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O governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, oficializou nesta quarta-feira o retorno de Guilherme Mercês ao comando da Secretaria de Estado de Fazenda. A nomeação, publicada no Diário Oficial, ocorre em um momento crítico para as finanças fluminenses, com o objetivo central de reverter o déficit bilionário previsto para este ano.
Mercês reassume a pasta que chefiou entre 2020 e 2021, durante o período mais agudo da pandemia. Sua saída anterior foi marcada por embates técnicos sobre renúncias fiscais no setor de combustíveis, o que agora coloca sua volta sob os holofotes de quem espera um perfil técnico rigoroso na gestão do erário.
O desafio fiscal e a meta de déficit zero
A missão do novo secretário é considerada hercúlea pelos especialistas do setor público. A Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, aprovada pela Alerj, projeta um rombo de R$ 18,93 bilhões nas contas do estado. Apesar dos números alarmantes, Mercês aposta em uma estratégia agressiva para tentar equilibrar o caixa até dezembro.
O otimismo do secretário baseia-se em um monitoramento constante das receitas e na revisão de gastos estruturais. Segundo o novo chefe da Fazenda, a meta é alcançar o fim do ano com as contas no azul, utilizando para isso ferramentas de gestão que priorizem a eficiência arrecadatória sem necessariamente elevar a carga tributária.
Royalties e a dívida com a União
Duas frentes de trabalho foram eleitas como prioridades imediatas pela nova gestão da Fazenda. A primeira é a defesa intransigente dos royalties de petróleo no Supremo Tribunal Federal. O julgamento sobre a redistribuição desses recursos é visto como uma ameaça vital à sobrevivência financeira de dezenas de municípios fluminenses.
Paralelamente, o governo busca agilizar a entrada do Rio de Janeiro no Propag, o programa federal de renegociação de dívidas. A adesão ao programa é considerada o "respiro" necessário para que o estado consiga honrar seus compromissos com servidores e fornecedores, reduzindo o peso dos juros sobre o estoque da dívida pública.
Perfil técnico e reconhecimento de mercado
Guilherme Mercês carrega um currículo robusto, sendo mestre em economia pela UERJ e com passagens por instituições de renome mundial, como Oxford e Columbia. Antes de retornar ao serviço público, atuou como economista-chefe da CNC e da Firjan, onde consolidou sua reputação como um dos analistas mais precisos do ranking Bloomberg.
A escolha de Ricardo Couto sinaliza uma tentativa de blindar a Secretaria de Fazenda de pressões puramente políticas, devolvendo o comando a um nome que goza de interlocução privilegiada com o mercado financeiro. O mercado agora observa se o secretário terá o apoio necessário para implementar as reformas estruturais prometidas.
Continuidade e próximos passos
A substituição de Juliano Pasqual por Mercês é a mudança mais significativa na reforma administrativa conduzida pelo governador interino. Nos corredores do Palácio Guanabara, a expectativa é que a Fazenda dite o ritmo das demais pastas, impondo uma cultura de austeridade e monitoramento por metas de desempenho.
Nos próximos dias, Mercês deve apresentar um detalhamento do plano de cem dias para a equipe econômica. O foco estará na digitalização de processos fazendários e no combate à sonegação fiscal, elementos que o secretário considera fundamentais para modernizar a máquina pública e garantir a sustentabilidade do estado a longo prazo.
Fontes: Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, ALERJ (Lei Orçamentária Anual 2026), Ranking Bloomberg de Economia.
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Resumindo
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