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O Jornal da República e o Última Hora acompanharam, na Barra da Tijuca, o último ato em apoio a Flávio Bolsonaro — e a voz que abriu a entrevista foi a de Hélio Negão (PL-RJ), deputado federal e um dos aliados mais próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro, conhecido também como Hélio Bolsonaro.
"Primeiramente, agradecer o povo carioca pela votação expressiva que teve o Douglas Ruas como governador, os senadores, os deputados, uma bancada do PL fortíssima e o voto que vocês depositaram em Flávio Bolsonaro", afirmou, ao abrir a conversa com um agradecimento que dimensiona a dimensão da vitória no estado.
O Bloco 22 e a caminhada até a casa do irmão
O evento, segundo ele, tem um propósito definido: "Consolidar a vitória".
E o roteiro foi anunciado em detalhes. "Hoje vai ter o Bloco 22 aqui na Barra. Vamos sair da praça e vamos caminhando até a casa do meu irmão Jair Bolsonaro, que está preso sem cometer um crime", declarou Hélio, arrancando reação do comunicador.
O agradecimento se estendeu ao eleitorado fluminense: "Só tenho a agradecer a todos vocês, o povo do Rio, pelo carinho, pela dedicação e por defender as nossas bandeiras". E o resumo ideológico veio em quatro palavras: "Nossa bandeira é a deus, a bandeira da pátria, a bandeira da família e a bandeira da liberdade."
A vitória que consolidou o PL no Rio
A fala de Hélio não é retórica de palanque — ela tem números. Douglas Ruas (PL) foi proclamado governador eleito do Rio de Janeiro pelo TRE-RJ em 15 de outubro, após retotalização de votos que o levou a 50,88% dos votos válidos, contra 44,16% de Eduardo Paes (PSD) — vitória em primeiro turno, sem necessidade de segundo turno, conforme homologação unânime do colegiado eleitoral fluminense.
No Senado, o PL manteve as duas cadeiras em disputa: Carlos Portinho (4.264.932 votos, 26,77%) e Carlos Jordy (3.912.405 votos, 24,56%) — os dois mais votados do estado. Na Câmara, a legenda elegeu nomes como Chris Tonietto (81.966), o próprio Hélio Lopes (ainda no exercício do mandato federal) e Filippe Poubel (81.960). E na Alerj, a bancada renovou-se com nomes como Poubel Filho (42.871).
"O Lula sempre sendo Lula"
Sobre o debate da TV Globo da noite anterior, Hélio foi econômico e cirúrgico. "O Lula sempre sendo Lula. Lula, não vou nem falar da pessoa, só falar Lula — já deu, já deu", afirmou, resumindo a avaliação em uma expressão que circulou nas redes.
A contraposição veio no parágrafo seguinte: "Flávio está preparado, é um cara que tem uma boa capacidade de conduzir, de conversar, e vai realizar muita coisa por esse Brasil." A análise se alinha ao coro dos aliados que ocuparam o palco naquele sábado — todos apontando a performance do senador no confronto como ponto de virada.
A trajetória do militar que virou fenômeno eleitoral
A biografia de Hélio explica por que sua palavra tem peso no bolsonarismo. Nascido em Queimados, na Baixada Fluminense, em 28 de março de 1969, trabalhou em empregos informais antes de ingressar no Exército em 1992, onde chegou a subtenente e conheceu Jair Bolsonaro.
O encontro mudaria sua vida. Em 2018, concorrendo pelo PSL e usando com força o nome "Hélio Bolsonaro" na propaganda de TV, tornou-se o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro, com 345.234 votos — marca histórica para um afro-brasileiro no cargo no país.
Reelegeu-se em 2022 pelo PL, mas a Justiça Eleitoral o proibiu de usar o sobrenome na urna por ausência de parentesco direto, e ele concorreu como Hélio Lopes.
No parlamento, preside o PL Integração, núcleo partidário voltado a atrair e dar visibilidade a negros de espectro conservador — uma frente que ele próprio considera estratégica para ampliar a base da direita.
Roraima: a missão que não se completou
Em 2026, a pedido direto de Jair Bolsonaro, Hélio transferiu o domicílio eleitoral do Rio para Roraima para disputar o Senado. A empreitada, porém, não prosperou. Segundo o G1, ele terminou em quinto lugar, com 79.038 votos (12,97%) — longe das duas vagas, que ficaram com Nicoletti (PL, 138.269 votos) e Teresa Surita (MDB).
O TRE-RR repetiu a decisão de 2022 e o proibiu de usar o sobrenome Bolsonaro na urna, o que, segundo a análise de veículos como UOL e O Globo, reduziu sua competitividade em um estado onde o eleitorado local tem peso decisivo. A derrota não abalou o alinhamento: no palco da Barra, ele estava lá, agradecendo e convocando.
O convite final
A entrevista se encerrou com o chamado do Bloco 22 e o número que atravessa toda a campanha. "Hoje esse movimento é para fechar com chave de ouro", resumiu Hélio Negão — antes do agradecimento do jornal e do encerramento direto da Barra da Tijuca.
O ato em números
| Item | Informação |
|---|---|
| Entrevistado | Hélio Fernando Barbosa Lopes — Hélio Negão / Hélio Bolsonaro (PL) |
| Cargo atual | Deputado federal pelo Rio de Janeiro (2º mandato) |
| Nascimento | 28 de março de 1969 — Queimados (RJ) |
| Feito eleitoral | Deputado federal mais votado do RJ em 2018 (345.234 votos) |
| Disputa em 2026 | Senado por Roraima — 5º lugar, 79.038 votos (12,97%) |
| Governador eleito no RJ | Douglas Ruas (PL) — 50,88% dos válidos |
| Senadores eleitos no RJ | Carlos Portinho (26,77%) e Carlos Jordy (24,56%) |
Bio de Hélio Negão
Hélio Fernando Barbosa Lopes, conhecido nacionalmente como Hélio Negão ou Hélio Bolsonaro, é militar da reserva do Exército, deputado federal pelo Rio de Janeiro em segundo mandato e uma das figuras mais próximas de Jair Bolsonaro — a quem chama de "amigo e irmão de uma vida".
Nascido em Queimados, na Baixada Fluminense, em 28 de março de 1969, trabalhou em empregos informais antes de ingressar no Exército Brasileiro em 1992, onde alcançou a patente de subtenente e conheceu o então capitão que se tornaria presidente.
Sua trajetória política é marcada por um feito histórico: em 2018, concorrendo pelo PSL com o nome "Hélio Bolsonaro", tornou-se o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro, com 345.234 votos — a maior votação já registrada por um afro-brasileiro para o cargo no país.
Reelegeu-se em 2022 pelo PL, quando a Justiça Eleitoral o impediu de usar o sobrenome na urna por falta de parentesco direto.
No Congresso, atua nas pautas conservadoras e preside o PL Integração, núcleo partidário dedicado a dar visibilidade e representatividade a negros de espectro político conservador — iniciativa que ele trata como frente estratégica de ampliação da direita brasileira.
Em 2026, atendeu ao pedido de Bolsonaro e transferiu o domicílio eleitoral para Roraima, disputando uma vaga ao Senado: terminou em quinto lugar, com 79.038 votos (12,97%), após nova proibição judicial do uso do sobrenome. Leal para além dos resultados, permaneceu na linha de frente da campanha de Flávio Bolsonaro em 2026, comandando o Bloco 22 na Barra da Tijuca no último ato antes da votação.
Sua biografia resume uma das trajetórias mais improváveis da política brasileira: o soldado de origem humilde que virou fenômeno eleitoral e símbolo da ala conservadora popular. Instagram: @helionegaooficial.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Antonio Lemos, @djportugues
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