — a de gestora de territórios conflagrados.
De Jacarepaguá a Brasília: a gestora das demolições
Antes do Congresso, Talita construiu trajetória na ponta. Jornalista formada e pós-graduada em Gestão Pública, foi subprefeita de Jacarepaguá entre 2021 e 2023, período em que liderou mais de 200 operações de demolição de construções irregulares ligadas à milícia e ao tráfico na Zona Oeste do Rio — trabalho que a transformou em alvo e em símbolo de resistência ao crime organizado.
Em 2024, elegeu-se vereadora do Rio com 20.352 votos, integrando as comissões de Segurança e de Defesa Civil e participando ativamente da aprovação do armamento da Guarda Municipal.
Em 2026, deu o salto para a Câmara Federal: 46.780 votos (0,53% dos válidos) — com concentração expressiva na capital (41.416 votos), berço de sua base eleitoral.
No Congresso, seus compromissos declarados são o combate ao crime organizado, o endurecimento das leis penais, o aumento da representatividade feminina nos espaços de poder e melhorias em saúde, educação e fiscalização dos serviços públicos — a última, uma extensão direta do trabalho de rua que fez como subprefeita.
O amigo de infância
Um detalhe pessoal atravessou a entrevista: "O Flávio, além de bom político, é um amigo meu de pequeno. Então assim, a gente troca muito bem. Falei com ele hoje, estou aqui felizona.
Eu acho que ele vai bater de frente com esses marginais, esses vagabundos, que é o que a gente deseja mesmo de coração."
A confiança, garantiu, é de quem conhece o candidato antes da política: "A gente troca muito bem." E o fechamento veio com o agradecimento do jornal, direto da Barra da Tijuca.
Serviço
| Dado | Informação |
|---|---|
| Nome completo | Talita Galhardo Martins Borges Sousa (PSDB-RJ) |
| Cargo eleito | Deputada federal — posse em 1º de fevereiro de 2027 |
| Votação | 46.780 votos (0,53% dos válidos no RJ) |
| Maior colégio eleitoral | Rio de Janeiro (41.416 votos) |
| Trajetória | Subprefeita de Jacarepaguá (2021-2023); vereadora do Rio (2025-2026) |
| Formação | Jornalista, pós-graduada em Gestão Pública |
| Bandeiras | Combate ao crime organizado, endurecimento penal, representatividade feminina |
Bio de Talita Galhardo
Talita Galhardo Martins Borges Sousa é deputada federal eleita pelo Rio de Janeiro, filiada ao PSDB.
Nascida em 25 de março de 1983, na capital fluminense, é jornalista de formação e pós-graduada em Gestão Pública — combinação que moldou uma carreira de comunicação aliada à administração de territórios complexos.
Ganhou projeção nacional como subprefeita de Jacarepaguá (2021-2023), onde liderou mais de 200 operações de demolição de construções irregulares vinculadas à milícia e ao tráfico na Zona Oeste do Rio, enfrentando diretamente o crime organizado em uma das regiões mais conflagradas da cidade.
Em 2024, elegeu-se vereadora do Rio com 20.352 votos, atuando nas comissões de Segurança e Defesa Civil e participando da articulação que aprovou o armamento da Guarda Municipal.
Em outubro de 2026, foi eleita deputada federal com 46.780 votos, com base eleitoral consolidada em Jacarepaguá e na capital.
Em Brasília, assume compromissos com o endurecimento das leis penais, o combate ao crime organizado, o aumento da representatividade feminina nos espaços de decisão e a fiscalização dos serviços públicos — temas que carrega da prática, não do discurso.
Defensora declarada da valorização das forças de segurança e da punição rigorosa de agressores, construiu uma identidade política de coragem física e proximidade com as comunidades atendidas, sendo uma das vozes mais reconhecidas da nova geração de mulheres da política fluminense. Instagram: @talitagalhardo.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Antonio Lemos, @djportugues
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