Panela Preta à mesa: Circuito Gourmet Afro transforma a UFRRJ em celebração da diáspora, da fé e da resistência

Nos dias 4 e 5 de novembro, o Hotel Escola da UFRRJ, em Seropédica, reúne pesquisadores, chefs, sacerdotes e comunidades tradicionais em rodas de conversa, aulas-show, concursos, jongo, quilombos e capoeira um mergulho na gastronomia como arquivo vivo da memória africana

Panela Preta à mesa: Circuito Gourmet Afro transforma a UFRRJ em celebração da diáspora, da fé e da resistência

Por Robson Talber @robsontalber Repórter Antonio Lemos, @djportugues Sigam e compartilhem o nosso Instagram. @jornalultimahoraonline

A gastronomia afro-brasileira é muito mais do que alimento: é memória, resistência e um dos pilares da identidade nacional. É com essa convicção que o Circuito Gourmet Afro — UFRRJ Apresenta promove, nos dias 4 e 5 de novembro, uma imersão na cultura afro-brasileira por meio da comida, da espiritualidade, da memória e da arte.

Com realização da ABRACHEF — Associação Brasileira de Chefs e apoio da UFRRJ, o evento acontece no Hotel Escola da UFRRJ, em Seropédica, reunindo pesquisadores, chefs, sacerdotes, artistas e comunidades tradicionais.

O poder da comida no culto de Osha Ifá Lukumi

A programação abre no dia 4, às 9h30, com a roda de conversa "O Poder da Comida no Culto de Osha Ifá Lukumi", que se estende até as 12h30. O tema atravessa a antropologia, a etnocenologia e a filosofia presentes nas práticas espetaculares desse culto ancestral — colocando a comida como elemento sagrado e de conexão.

A mesa reúne nomes de peso: Dr. e Babalawo Julio Moracen, Dr. e Babalawo Fernandez Portugal, Dr. e Pesquisador Carlos Eduardo Medawas e Babalawo e Folclorista Afro Axé Paulo Erdibre, com mediação do Babalawo e Etnólogo Afro-cubano Fernando Calderon. Uma conversa que une conhecimento acadêmico e sabedoria ancestral em torno do que alimenta o corpo e a fé.

Aulas-show que celebram a ancestralidade

Ao longo do primeiro dia, o público acompanha aulas-show que colocam a cozinha afro no centro do palco: Chef Márcia Baiana às 13h, Chef Calderón às 14h, Jorginete Sacerdotisa Ethy de Iemanjá às 15h, Chef Otávio Pestana às 16h e Iyalorisá Glauciele t'Osun às 17h. Cada apresentação revela receitas, técnicas e histórias que conectam ingredientes, território e memória.

Panela Preta: a diáspora no prato

O segundo dia, 5 de novembro, começa às 10h com a roda de conversa "Panela Preta: A diáspora no prato — memória, território e resistência". A proposta avança um debate iniciado no ano passado — quando o tema foi "Comida de Terreiro para além da boca" — para aprofundar a discussão sobre a Diáspora Africana através daquilo que manteve os povos negros vivos: a comida.

"A panela preta não é apenas utensílio. Ela é arquivo, território e memória", resume o evento. A roda reflete como os ingredientes africanos atravessaram o Atlântico, como os terreiros se tornaram guardiões dessa memória e como chefs negros transformam essa herança em futuro.

A palestra é conduzida pelo Dr. Roberto Leonardo de Araújo Lima — bacharel em Direito pela UERJ, bacharel e licenciado em Ciências Sociais pela UFRJ e doutor em História Comparada pela UFRJ.

Da encruzilhada à mesa

O dia segue com aulas-show que celebram a fé, a ancestralidade e o sabor que veio de África: Chef Andrea Lacocca às 13h, Lysandra Yaluande às 14h, Chez Kimberly às 15h, Chef Marisa Leonardo às 16h e Chef Gerson Fernandes às 17h. Cada apresentação reforça a ideia de que a gastronomia preta é uma expressão viva da cultura — da Pequena África às cozinhas de terreiro que preservam saberes atravessados por gerações.

Concursos valorizam o empreendedorismo periférico

O Circuito Gourmet Afro também promove concursos que celebram a criatividade, a herança afro-brasileira e o empreendedorismo periférico. No dia 5, acontecem o Sabores da Diáspora — Chefes de Cozinha (edição especial dedicada a chefs periféricos empreendedores, às 11h), a Confeitaria da Diáspora (às 13h) e o Afro Drinks Autoral (às 14h).

A categoria de chefs chega com um propósito claro: dar visibilidade a cozinheiros e cozinheiras que transformam a herança africana em negócio, renda e futuro. A iniciativa dialoga diretamente com o fomento ao empreendedorismo, à formalização de negócios e à qualificação de chefs de comunidades urbanas — pilares essenciais para a sustentabilidade de empreendimentos gastronômicos de base comunitária.

Jongo, quilombos e capoeira: a cultura em movimento

Além da gastronomia, o evento celebra a cultura afro-brasileira em suas múltiplas expressões, com roda de jongo, participação de quilombos e roda de capoeira — manifestações reconhecidas como patrimônio cultural que atravessam gerações e mantêm viva a memória da resistência negra no Brasil.

Um encontro que une academia e comunidade

O Circuito Gourmet Afro se destaca por unir o rigor acadêmico da UFRRJ à sabedoria das comunidades tradicionais. Ao reunir pesquisadores, chefs, sacerdotes e artistas em um mesmo espaço, o evento constrói uma ponte entre o conhecimento científico e os saberes ancestrais — provando que a gastronomia é, acima de tudo, um espaço de criação, pertencimento e conexão.

Serviço

  • Evento: Circuito Gourmet Afro — UFRRJ Apresenta
  • Datas: 4 e 5 de novembro
  • Horários: a partir das 9h30 (dia 4) e 10h (dia 5)
  • Local: Hotel Escola da UFRRJ — Rua UW, s/nº, BR 465, Seropédica, Rio de Janeiro — CEP 23897-000
  • Realização: ABRACHEF — Associação Brasileira de Chefs
  • Apoio: UFRRJ

Sobre o evento

O Circuito Gourmet Afro — UFRRJ Apresenta é uma realização da ABRACHEF — Associação Brasileira de Chefs, com apoio da UFRRJ, dedicada a celebrar a gastronomia afro-brasileira como expressão de memória, fé e resistência.

Em sua edição de 2026, o evento reúne rodas de conversa sobre o poder da comida no culto de Osha Ifá Lukumi e sobre a diáspora no prato, aulas-show com chefs e sacerdotisas, concursos que valorizam o empreendedorismo periférico e manifestações culturais como jongo, capoeira e a participação de quilombos.

Realizado no Hotel Escola da UFRRJ, em Seropédica, o encontro une academia e comunidades tradicionais em torno de um mesmo propósito: reconhecer a panela preta como arquivo vivo da história e da identidade negra brasileira.

Por Jornal da República em 13/10/2026
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