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Lula criticou a decisão dos EUA de classificarem o Comando Vermelho e o PCC como grupos terroristas internacionais.
Durante um discurso, o presidente afirmou ter ficado chateado com a medida e ressaltou que ela autoriza intervenções no Brasil:
“Eu tô muito triste hoje com a notícia de que o secretário dos Estados Unidos da América do Norte, um tal de Marco Rúbio, diz que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção”.
Apesar de seu governo ter sido contrário ao projeto para classificar as facções como grupos terroristas, Lula usou esse termo para se referir a eles:
“Esse tal de Comando Vermelho e esse tal de PCC são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira, para o povo da periferia desse país… Eles não são os terroristas que o Trump quer. O Trump quer um Bin Laden que é não sei das contas.”
O presidente seguiu dizendo que quer combater a lavagem de dinheiro nos EUA e falou que pediu a extradição de brasileiros como Alexandre Ramagem.
Condenado a 16 anos de prisão pelo STF, o ex-chefe da ABIN foi identificado nos EUA ainda ano passado.
Lula chama Flávio de traidor da pátria
Durante a fala, o presidente acusou Flávio de ter “traído a pátria” durante sua visita na Casa Branca.
Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, não estava no encontro oficial entre os presidentes dos dois países.
Ele teria evitado a reunião para articular a decisão junto a apoiadores de Bolsonaro, afirmou Lula:
“Um filho de um bolsonarista que é candidato à eleição aqui nesse país, que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, de nos Estados Unidos pedir intervenção americana do Brasil”.
Ele também disse que “se fosse pedir intervenção para prender miliciano, ficava preso lá”, em uma cutucada sobre as acusações contra Flávio.
Governo escreveu uma nota de repúdio
Lula não foi o único a criticar a medida, o governo brasileiro também se posicionou formalmente através de uma nota oficial.
O documento destaca que as facções não agem por motivos ideológicos, apenas financeiros, o que seria contra a classificação.
Além disso, foram feitas mais críticas a Flávio e à toda a família Bolsonaro. Leia na íntegra:
“O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro.
O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional.
A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros.
É deplorável que, mais uma vez, integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país.
Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão –a maior prevista em toda a legislação brasileira. O governo do Brasil conduz o programa ‘Brasil contra o Crime Organizado’, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima.
O crime organizado não respeita fronteiras e seu combate exige ação conjunta. Construímos, ao longo de décadas, parcerias com vários países, inclusive com os Estados Unidos. O Brasil apresentou em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil.
Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia.
Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o Pix, que incomodam interesses estrangeiros.
Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país.
A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.”
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